segunda-feira, 26 de outubro de 2015




Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
[Retrato, de Cecília Meireles]


O pintar azul do céu
De uma cor brilhante, como um blues
Com pontos de amarelo e vermelho
Olhando pra cima, você pegou nas minhas mãos
Levou-me a rolar na grama verde - em meio a tanto azul
Ligou seu "radinho", e tocou um blues
Céu azul, e nós na relva, seus braços, seus beijos
O blues tocando, e você então me pede pra traduzir a letra
Eu então começo no seu ouvido a dizer:
O pintar azul do céu 
De uma cor brilhante, como um blues
Com pontos de amarelo e vermelho
Olhando pra cima, você pegou nas minhas mãos
Levou-me a rolar na grama verde - em meio a tanto azul
Ligou seu "radinho", e tocou um blues
Céu azul, e nós na relva, seus braços, seus beijos
O blues tocando, e você então me pede pra traduzir a letra
Eu então começo no seu ouvido a dizer:
O pintar azul do céu...

[Hpinel; ficção]


Ao discorrer sobre a amizade íntima com o humanista e poeta Étienne de La Boétie (1530-1563), o escritor Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) assim escreveu 'in' Ensaios:
“Na amizade a que me refiro, as almas entrosam-se e se confundem numa única alma, tão unidas uma à outra que não se distinguem, não se lhes percebendo sequer a linha de demarcação. Se insistirem para que eu diga por que o amava, sinto que não o saberia expressar senão respondendo: porque era ele, porque era eu. ”
Quantas vezes você viu o amor voar, afastando-se de você, e ele estava tão perto, não é? O que você fazia sempre era apenas suspirar? Quantas vezes você sentiu o frio no seu corpo, esperando que o amor te salvasse? E ele estava ali tão perto de você, mas o idealizava demais, e nem o percebeu te tocando a pele, e de forma tão suave, entre o sonho e a realidade. Passamos nossas vidas esperando sentir o coração bater, as pernas tremerem, indicando possibilidade de amor e de amar. Eu não sei se o amor que nós inventamos é o amor real, o concreto amor, ou se esse amor que sentimos é algo fantasioso, demasiadamente longe de nós. Acho que precisamos coragem em tudo na vida, e com o amor não é diferente. É preciso que nos contactemos com o que está perto de nós, o amor-aí-mesmo, ele jogado junto ao outro no mundo, pedindo a nós para que o recolhemos, jogando-o para dentro da gente mesma - interiorizando-o.

[Hpinel; ficção]
NOSSAS HISTÓRIAS NOS ESPAÇOS DA ESCOLA
Prestes a formatura do seu ensino médio, um aluno "tira" fotografias da escola vazia, e o faz no período noturno, de fato, madrugada. O amigo íntimo chega, e o pergunta: "- Porque você faz isso?" O fotógrafo responde: "Eu quero que as pessoas vejam os espaços vazios escola, para que possam preenche-los com as suas próprias histórias".

["Home: Love, Happiness, Memories " - filme de 2012, direção Chookiat Sakveerakul. Tradução possível: "Lar: Amor, Felicidade, Memória"].

meu ator favorito, March Chutavuth Pattarakampol. Um rosto que atrai a câmera de cinema - uma cara nascida para a tela. 



No filme Vai Que Cola, o Filme (2015; de César Rodrigues), o personagem Valdomiro (ator Paulo Gustavo) tem que vender um apartamento 'chic' de cobertura no Rio, no Leblon kkk, e então ele faz a seguinte reflexão: 

"Pra quem vou vender? O Michel Jackson já morreu, o Eike [Batista] não está num momento bom, e a Xuxa foi pra Record" kkk

ator Paulo Gustavo: todas as penas de ganso do mundo em um único travesseiro... perfeito gente... kkk


Esse filme é muito bacana e cumpre o prometido: diversão... O Paulo Gustavo está ótimo e a maioria das cenas é pra ele, um ator talentoso, abusado. Pessoalmente adorei a cena descrita acima e a que ele reclama de que todo filme veste de mulher, o Majella devolve que "todo mundo sabe que você é melhor como atriz". Mas o Marcos Majella tem três cenas impagáveis e que, de certo modo, as mais memorizadas: 1) imitando Luisa de Marilac; 2) na festa, do nada, aparece brilhante dublando uma cantora - dá pra arrepiar pelo inusitado, pela presença quase heideggeriana kkk adorei; 3) ele em cima da combi como no filme "Priscilla, a Rainha do Deserto" (1994, direção de Stephan Elliott).

