sexta-feira, 7 de setembro de 2018


A TRAVESSIA DOS "OBJETOS INANIMADOS" PARA A ANIMAÇÃO DA VIDA: MEMÓRIA AFETIVA.

Hiran Pinel, autor.

Vou descrever aqui-agora, de modo (quase kkk) fenomenológico, um tema que me é caro: o objeto ou "coisa" é descrito inanimada, mas na sua presença com os humanos que os manipula, pode ganhar outros sentidos, significados sentidos.

Recorro ao sentido de "memória do vivido" com uma coisa ou objeto. Nossa vivência com aquele determinado objeto,  aqui-agora preso à nossa memória, vem à lume, ganha potência e força. Sai com força, sem pedir licença ao sujeito da lembrança. Tudo vem no sentido de transformar aquele objeto aparentemente frio, coisificado, em algo cheio de afeto, amor, reconhecimento, identidade, raciocínio, desejo, sentimentos, emoções. ódio, rancor, pensamentos, ações corporais frente a ele e ou à sua simples lembrança.

Assim, muitas vezes um objeto, por sua simples presença, provoca o sujeito individual desvelando o coletivo nele, pois um único objeto pode despertar multidões.

Dando um exemplo: a memória que temos da nossa antiga "escola primária", por exemplo, e nós já maduros e ou idosos, justo essa memória produz identidade, ligação com o outro, e nos diz muito acerca dos nossos modos de ser (sendo) estudante, aluno etc. Falamos do presente, pois o passado vem com força no presente e o reinterpretamos não necessariamente como foi, mas como aqui-agora imaginamos como foi e como será (futuro). Então, tudo é aqui-agora. Aqui é o lugar, agora é o tempo.

Um objeto como "as paredes mal pintadas e descascadas" e "ursinhos de pelúcias coloridos", por ex, são objetos inanimados. O ursinho pode até nos recordar o animal vivo, mas o de pelúcia é um objeto. A parede é algo dura e inerte, mas passa a ser mover de acordo com nossas memórias acerca dela - por ex: beijamos alguém recostados naquela parede ou vemos e tocamos e sentimos uma outra parede, e lembramos daquela original, a primeira. Um retrato é apenas um objeto, mas se é a imagem de nosso amigo ou amante, ganha sentido de humanidade, corpo vivo. Isso vale também para os cheiros, os gostos, os sentidos todos...

Mas aqui-agora focaremos as coisas e os objetos, com os cheiros, inclusive e suas espessuras, suas texturas ao toque. Focaremos nos dispositivos, nas ferramentas - coisas, objetos. É o passado e o futuro, mas sempre no aqui-agora, no presente, revisto e descrito nesse espaço (aqui), nesse tempo (agora).


Qual a percepção fenomenológica existencial de um ex-paciente-aluno hospitalar acerca de alguns objetos com os quais conviveu na clínica? Essa pode ser uma questão para quem estuda, como nós, a Educação Especial Hospitalar Escolar e Não Escolar. Mas nosso objetivo com esse ensaio é outro.

Esse pequeno ensaio científico, totalmente experimental, formando um "paper" (rascunho), objetiva estudar dois filmes, procurando compreender a importância dos objetos nas narrativas e de como "coisas" ficam impregnadas de afeto e de conhecimento, tudo isso na nossa percepção fenomenológica quando aqui-agora nos recordamos deles, quando o vemos, sentimos, tocamos, cheiramos etc.


O que é e como é um "objeto ou coisa" que marca nosso mais profundo ser sendo junto/ com o outro no mundo, e que quando vem à memória (à tona), percebemos fenomenologicamente que fez uma simbólica travessia de "coisa" para ser (que nomeamos), e então o desvelamos pelas nossas emoções, desejos, sentimentos, raciocínios, expressões corporais?

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Um objeto ganha vida, respiração, apresenta sentimentos, desejos, emoções, raciocínios, pensamentos, ações corporais etc. Um objeto pode ficar na memória humana, e quando visto ou lembrado é sentido, chorado, alegrado, emocionado, refletido. A memória de um objeto pode provocar nossos movimentos, nossos modos de solucionar um problema etc. Um objeto (ou coisa, ferramenta, dispositivo etc.) pode fazer uma travessia do inanimado para o animado, do neutro para o amor e o ódio, para a alienação ou libertação.

Pessoas comuns relatam memórias afetivas e desejantes de "prédios escolares", por exemplo. Você pode visitar sua escola, e as paredes te recordar momentos que teve de amor com a garota, um amigo ciumento que te desejava sexualmente, mas que você regulava o amor, por impedimentos psicossociais ou mesmo porque você não acompanhava o desejo do outro. Você pode sorrir ou chorar visitando o internato em que estudou, relembrar as repressões sofridas, a arrogância dos professores - trazer para o presente, para o aqui-agora, o passado, e o que o futuro significa. Uma pintura do internato que ainda permanece a mesma cor, o modo como se arquitetavam no espaço as camas... A arquitetura escolar facilitou sua aprendizagem? Há relação arquitetura e o aprender com sucesso acadêmico? A arquitetura ajudou a produção dos desejo sexuais de quem ali dormia?

