quinta-feira, 20 de agosto de 2026

 A psicologia fenomenológica de Yolanda Cintrão Forghieri é uma abordagem humanista e existencial que busca compreender o ser humano por meio de sua experiência vivida. Em sua obra clássica, como no livro Psicologia Fenomenológica, a autora propõe que o psicólogo acolha o cliente sem julgamentos, focando em como ele percebe e significa o próprio mundo. [1, 2, 3, 4]

Fundamentos Principais
  • Experiência Vivida: O foco central é a vivência subjetiva do indivíduo, valorizando o que ele sente e percebe no momento.
  • Visão Totalizadora: Rejeita ideias que dividem o ser humano, vendo corpo, mente e mundo como uma só realidade.
  • Diálogo Existencial: Inspira-se em grandes pensadores da filosofia e do existencialismo para promover o cuidado humanizado. [1, 2, 3]
  • Rejeita a epoché e cita Merleau-Ponty: que percebe o ser humano como concreto e real, encarnado, atolado na realidade. A epoché apresenta limites, e nunca é total
O Papel do Psicólogo e o Método
  • Compreensão e Não Explicação: O objetivo não é classificar ou achar causas ocultas, mas descrever o fenômeno como ele se apresenta à consciência. [1, 2]
  • Acompanhamento Empático: O profissional atua como um facilitador para que a pessoa perceba seus próprios potenciais e caminhos de mudança. [1]
  • Postura de Cuidado: Valoriza a relação genuína de respeito e afeto para atenuar o sofrimento psíquico.

 Para Maurice Merleau-Ponty, a épokhe (epoché; ou redução fenomenológica) não é a negação ou a eliminação radical do mundo, mas uma suspensão das nossas crenças teóricas e científicas para retornar ao contato direto e pré-reflexivo com o "mundo vivido" (Lebenswelt), revelando nossa inerência originária no mundo. [1, 2]

Não, ela não pode ser total. Na célebre formulação da Fenomenologia da Percepção, o filósofo afirma que o maior ensinamento da redução é a impossibilidade de uma redução completa. Como somos "seres-no-mundo" corpóreos, opacos a nós mesmos e situados, jamais conseguimos nos colocar em uma posição de pura transparência ou fora do mundo para contemplá-lo de maneira absoluta. [1, 2, 3, 4]

O Sentido da Épokhe em Merleau-Ponty
  • Retorno ao Imediato: Suspende-se o saber objetivo e causal para descrever o campo fenomenal tal como ele é vivido antes de qualquer conceituação. [1, 2]
  • Crítica ao Intelectualismo: Diferente de uma consciência pura que constrói o real, a consciência aqui é encarnada; o corpo próprio é o veículo do nosso estar no mundo. [1, 2, 3, 4]
  • Finitude do Sujeito: O sujeito percebente é sempre situado em um espaço, um tempo e uma história específicos, o que impede qualquer ponto de vista onisciente ou desvinculado. [1]
Por que ela não pode ser total?
  • Opacidade do Corpo-Sujeito: Nosso corpo não é transparente para a consciência; ele carrega hábitos, afetos e uma raiz carnal irredutível ao puro pensamento. [1, 2, 3]
  • Início no Mundo: Já estamos sempre comprometidos com o mundo antes de qualquer reflexão; a própria tentativa de suspender o mundo usa as coordenadas da nossa experiência mundana. [1]
  • Reconhecimento da Finitude: O ensinamento radical da redução é justamente revelar que nosso vínculo com o mundo é indissolúvel, tornando a clareza absoluta e total uma ilusão filosófica. [1, 2]

SARTRE: EPOCHÉ, MÉTODOS DE PESQUISA EM "O SER E NADA" E EM "CRÍTICA DA RAZÃO DIALÉTICA" 

Como Sartre entende a epoché de Husserl? Qual o método de Sartre quando escreveu Ser e Nada? Qual o método dele quando escreveu Crítica da Razão Dialética?

Jean-Paul Sartre aceita a intencionalidade da consciência de Edmund Husserl, mas recusa radicalmente a virada transcendental que coloca o Ego como estrutura habitante da consciência. Essa divergência reconfigura a epoché e delimita a transição metodológica de sua obra.