Luisa...

Cover de estrela, de fato um ator que é estrela.

Cover de Priscila, Rainha do Deserto.

 



 - Fique!

Atores Jelle Florizoone como Pim (loiro) & Mathias Vergels (moreno) como Gino, numa pequena obra de arte.



"North Sea Texas" (BÉLGICA, 2011, direção de Bavo Defurne). Pim é um garoto de 10 anos de idade, e que sempre sofreu abandono da mãe, uma irresponsável - que toca acordeom e vive com muitos namorados. O pai abandonou a família, logo se percebe sua ausência, sua provável força e falta dela. Pim se refugia na casa dos outros e encontra em casa de um vizinho lugar donde é bem tratado (amado, pela mãe social), e nesse lar a dona tem dois filhos Sabrina (que se apaixona por Pim) e Gino. Agora Pim tem 15 anos e Gino 18. Pim procura segurança, e o consegue em Gino, na atenção afetiva ali instalada. Ao longo desse filme, Gino casa-se com Françoise, e também pelo próprio casamento, ele se afasta de Pim, que se sente rejeitado, sozinho e angustiado. Nesse filme encontramos o abandono, a aceitação, família social, o amor, a rejeição, o casamento, a separação, o rompimento, a obsessão, o reencontro e finalmente o amor. Quando é procurado por Gino, e abraçado, Pim pede ofegante: "Fique", talvez a cena mais sensual. Gino confirma - é preciso um final feliz para os espectadores continuarem viajando, sonhando com o amor romântico, alienado... kkk. Muito bacana: Tem cena cover de Brokeback Mountain (ESTADOS UNIDOS, 2005, de Ang Lee), com barraca e tudo kkk.
Tragam a banda da cidade para me dizer adeus
Todos estão lá fora e choram a minha partida
Nunca pensei que tantos gostassem assim de mim
Serei feliz em qualquer lugar - menos aqui.
Uma passagem só de ida me levará seja pra que lugar for,
 
não importa, não importa mesmo - menos aqui.

atriz Tameka Empson na pele de Leah Russell



[canta Mamma Cass, a personagem Leah, no filme Beautiful Thing, 1996, direção de Hettie MacDonald].

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Mew diz a sua vizinha apaixonada, de nome Yin, "quero escrever uma canção de amor, mas nunca estive apaixonado". A vizinha se oferece para ser a sua namorada, ele diz "você está louca!" - sorri, afinal são amigos. A mãe de Yin grita por ela. Insatisfeita, Yin vai saindo para encontrar a mãe, e na porta ela diz a Mew: " - Pense na minha oferta [de amor], afinal todo mundo precisa de alguém" - Filme: "Love Of Siam" (TAILÂNDIA, 2007, de Chookiat Sakveerakul). A fala de Yin é uma poesia apaixonada, mas um texto dela, apenas dela.




Eu amo essa frase no que ela desvela de carência de afeto, e ao mesmo tempo, disposição em amar o outro, que ama um outro.... Acho que a ação dela de se dispor a ser a namorada de Mew é de uma generosidade impagável, que só se quita a dívida amando assim outra pessoa, com igual disposição. Amo e gosto de repeti-la.




quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O MESTRE QUE NÃO MISTURA ALHOS COM “BROLHOS” [1]: UM DOS MELHORES FILMES SOBRE PROFESSOR - Hiran Pinel

Vamos analisar o filme "Violência e Paixão" - de Luchino Visconti, de 1974. Vamos? Será uma análise, e não "a" análise - nada definitivo, tudo aberto a mais apreciações.

O título brasileiro desse filme é idiota, deveria ser "Peça de Conversação" (obras de arte que o professor tem interesse) ou "Adentrando por uma Família" ou "Pelo Interior de uma Família" (Gruppo di famiglia in un interno). Os títulos, esses dois, são do filme. Nada de violência e paixão kkk

O que esse filme pode ensinar aos professores e aos estudantes? Vamos à minha apreciação.

Um professor de artes, aposentado, mora em uma mansão decadente - tal qual ele, já fisicamente decaído. O professor gosta de quadros de pintura do tipo "peças de conversação" - de origem inglesa -, donde o ideal é desvelado (pintado), o romântico, o alienado. Quadros com famílias unidas, crianças, azulzinho, rosinha, cãozinhos ou seja, a (des)graça do real nos marca, mas fugimos dela pela obra de arte que representa o romantizado.

