quinta-feira, 29 de setembro de 2016


MANTRA UNIVERSITÁRIO "HOJE É DIA DA MALDADE"
Hoje é o dia da maldade, dia de ir pro Núcleo de Pesquisa sem ler o texto, e dar opinião sem embasamento – e com o texto na mão, com ele todo marcado, sem eu ter lido nada, mas pra impressionar o professor. Hoje é dia de maldade, de colocar o achismo pra fora, dizendo o que eu acho, eu penso - filosofando. Dia da maldade em citar Karl Marx sem fazer referência, de falar como a gente fala nos movimentos de protestos, vazios, discursivos - apenas. Hoje é dia de maldade, de misturar Foucault, Levi Strauss e Carl Rogers. Hoje é dia de maldade, de furar as regras da ABNT. Dia de maldade, de fazer análise freudiana selvagem – uma análise incompetente, mas que agrada a perversão alheia. Hoje é dia de maldade, de juntar estruturalismo com materialismo histórico e dialético, e provando o quanto iguais à fenomenologia existencial. Hoje é dia de maldade, de mandar dez e-mails pro orientador no mesmo dia. Hoje é dia de maldade, de citar, durante as orientações para artigo científico, Chico Buarque, Roberto Carlos, Zezé de Camargo e filme da Tela Quente da Globo, só pro orientador morrer. Hoje é dia de maldade, dia de juntar filosofia clássica com contemporânea e falando de Sócrates baseando-se no filme de Oliver Stone. Dia de maldade, de juntar a Escola de Frankfurt, Sofismo e Existencialismo Cristão. Hoje é dia de maldade, dia de descontextualizar, de desconstruir. Hoje é dia de ir pra banca de defesa de uma pesquisa do amigo e fazer uma questão difícil, complexa e que exige criticidade que ele não tem, pois é um Zé Alienado. Hoje é dia de maldade, dia do universitário brasileiro: dia de dar control c, control v. Hoje é dia de maldade, dia é de jogar o trabalho do colega no "plagium" e denunciar depois dele receber o diploma, justamente pra ele perder depois. Amém!

[HP; minha adaptação a partir de um áudio que o João Porto me enviou].
O quinto Beatle kkk
Galvão Bueno: - No sexo, eu tenho um fetiche... Mas... Deixe pra lá...
Ninfeta: - Fala então!
Galvão Bueno: - Não! Bobagem...
Ninfeta: - Fala, porra!
Galvão Bueno: - Posso te chamar de Neymar?

[Hp; minha invenção a partir de adaptação]

[é que o apresentador famoso se desvela fã do jogador de futebol Neymar... é uma brincadeira com um fã, um admirador]
Quando eu era pequeno, me obrigavam a comer. Hoje que sou adulto, sou obrigado a parar.
[Hp; ficção; adaptado; kkk]
PROFESSOR DE BEIJOS DE AMOR ...
- Você me ensina a beijar? Por favor?...
- Tá ok, eu ensino, mas primeiro é preciso que você consiga alguém que te deseje o bastante para beijá-lo... ok?
[Hp; adaptação]


O filme se chama "1735 Km" (VIETNÃ, 2005, direção de Nghiem Dang Tuan Nguyen). Pequena obra de arte, comédia romântica com vários sentidos sociais e históricos.
MINHA SINOPSE: Pra começar, vamos ao título. Trata-se da quilometragem que gasta quem sai de Hanói até Saigon (Ho Chi Min) de trem, ônibus, motocicletas, carros, paradas, problemas nos maquinários, karaokês, comidas à beira do caminho, hotéis baratos e caros, aproximações delicadas, jogos de sinuca, o galã quase nu em um rio de lá, bebedeiras, mais motocicletas (paixão nacional, junto com a bicicleta), músicas românticas ao etilo Ocidental, passeios pelas cidades e suas gentes, retrocedidas no tempo-espaço etc.
Uma bela jovem - Tram, de saltos altos finos, vestida à la Chanel, adentra ao trem, e falando ao celular. Ela vai casar com um homem rico, e sabemos isso pelas conversas. Seu lugar é junto a um jovem artista plástico - Kien - sonhador, que se desvela muito solto à cultura budista, por isso meio que irresponsável. não capitalista, mas não engajado. Já ela é rígida, autoritária, neoliberal - sabe o que quer.
A maior parte das cenas acontece dentro dos vagões do comboio e nas estradas do país, e à medida que conversam, é mostrado a realidade do Vietnã - plantações de arroz por homens e mulheres velhos e jovens (serão explorados?), cenas do passado da Guerra do Vietnã (que eu capturei - nas sutilezas que eu desejei ver kkk), riqueza e pobreza, juventude e idosos, grandes metrópoles. O país valoriza muito os mais velhos. Mas a cena está com os jovens - eu me recordando aqui da Revolução Cultural de Mao Tsé Tung e o protagonismo juvenil kkk
Assim, o filme tem algo do drama: os jovens vietnamitas vivendo em um rico e complexo país que cede cada vez mais ao capitalismo selvagem, tem ainda as crises de identidades (quem somos? a partir do quem sou eu), momentos culturais modificados, um passado-presente que pontua um futuro: O que e como é ser jovem vietnamita, tal qual narrado nesse filme? Eles, os jovens, estão "nas mãos" de um diretor que se nasceu no Vietnã, graduou-se nos Estados Unidos, e se o filme recorda as comédias açucaradas com Jannifer Aniston (que são algumas delas, muito boas), traz a paisagem física e humana do país, em pequenos detalhes, nos diálogos com leve tormenta.
Estamos em um país moderno, agora marcado pelo capitalismo, sem histrionismos, com uma presidente mulher - e o Governo policiou todo o filme, vigiou tudo como ainda o fazem os "camaradas" kkk. Cada grão de arroz comido significa respeito a quem o plantou e o colheu (minha metáfora). Estamos no Vietnã de nossa triste memória, massacrado que foi, mesmo saindo vitorioso, com cabeça erguida... Linda comédia-dramática. Sensível como poucas.

