COISIFICAÇÃO DA PESSOA HUMANA*
VIDA COMO OBRA DE ARTE
Esse blog é totalmente experimental, um rascunho, inclusive com erros de português etc. É para informar - especialmente para meus alunos, orientandos, dentre outros interessados. Coloco imagens para provocar o dia-a-dia; fotos de artistas; textos pré literários; esboços de: resumos de artigos científicos, ensaios, paper's, críticas de cinema e outras artes, produção artística em geral - dentre outros. No mais penso que a a vida é obra de arte, bela e frágil, inconclusa, incompleta - devir.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
- A centralidade da existência: A existência precede a essência. O estudante com deficiência ou em sofrimento psíquico não é definido por um diagnóstico, mas por suas escolhas e vivências.
- Angústia e escolha: Reconhecer que o adoecimento e a diferença geram angústia, e que a professora-pesquisadora deve aprender a acolher essa angústia em vez de tentar apenas silenciá-la com técnicas.
- Alteridade radical: O encontro com o "Outro" (o aluno da educação especial, o paciente) como um sujeito inteiro, livre e singular, e não como um objeto de estudo ou intervenção.
- Relação Eu-Tu: Baseada no diálogo autêntico (inspirado em Martin Buber), onde a professora se coloca presente por inteiro no processo pedagógico.
- Mediação sem imposição: Criar espaços para que o estudante da educação especial exerça sua autonomia e faça suas próprias escolhas pedagógicas e de vida.
- Recusa ao reducionismo: Combater a tendência de enxergar o aluno apenas pelo viés da patologia ou do CID (Classificação Internacional de Doenças).
- Abordagem fenomenológica: A pesquisa foca no sentido que as pessoas dão às suas experiências. O método busca descrever os fenômenos educacionais e de saúde como eles se manifestam na realidade.
- Pesquisa implicada: A pesquisadora não se posiciona como um observador neutro ou distante. Ela reconhece sua subjetividade e seu impacto ético e político no campo de estudo.
- Voz aos sujeitos: Privilegiar metodologias que deem protagonismo aos participantes, como histórias de vida, narrativas e cartografias.
[ Formação Existencialista ]
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[ Educação Especial ] [ Campo da Saúde ]
- Subjetividade além do diagnóstico. - Cuidado humanizado e integral.
- Autonomia e escolha do sujeito. - Sofrimento visto como existencial.
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[ Prática da Professora-Pesquisadora ]
- Despatologização do cotidiano escolar.
- Ética do acolhimento e da presença.
- Despatologização: Questionar o excesso de medicalização na infância e na aprendizagem, compreendendo as crises e dificuldades também sob uma ótica existencial e social.
- Integralidade do cuidado: Entender que a saúde e a educação caminham juntas na promoção de uma vida com sentido para sujeitos historicamente marginalizados.
- Ética do acolhimento: Substituir a mera busca por "eficiência e reabilitação" por uma prática de cuidado que respeite o tempo, os limites e as potencialidades de cada indivíduo
- FONTE: GEMINI GOOGLE - CONFIRMEI DADOS E INTERFERI
MÉTODO
FENOMENOLÓGICO PÓS-HUSSEL
O método
fenomenológico pós-Husserl marca a virada da fenomenologia trascendental
para a fenomenologia hermenêutica e existencial. A ruptura central
ocorreu quando pensadores como Martin Heidegger, Maurice Merleau-Ponty,
Jean-Paul Sartre e Paul Ricœur questionaram a viabilidade da epoché husserliana
— a suspensão neutra dos juízos e do mundo externo para alcançar um "eu
puro" ou a essência da consciência.
1. O Abandono da
Epoché e a Virada Hermenêutica
Para Husserl, a epoché buscava
colocar o mundo "entre parênteses" para analisar as estruturas
constitutivas da consciência (noesis-noema). Os pós-husserlianos entenderam que
tal neutralidade absoluta (da epoché) é uma ilusão metodológica:
- Inseparabilidade do Mundo (Dasein): Heidegger argumenta que o
ser humano é ser-no-mundo (In-der-Welt-sein). Não há uma consciência pura
observando o mundo de fora; já estamos lançados em uma rede de
significados, cultura, linguagem e história.
- Impossibilidade da Neutralidade: Como não é possível
"desligar" o próprio ser para analisar o objeto, a tentativa de
fazer uma epoché purificadora é abandonada em prol da explicitação das pré-compreensões.