Então, uma família nobre e decadente, quer porque quer alugar a parte de cima da referida casa do professor, devido ao lugar que se localiza, numa área nobre e urbana - uma família urbana, decadente, imoral. A mãe dessa família, uma marquesa, tem um amante, um jovem pobre que participa ativamente da revolução de 1968 de Paris - rebelião dos estudantes na época (fato político real), era um líder. Assim, esse jovem é perseguido pelo Estado (França, Itália, Inglaterra etc.), ele é procurado tudo em um clima paranoico, persecutório. O professor, e esse jovem, começam a se aproximar, e ambos aprendem (e ensinam) um com o outro. O professor torna-se mais politizado (era demais subjetivo), e o aluno mais interiorizado, focando também a sua subjetividade.

A primeira vez que o assisti, não sabia, e por isso fiquei arrepiado demais com uma cena: o professor escuta uma música alta e confusa vindo da parte de cima. Ele levanta cuidadosamente e vai subindo, talvez para pedir "abaixem essa música" urbana, popular, vulgar - ele ama as clássicas. Quando sobe a escada a gente escuta a música de Roberto e Erasmo Carlos "quantas vezes eu pensei voltar, e dizer que o meu amor nada mudou...". O professor abre a porta e a música está mais alta, e então vê um grupo de jovens (talvez 6) desnudos e fazendo sexo grupal - homens e mulheres. Aí tem uma fala inesquecível da filha da nobre: "Venha professor, saia do seu mundo, entregue-se ao prazer". É um convite deveras provocativo, que todo professor gostaria de receber - ali, no meio da juventude, justo ela que ele perdeu. O jovem rebelde de 68, aproxima-se dele, e lhe faz um carinho de "tons sexuais", ampliando o convite - a amizade se transformou em paixão na relação professor-aluno. Eu amo a resposta do mestre: ele se afasta delicadamente, esteticamente, eticamente. É uma ética, uma bela ética - estética, pois.

O cineasta Visconti, que era de origem nobre, mas filiado ao partido comunista, pode estar a nos ensinar uma preciosidade pedagógica e psicológica: a de que o professor não deveria confundir "alhos com brolhos", e se confundir ótimo também kkk que assume as consequências das escolhas, Sartre. Escolhendo, o professor faz uma escolha, o de não se entregar ao seu orgasmo (sexual), mesmo porque depois só vem o real, e a educação se interessa por ela, ou que isso vem a significar. O seu prazer pode também ser uma bela aula, bem como o amor que os estudantes lhes dão, um amor pautado pelo respeito, ensino, aprendizagem, pesquisa objetivando não tomar o lugar do professor, mas ficar ao lado dele, pois ambos lutaram por esse ofício. Será que essa minha reflexão tem muito a ver com as peças de conversação? Idealistas, românticas, alienadas, afastadas do real...
Raríssima essa película, raríssima - uma pena que poucos a assistem no Brasil, pois não é um filme de ação, não é - ainda bem kkk


*

[1]. Brolho: Formação protuberante que nos troncos dos vegetais, dá origem a uma brotação de ramos, folhas e flores. Pode também relacionar-se (brolho) com sexo: pau, falus. Deveria ter escrito “bugalhos”, mas eu sempre disse brolhos, que no caso do texto, vale a pena manter, por relacionar-se a um tema sexual.

domingo, 11 de outubro de 2015

Love Sick The Series, Segunda Temporada - episódio 36. ÚLTIMO capítulo. Tudo triste, como triste é todo fim, e tem ainda o melancólico, o detestável de sentir, mas indispensável de enfrentar. Noh e Phun vão comprar um churrasco, e ao lado eles vêm uma gaiola com um pássaro preso dentro. Noh "enrola" a churrasqueira de rua. Phun joga 7 e 1 nela - a embroma. Noh solta o pássaro, que custa aceitar a liberdade - cena linda. Noh e Phun correm até a escola, e ficamos percebendo que tudo tem um fim, e a liberdade é a condição humana mais indispensável. A narrativa indica que ficar junto implica em romper, e o rompimento nos leva à liberdade... Custo aceitar, mas é isso kkk que é essa lição que Noh me passa kkk.... Mas existir é também isso: nascemos sós, e assim morreremos kkk. Estou rindo, sim, rindo diante de tamanha tristeza com o fim dessa série...