Tudo embalado por "Samba de Verão" dos irmãos Valle, presente no Cult "Eternamente Tua" de Apichaptong Weerassetakhul (Tailândia).


NOTA: Assisti com parca legenda em inglês. Por que parca? Ora tinha ou não legenda.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

A todos e todas sejam bem-vindas aos nossos seminários: 

IV Seminário Nacional de Educação Especial

XV Seminário Capixaba de Educação Inclusiva 

I Seminário de Pesquisas de Pós-Graduação Lato Sensu na Perspectiva da Inclusão... 

Bom dia! 

O tema medicalização de nossa mesa redonda é MEDICALIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO ESPECIAL. 

Parece-me que esse é um fenômeno urgente, quase clínico, no sentido de uma clínica de escuta. Esse evento anda acontecendo nas nossas escolas e fora dela, no nosso mundo, mundo aí como pessoal, no bairro, na rua, na família, no governo, nas igrejas, nas políticas públicas, desmando no Estado etc.
Estamos vivenciando e ou experienciando momento de profunda crise política e social que interfere frontalmente na produção subjetiva (na objetividade do mundo). Falmos daquilo que denominamos eu, self, ego - subjetividade, no sentido contemporâneo. O que desejamos para nossos alunos e ou alunas? Que sonhos mantemos acelerado, e com uma ambição desmesurada? Onde está o problema? Se ele existe. Ele está na pessoa? Na família? Na escola? No Estado? No Governo? Nas drogas? Na sexualidade? Porque sempre se ataca o sujeito, sempre o domestica, o submete? 

O fato sentido é que a nossa carne foi (e é) ferida, e por não suportar nenhuma dor, requeremos ao/do médico prescrições para a felicidade, para nossa calmaria e domesticação – e tudo de forma rápida, imediata. Sempre irrompem psicofármacos para nos controlar, nos fazer reféns da ideologia dominante, do status quo estabelecido - nos acalmar (impedindo a percepção da realidade, pois tudo fica calmo ao nosso olhar de sentido), nos agitar (numa agitação descontrolada, alegremente sem alegria) etc. São corações e mentes controlados, e que se por proibir nossas possíveis singularidades (nas pluralidades de ser junto ao outro no mundo), impede-se os conflitos, os mínimos. Os mínimos conflitos, aos olhos do dominador, ameaçam tudo e todos, inclusive ao Estado. Qualquer discussão o sujeito é rechaçado ou a cassetete, ou a palmada, ou a à tortura. Pode-se ameaçar com um calmante, um agitante - "e um copo de gim". Inventa-se falsa doença pra o sujeito e junto prescreve-se remédios remédios especialmente os psicofármacos. Categorias diagnósticas são inventadas e se tornam rótulos, e se você é um sujeito alegre, insubmisso às bobagens, rotulam de hiperativo, e junto aparece a Ritalina. 
Falamos em MEDICALIZAÇÃO, ou seja, usamos esse termo, quando é uma ação médica prescritoras de remédios e até de outras intervenções, para "falsas doenças", e não doenças reais. O menino é alegre e agitado em uma sociedade vídeoclipiana, e isso o faz ficar impaciente com aulas chatas, e só por isso, lhe tascam um rótulo e um remédio [1]. 