No cinema é possível ver cenas donde o personagem "olha" para uma arquitetura, sente-a, remexe dentro de si devido ao sentido subjetivamente, e assim você pode encontrar satisfação ou insatisfação, alegria, tristeza, melancolia, comédia de erros do viver etc. Mas é como se a "coisa" não fosse neutra, pois lhe é fornecida identidade, humanidade - a presença do homem naquela arquitetura fornece-lhe muitos significados, sentidos.

O objeto ou coisa material é aquela ferramenta ou dispositivo que pode ser portadora de mensagens de amor ingênuo e sexo, por exemplo - e de quaisquer outras mensagens. No filme "Water Boyy, The Movie" (Tailândia, 2015, de Rachi Kusonkusiri), o roteirista e diretor escolhe (intencionalmente) um objeto cuja representação pode nos trazer o sentido de pureza e infantilidade, no caso, um urso Panda de pelúcia, o fofinho, a coisa mais lindinha, uma cópia dos ursinhos pandas naturais da China. É comum então que os objetos em um filme "dizerem" muito dos personagens, e os espectadores se comovem, pois é algo comum no existir cotidiano banal, o nosso dia a dia real... Também somos impregnados pelos diversos sentidos de um objeto. A simples presença da "coisa mesma objetal", seu mostramento, quase que sagrado, na cena, pode evitar diálogos e conversas dos personagens, pois podemos, nós mesmos, dialogarmos com a cena - dar nossa impressão e com isso o diretor consegue maior envolvimento com a plateia, e é óbvio maior sucesso popular, imagino aqui. Em "Water Boyy", na cena final, os dois jovens tocam o ursinho, objeto de amor, do significado desse (amor), o companheirismo que agora se instaura, indicando que morarão juntos em um prédio de apartamento próximo à universidade - algo bem repetido em filmes e séries tailandeses. O urso aparece como promessa de amor, acerto de contas, reinício de uma longa história, mantém nossa fantasia de amor eterno... Descrevo o começo de tudo, da própria vida, vida esta motiva pelo amor, por sua ideologia.

Em outro filme, vemos um "palhacinho de madeira", desmontável como um quebra-cabeça. Nesse filme, esse objeto é vital ao enredo, ele quase que move o filme todo. Estou falando de "Love Of Siam" (Tailândia, 2007, de Chookiat Sakveerakul).

Vemos então a famosa "cena do presente que um amigo dá ao outro" - um palhaço de madeira. O objeto é que move a emoção de todo o filme "Love Of Siam". Repetimos que falamos de um "palhaço de madeira" que pode ser desmontado, parte por parte, que se compra separadamente, algo como uma peça de quebra-cabeças, repetimos. Ou seja, o palhacinho não é apenas um brinquedo, ele começa exigindo que o monte/ componha, é preciso, pois, envolvimento para vê-lo completo. No palhacinho sempre falta, falta-lhe uma parte - de fato, falta-lhe um nariz vermelho, que o amigo não conseguiu encontrar ou se perdeu.

Podemos falar de um tipo simbólico de "falta": "falta um amor que falha", um amor sempre a se completar e que nunca consegue, um amor impedido. Se apercebermos bem, o final da película é compatível com a "coisa mesma objetal" em falta, em falha. Uma coisa que ao completar, depois de muita luta e negociação da "namorada do outro que ama o outro", termina concretamente o amor/ namoro, rompe o amor, diz adeus - e os dois aceitarão algo como destino, que os une pela memória da "coisa mesma". Formou-se um vínculo e depois o rompe, mas o objeto pode nos indicar que esse amor nunca acabará, pois é um existente na memória eterna - um nariz foi comprado na loja. Diga-se de passagem, um amor eterno enquanto Alzheimer não chega... (kkk)

O objeto na memória se trata do inesquecível "amor", um amor que o objeto, que visto e sentido, trará no presente o passado supostamente feliz e melancólico ao mesmo tempo.

Em "Love Of Siam" se trata do amor como sofrimento, dor da paixão, a melancolia instalada quando a alegria poderia sobreviver. O palhacinho pode indicar o quanto nutrimos o amor da perdição, amor do sofrimento. O amor inventado como melodrama é sustentado e mantido por nós. Uma ideologia dominante que recusamos desmascarar. Em "Water Boyy" se trata do começo do amor, do futuro do amor, das promessas de alegria e de prazer de amar. Em "Love Of Siam" se trata do amor dolorido, do drama e do melodrama, do acreditar que o amor é sangue e lágrimas, o quão belo é sofrer por amor.