A Reinterpretação Sartriana da Epoché

Para Husserl, a epoché (suspensão do juízo da atitude natural) conduz à redução transcendental, revelando um Ego Transcendental que constitui o mundo. Sartre, em A Transcendência do Ego (1936), rejeita essa ideia:

  • Consciência Impessoal e Translúcida: A epoché deve revelar a consciência pura como um nada de ser, sem "conteúdos" e sem um Ego interno. O Ego não é sujeito, mas um objeto no mundo, constituído pela própria consciência reflexiva.

  • Recusa do Idealismo: Ao suspender a tese do mundo, Husserl teria recaído no idealismo. Para Sartre, a epoché deve apenas descrever a intencionalidade: a consciência é sempre consciência de algo distinto de si. O mundo permanece real, opaco e exterior.

O Método em O Ser e o Nada (1943): Fenomenologia Ontológica

Sartre combina a descrição fenomenológica com uma investigação ontológica sobre as estruturas da realidade.

  • Ponto de Partida Descritivo: Analisa a experiência concreta (como a má-fé, o olhar do Outro e a vergonha) para extrair as estruturas constitutivas do ser.

  • Dualismo Ontológico: Revela as estruturas do Em-si (ser pleno, opaco e contingente) e do Para-si (consciência, nada, liberdade e temporalidade).

  • Fenomenologia do Nada: Ao contrário da ontologia clássica, o nada não é mera abstração lógica, mas introduzido no mundo pela ação do Para-si via "nadação" (néantisation).

O Método na Crítica da Razão Dialética (1960): Método Progressivo-Regressivo

Para integrar o existencialismo ao marxismo, Sartre desenvolve o método progressivo-regressivo, buscando articular a singularidade do indivíduo às determinações socio-históricas de classe.

EtapaFocoAção Metodológica
RegressivaAnálise Histórica e MaterialRecua da práxis individual para as condições materiais, contradições de classe e estruturas sociais preexistentes que condicionam o sujeito.
ProgressivaSíntese e PráxisAvança da condição dada para a ação concreta, examinando como o indivíduo supera suas determinações por meio do projeto e cria novas realidades (alienação, prático-inerte ou grupo em fusão).

Enquanto O Ser e o Nada analisa a liberdade ontológica do indivíduo em um campo fenomenológico, a Crítica analisa a liberdade situada dentro da escassez e da história concreta.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 Friedrich Nietzsche e Jean-Paul Sartre são pilares fundamentais do existencialismo.

Enquanto Nietzsche é visto como um "pré-existencialista" que diagnosticou a morte de Deus e o niilismo, Sartre consolidou o movimento no século XX, defendendo a liberdade radical e a ausência de um propósito universal pré-determinado.
A conexão entre ambos se dá pela forma como encaram a responsabilidade sobre quem nos tornamos:
A Existência Precede a Essência: Sartre popularizou a ideia de que o ser humano primeiro existe e, só depois, define quem ele é através de suas escolhas. Não nascemos com um propósito ou natureza fixa.
A Morte de Deus e a Criação de Valores: Nietzsche antecipou Sartre ao declarar a "morte de Deus", alertando que a humanidade perdera a base absoluta para a moralidade. Diante disso, ele propôs que o indivíduo deve superar o niilismo e criar seus próprios valores (uma postura que se reflete na autonomia sartriana).
Angústia e Liberdade: Ambos reconhecem o peso de viver de forma autêntica. Sartre afirmou que o homem está "condenado a ser livre", o que gera angústia. Nietzsche focou na força vital (vontade de potência) necessária para assumir o controle da própria vida sem ilusões metafísicas.
Responsabilidade Total: Para Sartre, ao escolher, o indivíduo é responsável não só por si, mas por toda a humanidade. Para Nietzsche, a responsabilidade culmina na superação do ser humano comum em direção a uma existência plena e afirmativa.
Se você busca uma introdução direta a esse pensamento, o clássico ensaio "O Existencialismo é um Humanismo" de Sartre é a melhor porta de entrada.
Para entender a base crítica de Nietzsche, a obra "Assim Falou Zaratustra" é a referência.