Tudo tem um fim, e será mesmo esse fim o sinônimo de liberdade... Nascemos sós e assim morreremos. Eis a lição do final dessa série maravilhosa de amor, juventude, escola e a influência dos mangás nela.

É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida. (Trecho de “O mal-estar na civilização” de S. Freud; logo no começo).



sábado, 10 de outubro de 2015

love sick the series - TV - Tailândia


Thitikan Bang Rattananun - não é artista, mas uma pessoa comum.
Eleita melhor tatuagem de 2014, segundo o facebbok; dados coletados na internet.


Sentimos muitas vezes que não podemos ter tudo. Nesse mar de pessoas, porque a pessoa que me importa é apenas uma? Há muitas garotas atraentes ao me redor. Também tenho muitas chances de consegui-las. Eu acabei de apaixonando por alguém que é mais do que uma pessoa, é uma espécie de irmão pra mim. Nesse momento, um tempo com essa pessoa, qualquer tempo, é um tempo eterno. Esses meus pensamentos com ela são como um sonho que nunca se tornará realidade. Eu sempre pensei dessa forma, sempre.

[Fala introdutória do filme japonês, baseado em mangá yaoi de Keiko Konno: "Ai no kotodama"; 2008; direção de Satoshi Kaneda].
"- Porque as pessoas querem sempre bolos em momentos felizes? Não tenho certeza, talvez a vida seja um ciclo de dor e lembranças ruins. Deve ser por isso que as pessoas procuram por bolos quando estão felizes. Já que a vida é uma coisa amarga, tentamos fazer nossas alegrias serem doces".
** ** **

[Do filme coreano do sul "Venerada Padaria Oriental" ou"Antique Bakery" ou "Antique" ou em Hangul "서양골동양과자점 앤티크" ou em RR: "Seoyangkoldong Yangkwajajeom Entikeu"; 2008; direção de Min Kyu-dong].
[1] CIDADES DORMITÓRIOS são cidades que se prestam ao outro, para que ele venha trabalhar e dormir nela, e na folga retornar ao seu lar ou o que ele considera assim. Geralmente essas cidades se misturam com os subúrbios, com trânsito para a população de trabalhares até ao emprego (fábrica, indústria etc.). 
[2] Mas pode ser considerado cidade assim, aquela que se forma, geralmente, em subúrbio, em um conglomerado de casas, cujos moradores só vivem ali devido ao emprego, desejando sair, procurar outro lugar para sua moradia, ou mesmo, desejando sempre retornar ao que se chama "lar". 
[3] Esse tipo de cidade tem um sentido de efemeridade, de uma pousada - como se estivessem em um hotel, que estão ali, naquele espaço, apenas por um tempo. Por exemplo: as pessoas trabalhadoras querem morar próximo de onde irão trabalhar. 
[4] O ideal era morar perto, mas fica muito caro, ou não tem mais espaço disponível à compra ou aluguel. Em Belo Horizonte o operário trabalha numa fábrica na Cidade Industrial, e mora perto de lá, em um subúrbio ou mesmo uma cidade com transporte fácil. 
[5] Nesses subúrbios se criam nichos para a classe média, uma ou algumas ruas, e pronto, se inventa espaço para o operário intelectual... Se bem, que o bom mesmo, é morar perto de todos e de todas, sem esse diferencial classe operária, classe média. 
[6] Tem um outro sentido dessa cidade, quando ela é um lugar onde pouco passa o operário, o trabalhador, tornando esse lugar (naquele tempo) espaço apenas para dormir. 
[7] Como é estar nessas cidades-dormitórios? Como é ser-sendo aí? Como é a escola, a quem ela atende, como é seu currículo? Como é o processo de subjetividade aí construída social e historicamente? O que é esse lugar transitório e como ele é vivido? O que é estar de passagem? Existe de fato o sentido de lugar de passagem? O que é dormir e sonhar aí? O que se ensina e aprende, numa dimensão não escolar, nessas cidades? - dentre outras questões.
- Porque fechamos os olhos quando beijamos?

- Para contar lentamente quantas estrelas têm no céu da boca...