A ação de prescrever remédios, com o finco de controlar e manipular eventos que não são da esfera do orgânico, mas da esfera do nosso processo social, político, por exemplo, pode ser considerada de MEDICALIZAÇÃO.  Problemas familiares (tão comuns), o sujeito passa a ser o único depositário de remédios e a família não é abordada psicossocialmente. A insubmissão criativa do sujeito é taxada por uma nomeação qualquer (diagnóstico), e o psicofármaco faz adormecê-lo, faze-o sonâmbulo em "berço esplêndido". Se não prestamos atenção a uma aula, por exemplo, os psicofármacos aparecem para que nos façamos atentos, através por exemplo, do uso desenfreado e inadequado da Ritalina - repetimos. Falamos aqui-agora dessas prescrições aceleradas, das quais bons médicos discordam, e exigem exames minuciosos, para verificar se de fato cabe tais psicofármacos no caso clínico. Não se põe em análise o ser que é ser-no-mundo, e em tempos sombrios, tal qual é a nossa sociedade atual, que como dissemos é videoclipiana, agitada, cheia de histórias fantasiosas e reais. Sombras predominam na sociedade brasileira e até internacional, como as atuais sombras sobre a realidade que se impede que vejamos, denunciamos, destampamos a venda e ver o real. Impedem a criticidade. Desenvolver a consciência crítica? Não pode, e para isso somos capazes de menosprezar um pensador do quilate de Paulo Freire. A nossa sociedade pode, as vezes, até ser ridícula, mas nem todos a percebem assim, não conseguem desalienarem-se. Nesse contexto manipulador, quaisquer revoltas subjetivas conclama-se o ensimesmamento, um rótulo é inventado, um remédio é indicado – e de modo geral, um único remédio se presta a quase todo e quaisquer quadros clínicos.
Manipulando comportamentos e ou subjetividades, a Psicofarmacologia traz para si a responsabilidade por isso, por algo não orgânico, que até tem impacto nele, no físico, mas cujo nascedouro não é aí – que se denomina origem do problema, a etiologia. Desvia-se a origem do social, econômica e política, colocando toda responsabilidade única no sujeito, no "seu eu".
Os diagnósticos são ditos e determinados sem nem mesmo serem questionados, não se autorizam críticas a eles. Há momentos que se necessitará deles, desses verdadeiros diagnósticos e remédios, na área mental e emocional, principalmente, mas é preciso ações médicas de investigação profunda, separando o "joio do trigo" – acho, se a meta é chegar a algo da esfera do real, e não da produção de algo, algo que se inventa revelando mais classificações para adormecer quem merece estar acordado, estar lutando, estar enfrentado garbosamente como todo bom cidadão deve fazer, consciente de si junto ao outro no mundo.
Mas a medicalização, esse termo, esse mesmo, vai além, muito além. O excesso de procedimentos médicos para valorizar o parto não-natural, favorecendo sempre o uso indiscriminado da anestesia, também pode estar incluído dentro do que denominamos de medicalização da vida. Um profissional psi que adora produzir prescrições comportamentais de autocontrole, recorrendo até mesmo ao autoflagelo, é outro exemplo, que quase sempre também indica um médico para que este prescreva psicofármaco. Há pedagogos e professores que amam as prescrições, e recomendam espalhar pela casa dos alunos e alunas recomendações ligeiras com clichês – sem a demanda correta da análise do sujeito como ser-no-mundo, no mundo real.

Nossa mesa de hoje é sobre esse tema, a medicalização na educação. Para isso temos duas convidadas, renomadas pesquisadoras desse tema, as professoras doutoras Elizabete Bassani (da UFES, Centro de Educação) e Carla Biancha Angelucci da Universidade de São Paulo. Seremos três psicólogos na mesa, e mais eu que também sou licenciado em Pedagogia.... Todos envolvidos com escola e a escolarização.

Como é praxe, vamos começar com a nossa convidada de fora, no caso, da USP. Por favor professoras, tenham a palavra.

NOTA:
dia 21/setembro/2016
local: Cine Metrópolis 
10:30 até as 12 horas
Mesa redonda II
Tema: "Patologização e Medicalização do Público-Alvo da Educação Especial no Brasil"
Palestrantes: Professores doutores: Carla Biancha Angelucci (USP), Elizabete Bassani (UFES), Hiran Pinel (UFES).

[1] é vital destacar que NÃO estamos dizendo que não há sujeitos que apresentam um quadro com séria preocupação clínica e que demanda atendimento médico com psicofarmacológico. Estamos falando as invenções, dos diagnósticos baseados em poucos características do quadro total, que deve ser considerado no seu máximo. Assim, qualquer agitação, tasca Ritalina, impedindo a criatividade do sujeito, domesticando-o. Nossa sociedade sonha com uma "harmonia" que é totalmente idealizada, pouco ligada ao real.