Os objetos inanimados se transformam em vida na nossa percepção, nossa vivência e ou experiência que tivemos/ temos com eles... Mente, corpo e alma mexem-se todos, se misturam e "hibridizam", tudo isso dentro de nós como "ser no mundo" que somos, em um mundo objetivo, concreto.

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Hiran Pinel, autor.
Ao citar, fazer referência correta, obedecendo a ABNT.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

MINHA SINOPSE APRECIATIVA DO FILME THAI "HOME: LOVE, HAPPINESS, MEMORIES" (2012): 

Três histórias compondo um todo - três figuras (narradas) emergem do fundo e a ele retorna, dando possibilidades de mais figuras e novos fundos. 

[1] Um rapaz, chamado Nae, fotografa a escola na noite, quando os espaços estão vazios. Ele fotografa o que? Vazios a serem preenchido pelo vedor das futuras imagens. Nessa noite, aparece um colega, Beam, que ao amanhecer, irá de ônibus pra capital, realizando seu sonho de ser desportista e cursar universidade (ganhou bolsa). Já o fotógrafo também irá fazer pra mesma escola, cursando comunicação. Os porjetos, os sonhos, ass promessas futuras subjacentes a isso tudo, entre os dois, são ditas e outras estão no ar. Mas essa noite, se por um lado irá dar luz ao amor, por outro também dará luz à morte; 

[2] Uma mulher madura fica viúva, e o marido deixa muitos bilhetes pra ela, que os encontra nos momentos em que procura algo - o conteúdo passa sempre a mesma ideia: "não me esqueça". É um morto que não quer ser esquecido. Só que ela se sente cerceada por isso - sente-se presa; 

[3] Um casal jovem irá casar, e a "morte da separação" os rodeia no mesmo dia, e será nesse momento que os dois primeiros personagens irão se encontrar resolvendo suas perdas, diante da "perda ali na cara de todos" - a do jovem casal. A vida é respiração, mas é também sua terminação (a morte). 

PÓS-ESCRITO: No filme, a Tailândia aparece como o "lar de todos e de todas", um lugar, em um tempo, onde o amor aflora na pele, a memória é construída em constante presença e a felicidade é um projeto de ser, algo que pode existir e existe - só lutar "junto ao outro no mundo", né?

terça-feira, 21 de agosto de 2018

O MELHOR DO AMOR, AO FINAL, ESTÁ NA MEMÓRIA.
"My Tee The Series" (Tailândia), episódio 8, 1a parte.

Chorei de modo lento e gradual, mas coletei baldes de águas salgadas. Todas as lágrimas apareceram como sentimentos impregnados na minha pele. Houve toda uma história de uma vidinha de merda, mas ainda assim uma dona Vida...

Misericórdia e com+paixão - kkk

Vamos à descrição fenomenológica da cena.

Mork vai procurar Tee adoentado. Tee saiu sem rumo pelas ruas frias e calorentas de Bangkok - chove lá fora, e dentro deles há ainda o amor. Pelo celular Mork consegue localizar o amigo. Tee está em febre ainda, e muito frágil. Mork coloca Tee atrás de sua lambreta, e insere o capacete em si e no amigo. Tudo é feito de modo calmo, lento, minucioso - cada pequeno detalhe do cuidado é revelado na cena - nenhum descuidado. Mork conduz, dirige a vida que clama por sentido. Tee, vem logo atrás, sendo conduzido. Tee abraça a cintura do amigo Mork - meio que trocando os papeis de "uke" e "seme", pois afinal, nada nessa vida é sólido ou pede para sê-lo. Minimalismos verbais, a música ao fundo indica o que deveria ser dito, uma velha estratégia do cinema. Escutamos a melodia. A letra dela aparece na legenda em português. Mas tomo a liberdade de alterá-la totalmente, pelo menos em termos poéticos, mas mantendo alguma linha com o significado, mas me inventando numa "outra espécie de poeta", "um outro autor", desse drama que é o viver, um drama sem final:

"Não importa se vamos ficar juntos ou vamos terminar tudo de uma vez só. Não importa. Não esquente a cabeça, não tente saber sobre isso, não tente dar uma resposta. Você estará para sempre nas minhas memórias, enquanto vida eu tiver. Vou reter em mim os dias e as noites felizes que juntos experienciamos. Eu apenas estou aqui-agora para agradecê-lo por esse amor vivido - sem condições, sob pressões, meus pequenos prazeres da carne, meu sincero amor em seu colo, uma amizade inesquecível... Um amor indefinido, imperfeito - mas real e definitivo. O melhor do amor, ao final, está na memória. E quando eu morrer, só restará a "sua" lembrança, não mais a minha recordação. Depois que você morrer, tudo isso que foi vivido, apagará e ninguém recordará pelo vivido mesmo, mas novos amores aparecerão no mundo, com outras gentes e tudo se repetirá".