[Hiran Pinel]
" (...) toda vez que eu o traí com seus amigos, com seus comandantes do Exército, com seus alunos, com o eletricista e com o encanador, estava sempre tentando me aproximar de você por meio da traição."
[Texto de Amós Oz, do livro "A caixa-preta"].

Curtir   Comentar   

Hiran Pinel
3 h · Editado · 
"Vou celebrar tudo o que você vê em mim, e cantar, e sorrir, e não vou negar nada".
[Filme: Burning Blue; 2013; direção de DMW Greer]

Escuto diariamente o CD completo da série de TV tailandesa "Love Sick The Séries" (Original Soundtrack), e só de pensar que irá acabar na 4a temporada eu fico com estranhos sentimentos de abandono - será a idade? kkk Acho que sempre fui assim com obras de arte cuja linguagem seja cinematográfica, recordo que fiquei triste com o final do filme "Ritmo de Aventura" (BR; 1968; de Roberto Farias): uma estranha linguagem, com um Roberto Carlos insubmisso, antes nunca visto. Naquela época só podia ver no cinema, não havia DVD. 

Retomando o tema:
Escuto (co)movido Love Sick, letras lindas (algumas delas tive acesso em inglês e ou em espanhol). Falo do CD de Love Sick, cada canção me reporta ao seriado, aos personagens, a mim - todas pop, todas minhas canções... Que venha outra obra de arte pra eu me envolver, sem jamais perder o contato com o real. Ou seja: a arte de me envolver existencialmente com o fenômeno que se põe para mim, e ao mesmo tempo demando o científico distanciamento reflexivo, dois movimentos que se misturam.

Músicas:
00:01 Is This Love
03:24 แค่เท่านั้น
07:34 เสียงที่เปลี่ยน
11:35 ผ่าน
14:45 ขอร้อง
20:36 ยังทำไม่ได้
25:10 ลืมไปหรือเปล่า
29:00 สายตายาว
32:42 หากฉันตาย
36:51 อยากเก็บเธอเอาไว้ทั้งสองคน
41:11 โปรดอย่าเข้าใจฉันผิด
44:57 สั่น(SHAKE)
SE ALGUÉM VIER ME PERGUNTAR...

Devia ter meus 17 anos de idade, na flor da idade, sonhador e com projeto de ser alguém na vida, e nem sei se ainda o sou kkk. Estava em Manhumirim, MG., e na minha completa e sentida solidão, e mal acomodado, fui assistir à película "Em Ritmo de Aventura" (BRASIL, 1968, de Roberto Farias). Entrei no Cine São Caetano, estava muito tímido (como sempre), e como dizia a canção dos Rolling Stones, nunca conseguindo satisfazer-me. Era um jovem triste-triste, carecendo de uma oração kkk. Tudo fica escuro - meu coração acelera. Começou o filme, e eu gostando, entrando na fantasia. Mas, lá pelas tantas, uma cena: em cima de um edifício paulista (depois descobri ser o Itália, o mais alto da época), o cantor, e agora ator bissexto Roberto Carlos, é antecedido por um ator profissional, Reginaldo Farias. Reginaldo fazia um cover do filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (BRASIL, 1964, de Glauber Rocha) que eu tinha assistido estupefato. Ele grita rodopiando: "Mais fortes são os poderes do povo!" Meu corpo-terra tremeu. Algo me tomou na hora, de total emoção, de um sentimento poderoso de que algo precisava mudar, tanto numa dimensão social, como na psicológica, e aqui destaco a minha vidinha de merda kkk. "Mais fortes são os poderes do povo", e o Rei, cercado de lindas garotas hippies, selecionadas nacionalmente por uma revista de TV, começa a cantar a música "Quando", acompanhado de sua banda RC-7. Ele vestido com uma capa preta, com gola imensa, da cor vermelha, o resto tudo nessa cor, a preta. Os cabelos esticados do nobre jovem da guarda com algum henê Rená. Ele era uma beleza, cara do nosso país, naquele tempo, naquele espaço, naquela obra. Era um bebê ninando o povo, devido sua altíssima popularidade, fazendo o jogo kkk. Meus olhos não suportaram tamanha beleza e esplendor - os lábios do rei eram compatíveis com os meus, jovens - mas ele já crescido, e eu carecendo de aprender e desenvolver, e começava ali o existir de um sonha(dor). Tudo fazia sentido naquela narrativa quase-infantil do filme, donde o protagonista conversava com o diretor e o público, dentro da própria obra de arte. As minhas lágrimas, dessa vez, faziam uma função diferenciada: limpavam minha consciência psicossocial, mas ainda assim "se alguém vier me perguntar, nem mesmo sei que vou falar".
Acho que é assim o viver: trazer a lume aquilo que nos marcou.