- Da Descrição à Interpretação: A tarefa da fenomenologia
deixa de ser a descrição pura das essências e passa a ser a compreensão
interpretativa (hermenêutica) do sentido da existência concreta.
O círculo hermenêutico na fenomenologia pós-Husserl. Fonte: SciELO
2. A Identidade do
Método Fenomenológico Pós-Husserliano
Após o abandono da epoquê husserliana
tradicional, a fenomenologia assume uma identidade hermenêutico-existencial
e encarnada. Ela se firma não como uma busca por verdades estáticas, mas
como um rigoroso método de explicitação dos sentidos da experiência vivida
(Lebenswelt).
As Quatro Mutações
Fundamentais da Identidade Metodológica
|
Dimensão |
Fenomenologia Husserliana (Trascendental) |
Fenomenologia Pós-Husserliana (Hermenêutica/Existencial) |
|
Foco de Análise |
Consciência
intencional e ego trascendental. |
Existência
concreta, corporeidade e ser-no-mundo. |
|
Postura do
Pesquisador |
Observador neutro
que aplica a epoché. |
Sujeito implicado
que reconhece sua historicidade. |
|
Operação
Principal |
Descrição e
redução eidética (de essências). |
Interpretação
hermenêutica e analítica existencial. |
|
Horizonte |
Validade
universal das estruturas da consciência. |
Historicidade,
finitude, linguagem e contexto da vivência. |
3. O Método como
Investigação Científica Qualitativa
Nas ciências humanas e da saúde
contemporâneas (como Psicologia, Enfermagem e Educação), o método
fenomenológico pós-husserliano consolidou-se através de procedimentos
qualitativos rigorosos:
1. Acolhimento da
Pré-compreensão: O pesquisador não finge neutralidade. Ele explicita suas premissas
teóricas e existenciais antes e durante a investigação, integrando-as
criticamente ao processo.
2. Círculo
Hermenêutico: Movimento dialético entre a totalidade do texto/relato e suas partes. A
interpretação avança conforme o pesquisador confronta sua pré-compreensão com
os dados da experiência do participante.
3. Analítica do Mundo
da Vida (Lebenswelt): Investigação focalizada nas dimensões da existência concreta:
o Linguagem e
Narrativa: A análise do discurso como espaço de revelação do sentido (Gadamer,
Ricœur).
o Corporeidade (Lived
Body): O corpo próprio como mediação primária de percepção e ação no mundo
(Merleau-Ponty).
o Temporalidade e
Spatialidade Existenciais: Como o tempo vivido e o espaço afetam a
experiência do fenômeno estudado.
Em suma, a identidade desse método
científico não se sustenta no isolamento do fenômeno em laboratório ou sob o
olhar de um espectador descompromissado, mas na compreensão interpretativa
da experiência vivida em seu horizonte histórico e existencial.
**
Os
pensadores que se seguiram a Husserl não descartaram a fenomenologia, mas
redefiniram seus fundamentos ao apontar que a epoché (a suspensão do
julgamento sobre o mundo externo para acessar a consciência pura) dependia de
uma premissa irreal: a possibilidade de separar o sujeito do mundo que ele
habita.
Abaixo
estão as críticas centrais feitas por Martin Heidegger, Maurice Merleau-Ponty e
Jean-Paul Sartre.
1. Martin Heidegger: A Impossibilidade da Distância
e a Primazia do Dasein
Heidegger
altera o eixo da fenomenologia da epistemologia (como conhecemos) para a
ontologia (como somos). Sua crítica à epoché estrutura-se em dois
pontos principais:
- O Ser-no-Mundo (In-der-Welt-sein): Para Heidegger, a
consciência não é uma entidade isolada que observa o mundo de fora. O ser
humano (Dasein) já está, desde sempre, "lançado" em uma
teia de relações, práticas, cultura e linguagem. Colocar o mundo
"entre parênteses" pressupõe que podemos nos desligar dessa
teia, o que é uma ilusão.
- A Ante-Estrutura da
Compreensão (Vor-struktur): Toda interpretação da realidade parte de pré-compreensões
históricas e existenciais. Em vez de tentar eliminar ou suspender esses
pressupostos por meio da epoché, a tarefa da fenomenologia (agora
hermenêutica) é explicitá-los e interpretá-los.