 NARUTO: O NOME DO PERSONAGEM

O Estreito de Naruto no Japao tem esse nome homenagem ao personagem de anime naruto?
Na verdade, é o oposto!
O Estreito de Naruto e seus famosos redemoinhos naturais já existiam muito antes do anime.
O autor da obra, Masashi Kishimoto, batizou o protagonista de Naruto Uzumaki em homenagem ao local e ao famoso ingrediente de lámen, o narutomaki (a massinha de peixe com uma espiral rosa no centro).
O nome Naruto é a palavra japonesa usada para descrever redemoinhos.
O estreito, localizado entre a Ilha de Awaji e a província de Tokushima, possui correntes marítimas tão fortes que criam redemoinhos gigantes de até 20/40 metros de diâmetro.
NOTA: IA
V

 CLÍNICA

O que é e como é o termo clínica? Quando surgiu essa palavra? O que é prática clínica?
A palavra clínica tem uma história fascinante que molda diretamente a forma como entendemos a medicina e a saúde hoje. Vamos quebrar o conceito em partes para entender sua origem, significado e aplicação.
1. O que é e de onde surgiu o termo "Clínica"?
A palavra clínica vem do grego antigo klíne (que significa "leito" ou "cama") e do adjetivo klinikós ("aquele que visita o doente no leito"). Clínica é aquilo queb um profissional faz junto e com uma pessoa (paciente) acamada, doente, em algum sofrimento, por exemplo: escutar, criar empatia, perguntar com curiosidade científica etc.
Quando surgiu? O termo na sua forma original remonta à Grécia Antiga, fortemente associado à medicina hipocrática (século V a.C.), que preconizava a observação direta do paciente. No entanto, o conceito moderno de "clínica" e a introdução da palavra nas línguas modernas (como o francês "clinique" e o português "clínica") consolidou-se entre o final do século XVIII e o início do século XIX.
O marco histórico: Foi nesse período que nasceu a chamada "medicina hospitalar" ou "olhar (percepção) clínico", principalmente na França pós-Revolução Francesa - recordar da invenção de uma clinica psiquiátrica humanista de Philippe Pinel. O filósofo Michel Foucault descreve essa virada histórica no seu famoso livro "O Nascimento da Clínica". A partir dali, a clínica deixou de ser apenas o ato de sentar-se à beira do leito e passou a ser um método científico de associar os sintomas do paciente vivo às alterações anatômicas (as lesões no corpo).
Hoje, a palavra tem três significados principais:
O método: O ato de observar, escutar, empatizar, diagnosticar e tratar um paciente individualmente, pode ter uma clinica institucional.
O local: O estabelecimento de saúde onde se realizam consultas e tratamentos (ex: clínica médica, clínica odontológica, clinica psicológica, clinica psicopedagógica).
A especialidade: O ramo da medicina focado no tratamento não cirúrgico (ex: clínica médica ou medicina interna). Na psicologia assumida como clinica. Na psicopedagogia. Em outras oficios clínicos.
2. O que são Práticas Clínicas?
As práticas clínicas referem-se ao conjunto de ações, condutas e procedimentos que um profissional de saúde (médico, psicólogo, enfermeiro, fisioterapeuta, etc.) realiza diretamente no cuidado ao paciente. É a "ciência em ação".
💡 Em resumo: É a aplicação prática do conhecimento teórico e científico para prevenir, diagnosticar, tratar e reabilitar uma pessoa.
Uma boa prática clínica é baseada em três pilares principais:
Anamnese: A entrevista detalhada com o paciente para entender seu histórico médico, sintomas e estilo de vida.
Exame Físico/Avaliação: A observação direta do corpo, reflexos, escuta do coração/pulmões ou, no caso da psicologia, a avaliação comportamental e mental.
Raciocínio Clínico: O processo mental pelo qual o profissional junta todas as pistas (sintomas, exames, histórico) para fechar um diagnóstico e propor o melhor tratamento. Há um tipo de clínica fenomenológico-existencial fundado na escuta empatica (compreensão), essa clínica (pró)cura escapar da clínica tradicional, mantendo sua essência (interesse pelo sofrimento),mas subvertendo a partir daí, criando ousadias. Uma abordagem chamado esquizoanálise, também faz isso.
Atualmente, fala-se muito em Prática Clínica Baseada em Evidências, que significa alinhar a experiência do profissional e as preferências do paciente com as melhores e mais recentes descobertas da ciência, garantindo um tratamento seguro e eficaz.
Há uma escutar empatia praticada por psicopedagógico que adentra à sala de aula inclusiva, uma clínica não rotulsdora e nem interessada em diagnostico, mas em fazer algo de sentido junto é com o estudante com problemas de aprendizagem, ainda que não se use o termo, que historicamente, traz em si, arrogância e poderio médico.
Nota: Gemini, e produzir interferências diversas