[Hiran Pinel]
A EXPERIÊNCIA DE TER SIDO GAY NA ESCOLA PÚBLICA FUNDAMENTAL

Hiran Pinel

INTRODUÇÃO
No "6º Seminário Estadual de Educação e Diversidade Sexual: Capixabas pela Diversidade" que aconteceu em Vitória, ES, no dia 08 out 2015, apresentei um tema de pesquisa inserido na linha maior denominada de "Diversidade e Práticas Educacionais Inclusivas".  De vezes enquanto eu produzo bons encontros também fora da educação especial inclusiva, indo para a pedagogia social, como é o caso desse tema. 

Perguntei no facebook: "- Quem dos meus amigos-faces aceitam fazer uma pequena narrativa sobre o que foi ter sido gay na escola fundamental?" Ou seja, meu interesse foi pelo passado que deve estar vivo no presente. No caso o passado é o de "ter sido gay", em um período escolar que abarca o ser criança e pré-adolescente dos alunos, e que ao ser narrado implica na sua presença no hoje, e mais com implicações futuras. 

Recebi inúmeras respostas que, na maioria das vezes, eram gozações da minha questão - o facebook tem dessas coisas. Por isso trabalhei apenas com 3 pequenas narrativas de três amigos-faces que não conhecia presencialmente, nem mesmo o de Vitória, ES: [1] médico, de Vitória, ES; [2] professor universitário, com doutorado em Biologia, de Brasília; [3] pedagogo, que trabalha com educação infantil, "de algum interior do Brasil" (não quis dizer o lugar). 


RESULTADOS
Nos resultados produzimos uma análise hermenêutica móvel. Numa hermenêutica em movimentos complexos e não-fixos, e que nos evocam os discursos experienciais, podemos indicar, por ora, três momentos em processo e inconclusos sempre: 

1º - Escola que não problematiza a sexualidade: A escola sendo capturada como aquela que não problematiza a sexualidade dos sujeitos gays (e dos outros sujeitos), nem mesmo a vida, pois nela separa-se o conteúdo a ser ensinado com a própria existência; 

A escola que produz existência à revelia do instituído: A escola que indica sim ter produção de existência, mas acontecendo essa criação à revelia do instituído, escondendo e tentando apagar os movimentos dos alunos gays, os negados, os silenciados, os rechaçados; 

A escola que mostra sua potência junto aos gays: A escola como potência se desvela, especialmente quando detectamos que ela se inventa através de duas professoras quando apoiam e criam grupos de “viados”, que embora durassem pouco, apontam para a criação de novos movimentos produzidos, em que professores e alunos se sintam felizes e apoiados uns com os outros, em um movimento provocativo e facilitador da aprendizagem dos conteúdos escolares.


DISCUSSÕES
Nas discussões constatamos, dentre outros que, se por um lado há sofrimento por ter sido gay na escola fundamental, por outro, há práticas escolares (planejadas ou não) de alegria, resistência, saindo à lume sentimentos de resiliência. Interessante: as práticas escolares positivas apareceram não apenas dos sujeitos mesmos (pedagogos, professores etc.), mas da escola e de seus profissionais que criaram (na época) micro-intervenções insubmissas, nem sempre registradas - mania de nós, os pedagogos. 

Destacamos que o tema na época não era tão exposto ou seja, não era discutido socialmente - não se falava dos direitos, havia uma visão de coitadinho que se tinha do gay, ou o ódio camuflado e assassino etc. 

IMPLICAÇÕES CONTEMPORÂNEAS
Hoje as práticas escolares precisam aparecer, mas tais planos devem emergir dentro do atual clima é mais belicoso que vivemos, indispensável se, se deseja direitos. Esse enfrentamento acontece devido ser uma ação dentro de um movimento social nacional, e até internacional, de cunho mais político, que atrai amores e ódios, ou os dois sentimentos juntos. Mas o bom é o real ou o que isso significa -, o vital é a luta, é o respirar enquanto há oxigênio. O passado desses três sujeitos - e que hoje são bem-sucedidos profissionalmente - nos leva a refletir o quão é importante que implantemos projetos escolares concretos, dentro do contexto brasileiro de guerreamento, e que façamos pela via da criticidade indissociada ao prazeroso, e mais, que registremos e socializemos tais experienciações. Como dizem as gays, é urgente "mona, coloca a cara no sol!".