2. Maurice Merleau-Ponty: A Incompledeza da Redução
e o Corpo Próprio
Merleau-Ponty
dedica o prefácio da Fenomenologia da Percepção a reavaliar a redução
husserliana. Ele imortalizou essa crítica com a célebre frase: "O maior
ensinamento da redução é a impossibilidade de uma redução completa."
- O Corpo Encarnado (Corps
Propre):
Merleau-Ponty argumenta que não percebemos o mundo com uma mente pura, mas
com e através de um corpo biológico, histórico e situado. Como a nossa
própria percepção é fruto dessa ancoragem corporal no mundo, é impossível
"suspender" a presença do mundo sem suspender o próprio sujeito
da percepção.
- A Epoché como
Revelação, Não como Desconexão: Para Merleau-Ponty, o verdadeiro papel da
redução não é nos afastar do mundo para encontrar essências puras, mas
romper momentaneamente com a nossa atitude irrefletida (atitude natural)
apenas para nos fazer admirar e reconhecer o quanto já estamos
visceralmente enraizados na realidade.
3. Jean-Paul Sartre: A Consciência Desprovida de
"Eu Puro"
Sartre,
em A Transcendência do Ego e O Ser e o Nada, aceita a
intencionalidade husserliana ("toda consciência é consciência de
algo"), mas rejeita veementemente o resultado que Husserl buscava com a epoché:
o Ego Trascendental (o "Eu puro").
- O Ego está no Mundo, Não na
Consciência:
Sartre sustenta que a epoché husserliana cometeu o erro de colocar
um "Eu" dentro da consciência purificada. Para Sartre, a
consciência reflexiva pura é um "nada" — uma abertura esvaziada
—, e o "Eu" é apenas um objeto como qualquer outro, construído no
próprio mundo e através da ação no tempo.
- Radicalidade do Engajamento: Para Sartre, tentar
suspender a tese do mundo para alcançar uma esfera pura e contemplativa é
uma tentativa de fugir da contingência e da responsabilidade da ação
concreta (o que ele mais tarde relacionaria à "má-fé"). A
existência precede a essência; portanto, não há essências puras a serem
contempladas no isolamento da epoché.
Quadro Comparativo das Objeções
|
Filósofo |
Objeção Principal à Epoché |
Conceito Chave de Substituição |
|
Martin Heidegger |
O sujeito não pode se desligar
da rede de significados em que já está lançado. |
Dasein (Ser-no-mundo) e Hermenêutica. |
|
Maurice Merleau-Ponty |
A percepção é encarnada; o
corpo não pode suspender o mundo do qual faz parte. |
Corpo Próprio e Incompletude da
Redução. |
|
Jean-Paul Sartre |
Não existe um "Ego
puro" por trás da consciência para onde recuar. |
Consciência Transparente e
Existência Situada. |
sábado, 29 de agosto de 2026
"TRANSCRIAÇÃO EMPÁTICA"
A “transcriação empática”
como dispositivo para descrição e análise de um relato de “experiência vivida”
como parte da pesquisa fenomenológica e ou fenomenológico-existencial
Hiran Pinel[1]
A transcriação na história oral, conceito
introduzido pelo historiador brasileiro José Carlos Sebe Bom Meihy, que
é fundador do Núcleo de Estudos em História Oral da USP, é o processo
criativo de transformar a fala gravada de um entrevistado em um texto escrito,
indo além da simples transcrição literal. A transcriação recebe uma crítica,
pontuando a subjetividade do fenômeno, como se não houvesse interiorioridade no
humano como ser-no-mundo, e que tal ato afastaria o texto da fala (ou escrita
fluída emocional) original do documento histórico. Por outro lado, há uma
defesa desse “ser-si-mesmo-interiorano” (vidas afetiva, cognitiva e
comportamental) onde podemos comprovar de que a história oral trabalha com a
memória, a atenção, a emoção, os gestos e o afeto que afeta, e que lidar com
esses fenômenos exige do cientista um ato interpretativo e criativo para
traduzir a experiência vivida, a humana, com dignidade e alcance estético.
A ideia de uma "transcriação empática"
faz uma inventiva parceria entre a metodologia da História Oral (de Meihy) e o
rigor da pesquisa fenomenológica que (pró)cura a “essência” (“essência
existencializada”, efêmera, pois) da experiência vivida.
Na fenomenologia, o seu objetivo não é apenas
relatar fatos, mas capturar o modo como a pessoa sentiu, percebeu e significou
aquele momento experienciado.
A "transcriação empática" é o
processo científico de traduzir a fala (ou escrita livre) do colaborador da
pesquisa para o texto escrito (in)formal, priorizando a ressonância afetiva, os
silêncios e a atmosfera emocional da experiência – o dito, o não-dito trazidos
à lume. Não se trata de inventar algo, mas de usar a sensibilidade literária
para que o leitor consiga sentir a experiência do outro.
Como definir a "transcriação empática"? A
prática da pesquisa de Pinel (1999) age, pelo envolvimento existencial e
distanciamento reflexivo, focando no "mundo da vida" (Lebenswelt)
do ser humano como “ser-no-mundo”, em estado de “projeto de ser”, evocando
“sentido da vida”. O texto transcriado não busca a precisão gramatical pura,
mas a fidelidade ao impacto emocional que o fenômeno teve na vida do sujeito.
Nesse sentido, a coautoria é hiper-sensível, cuidadosa e delicada, pois o
pesquisador, em uma atitude de envolvimento existencial, “se abre” a um papel
encarnado (logo, não é uma representação) de um "tradutor do âmago de
outro”, do ato sentido dele-ser-si-mesmo como ser-no-mundo. O investigador
fenomenológico recorre trazendo o relato de uma experiência de um outro alguém,
geralmente da sua própria seara, e de conhecimento mais aproximado do
pesquisador – assim o sujeito da pesquisa pode ser uma pessoa amiga, por
exemplo. Esse momento implica em trazer mais (e mais) textos para os ruídos da
fala, preservando (e acentuando) o tom, o ritmo e a carga dramática do dito e
do desdito e o não dito. Finalmente, chega-se a uma “validação intersubjetiva”
do relato de uma “experiência vivida”. Aqui-agora, o entrevistado
acaba se reconhecendo, não apenas nas palavras que disse, mas no sentimento (e
ação comportamental) como ser-no-mundo. Um algo de si (na Outridade) que
desejava expressar.
Como aplicar isso na prática da sua pesquisa? A
validade científica se destaca quando o pesquisador (pró)cura estruturar o
processo em quatro passos: 1. Escuta (empática) a fenomenológica (a coleta
indissociada da produção dos dados); 2. A textualização afetiva (o ato
artístico-científico de lapidar-desvelando) modos de ser-no-mundo); 3. A "transcrição
empática" da fala oral e o oral-escrito do afeto que afeta (o poético
aparece, afinal, somos poetas); 4. A validação, perguntamos ao final, à pessoa
que colaborou com a pesquisa: "Ao ler este texto, você sente que ele
expressa a verdade daquilo que você viveu?".
Há algum cuidado metodológico que você deve ter?
Toda pesquisa fenomenológica exige a “epoché relativa” (ler Maurice
Merleau-Ponty no livro “Fenomenologia da Percepção”; Yolanda Cintrão Forguieri
em “Psicologia Fenomenológica” e em “Aconselhamento Terapêutico”, que colabora
com o conceito de “envolvimento existencial”; Heidegger também
transcende ao conceito husserliano de epoché).
Na "transcriação empática", o
risco é a própria voz do cientista abafar a voz do entrevistado – por isso o
compromisso e a ética são indissociais, e nisso a Educação Especial numa
perspectiva nos ensina muito. A inclusão é uma efetiva e concreta postura ética.
Um limite é que a empatia significa conectar-se com o sentimento do outro, e
não projetar os seus sentimentos no relato dele – é um estado de ser-com. O
texto deve ser o espelho da experiência dele (dessa Alteridade de ser),
refinado pela sua própria sensibilidade de cientista fenomenológico-existencial
na compreensão do outro. Compreender é “com+preender”; aprender (ou apreender)
como-o-outro acerva dele mesmo, mas sob “minha percepção”, percepção do
cientista fenomenológico-existencial ou fenomenológico.
O método fenomenológico (puro) e o método
fenomenológico-existencial está no foco filosófico e na forma como compreendem
a relação entre o ser humano, o outro, os outros, as coisas – no/do mundo:
enquanto o primeiro busca descrever as “essências puras da consciência” (com
base em Edmund Husserl), o segundo enfatiza a “experiência vivida” e o “sentido
da existência concreta” de um ser inserido no mundo (com base também em Martin
Heidegger, Jean-Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty), ser-no-mundo.