REFERÊNCIA BÁSICA
PINEL, Hiran. A EXPERIÊNCIA DE SER (SENDO) GAY MASCULINO NA ESCOLA: POR UMA PEDAGOGIA DOS DIREITOS HUMANOS. p. 197-216. 

Desejando ler o livro já publicado na internet, é só entrar no google e digitar o título do  

Livro - Currículo, Gêneros e Sexualidades experiências misturadas e compatilhadas.e os organizadores 


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

No filme “Ilha do Medo” (de Scorsese) e "Clube da Luta" (de Fincher), os personagens protagonistas se sentem tão culpados, mas tanto, que inventam para si uma outra realidade (esconde-se do real). O personagem esconde de si mesmo o dito real concreto, se é que apenas isso seja real. O sujeito faz isso nesse mundo-esconderijo. Ele esconde de si algo que lhe causa muita dor, muita. Inventa uma fantasia – ele delira o real, criando um outro real, uma alucinação, mas que para os espectadores (dos filmes) lhes parece real - e é real para o sujeito do mecanismo de defesa exagerado, e quem dirá que não? É bom recordar que o fenômeno não se passa ou acontece na consciência. 
Phu (de Hormones...) está dividido no amor-sexual entre seu amigo Thee, e a menina mais linda da escola, Toei. Entra em colapso psíquico. Então vem a cena inapagável: ele, ainda de short, pula na piscina da sua casa, e mergulha em um mundo só seu, particular - tenta fugir do real. O ator Chutavuth (Phu) gira dentro das águas límpidas como se estivesse no útero materno - flutuando dentro da própria água -, livre e ao mesmo tempo carecendo de tudo, de tudo, inclusive de afeto. É desolador sentir-se dividido quando sabemos, de que na realidade, tudo é possível, todas as alternativas ou nenhuma delas - não há cisão, tudo está indissociado nessa dimensão seja que escolha fizer, inclusive as que não fizer. Entre os dois amores, ao final, Phu poderá ficar com os dois, e se assim o fizer, eu lhe direi: Sábio Phu, dá-lhe garoto! Já eu, bem, não pude ser tão inteligente assim kkk.


"Eu Estou Aqui" (CHINA; "我就是我", 2014; direção de Fan Lixin) é um filme documentário, descrevendo e narrando um programa cópia do The Voice só para os boys, chamado "Happy Boys" concurso de canto organizado e produzido pela Hunan TV. Mostra os sonhos de fama dos jovens chineses, o mesmo sonho burguês, do estrelato e dinheiro, com mansões, por ex. Interessante, e não me assusta a fabricação dos ídolos de lá da China Popular - e não a parte Continental. Porque não me assusta? Por que tiveram Mao Tsé Tung - que guardando muitas diferenças, foi uma estrela fabricada, como elas são sempre (todas, e em todas as esferas), a não ser as que estão no céu kkk mas a nomeação o é kkk O documentário manipula direitinho, estilo cinema Ocidental, com cenas de praias, músicas deprimidas, meninos pobres de escolas púbicas (precisam de ver o rigor das escolas, cada carteira individual com livros até em cima - na capital), meninos sem camisa e insinuação de nudez (direto isso kkk) e que se transformam com um banho de loja, maquiagem, corte de cabelo, a competição quase sanguinária, humilhações para cantarem melhor, consumismo desenfreado, os vencedores, os perdedores... e o vencedor ajoelhado agradecendo aos céus (Buda) pela vitória, e as meninas (fãs) desesperadas, gritando e algumas desmaiando diante do bofinho. Ao final, o vencedor afirma: "sim, serei famoso, rico e feliz". A cena congela. Surge, enfim, um rosto humanamente triste de um adolescente ávido de ser amado por muitos, como são quase todos os artistas populares, quase todos os não populares como nós kkk. Felicidade é o que o bofinho de voz potente deseja, pouco né? Será pouco? Ser feliz. Bobagem, isso é um tema secundário para o vencedor. Enfim, nasce uma estrela.

NOTA: Segundo meu entendimento, pois o vi sem legendas em português.