A “transcriação empática”, inspirando-se em
Forghieri (2001; 2007) impõe duas atitudes fenomenológicas indissociadas o
“envolvimento existencial” (predominante, tem momento), e “distanciamento
reflexivo” (tem momento que predominada). Os dois movimentos acontecem
paralelamente, mas com energias e potências diferencias.
Na “transcrição empática” o pesquisador fica
atentivo ao o ”que é” e ao “como é” ser-no-mundo, descrevendo a “experiência
vivida” (tema do método fenomenológico), sem preocupar-se com hipótese
(ainda que possa fazê-lo como em Simone de Beauvoir, in Lemos, 2023; e Virgínia
Moreira, 2004), sem pretender levantar uma tese, já que o leitor possa fazê-lo
(ainda que Petrelli, 2000 - recomende fazer e como).
Propomos, com
esse tipo de “transcriação empática”, algo que nos (co)move a discutir esses
dados, em uma análise existencial-fenomenológica no sujeito real e concreto,
ser-no-mundo que é, da Educação (Especial) Inclusiva e Saúde (Hospitalar, Domiciliar,
Escolar). Nossa disposição aí-aqui-agora não é descrever “a” essência, quando
muito, uma “essência existencializada”, efêmera, inclusiva, sempre em fazimento
“modos de ser ser-sendo si-mesmo com o outro no mundo”. Descrevemos cientificamente
o significado da “experiência vivida”, sem nenhuma pretensão à uma neutralidade
positivista, que tem seu valor em outras metodologias como a experimental
médica, por exemplo. Nossa proposta é uma oposição, um texto provocativo e
sensível ao humano.
Uma pesquisa que estuda a
experiência vivida focando nos significados em vez de aplicar a epoché
estrita (o isolamento/suspensão dos pressupostos) afasta-se da fenomenologia
transcendental clássica (Husserl) e alinha-se à fenomenologia hermenêutica, por
exemplo. A importância dessa abordagem está em entender que a experiência
humana não ocorre em um vácuo, mas é sempre interpretada, ser-no-mundo que
somos.
Eis as características dessas perspectivas,
sempre mais do que uma: 1- A REALIDADE: esse método, reconhece o cientista fenomenológico-existencial
como parte do processo – ele integra o vivido no momento da produção (e coleta)
de dados; o método integra as vivências do pesquisador na análise (e produção dos
dados); enriquece a interpretação (ou analítica fenomenológico-existencial); tem
uma postura mundana, de um ser humano envolvido com esse mundo real e concreto,
e então emerge uma forte oposição, que para nós é uma ilusão, a de que há “neutralidade
absoluta” (que não existe, nesse método). 2. A SOCIEDADE, CULTURA E HISTÓRIA: considera
o contexto cultural (social e histórico) do sujeito que colabora com nossa
pesquisa; valoriza o momento histórico da vivência – mesmo o passado e o sonho
com um futuro, ocorre no aqui-e-agora; compreende que o sentido (da vida) e o significado
muda com o tempo, em espaços diferenciados; considera, como algo potente, a
bagarem intersubjetiva (psicossocial) das pessoas. 3. A HERMENÊUTICA: destaca
como as pessoas narram suas vidas; analisa as metáforas (e outras
literaturalizações) usadas pelos participantes da pesquisa; assume que
compreender já é interpretar; busca o sentido oculto no discurso textual; 4.
IMPLICAÇÕES PARA A VIDA COTIDIANA: facilita estudos em áreas como saúde e
educação (especial) na saúde e nesse complexo âmbito, como o das Classes Hospitalares,
e atendimentos educacionais em ambientes domiciliares, seara do Grufei; gera
insights acionáveis para intervenções sociais, psicossociais, educacionais
pedagógicas, pedagógico-sociais etc.; conecta a teoria diretamente à prática
cotidiana; pode evocar potentes empatias pelas histórias narradas e pontuadas
em seus contextos em uma ligação do ser com o mundo, ser-no-mundo.
[1] A produção desse
texto científico deu-se entre 1999-2000, quando eu era aluno doutorado em
Psicologia pela Universidade de São Paulo. Encontrei esse texto hoje: Vitória,
ES.: 29 de agosto de 2026.