Recomendo às fãs (e aos fãs) preparem lençóis de puro algodão para amenizar as lágrimas advindas da nossa dor... Teremos um final dramático, dolorido - mesmo cheio de amor.

Como eu me identifico com essas séries! Elas falam de mim. Pqp... kkk

domingo, 19 de agosto de 2018


O QUE É  E COMO É "YAOÍ"?: A FENOMENOLOGIA

Hiran Pinel, autor.

Em japonês: "- やおい -" ou "iá-ô-í".

Também se diz "wasei-eigo", pronunciando em japonês. 
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São obras de artes publicadas em mangás, animes, séries de Tv, filmes etc., também chamadas de "Boys' Love" ou "BL". O roteiro de um yaoí, de modo geral, mas que não é regra, aborda o amor ingênuo e puro (e casto) entre dois estudantes (escolares), ambos rapazes, ou seja, a primeira vez homoafetiva de um ou de ambos, podendo haver casais paralelos ou secundários, sejam eles yaoí ou não-yaoí. O yaoí numa obra de arte pode se referir a um clima psicológico e psicossocial: "É quando as pernas tremem e os corações insistem em sair pelas bocas dos apaixonados, e com música romântica ao fundo que (co)move a cena, cujas letras costumam substituir os diálogos, que quando ditos, são poemas desfolhados, cheios de promessas (in)sólidas, de términos desesperadores, de beijos em fogo e de complexa realização. Nos yaoí, são difíceis acontecer tanto os beijos ardentes quanto o sexo fervente, e esses são os momentos mais esperados pelas fãs e pelos fãs - sua delícias" (PINEL, 2004; p. 63). Algumas vezes, o país onde residem está em frenesi político e econômico (kkk), e isso é mostrado de modo muito sutil, quase imperceptível - mas pontuam, mesmo que levemente. Então, há uma nação em frenesi, e eles também nas suas vidinhas íntimas, bem como a escola, na família, com os amigos etc.

Outra características do yaoí é que os rapazes envolvidos entre si, têm namoradas (sim, mulheres como namoradas) e no enredo, muitas vezes, elas se transformam (in-justamente) em vilãs... kkk

Diz a Wiki que se refere ao acrônimo da frase "- ヤマなし、オチなし、意味なし -" (yama nashi, ochi nashi, imi nashi), que pode ser em português algo próximo a "sem clímax, sem resolução, sem significado", ou como a frase de efeito, quase clichê: "sem pico, sem ponto, sem problema". 
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O termo talvez esse termo (sons) tenha sido usado em 1970, no Japão, referindo-se a história/ narrativas que continham "causos" estranhos/ provocadores  e muito lúdicos/ brincantes. Com o tempo (e o espaço) esse termo, yaoí, passou a ser dito mais para se referir a obras de arte de relações afetivas e ou sexuais entre dois rapazes.
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REFERÊNCIAS
PINEL, Hiran. Apenas dois rapazes e uma educação social; existencialismo, cinema e inclusão. Vitória: UFES/ CE/ PPGE/ Do Autor, 2004.

domingo, 12 de agosto de 2018

Textão...

Fragmento de um possível roteiro de "série yaoí thai" que eu inventei...

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SÉRIE YAOI AO ESTILO TAILANDESA
Seis episódios.

TÍTULO SUGERIDO
"Festa ao Amor"

APRESENTAÇÃO GERAL DOS PERSONAGENS
1) Os protagonistas são dois: Yaon e Hugailin, e ambos estão com mais ou menos 30 anos de idade;

2) São dois jovens que viveram cinco anos juntos, pois eram muito amigos, sempre presentes um com o outro;

3) Hugailin foi apaixonado por Yaon... Tinham encontros íntimos, mas nunca chegaram aos finalmentes - algo sempre incompleto. Yaon sempre alegava amizade, mas mantinha-se ao lado, sentia prazer com isso;

4) Há 10 anos atrás eles romperam, quando Yaon ficou noivo e marcou o casamento. Hugailin foi testemunha do casório, mas na festa mesma, ele sumiu e não apareceu mais;

5) Yaon se tornou um médico famoso na Tailândia e no mundo científico, pois ter criado uma nova abordagem técnica em hemoterapia, casou-se e tem três filhos. Já Hugailin, solteiro e vive com seus pais, tem uma noiva recente, e se formou em Português/ Literatura brasileira (sim), e publicou sua dissertação e tese com esse tema, fez bolsa sanduíche na UFES/ Brasil em Educação, e recentemente ganhou o prêmio de melhor tese, prêmio mais valorado do seu país. Yaon está riquíssimo, Hugailin vive de um bom salário de professor na Universidade de Mahidol, campus de Bangkok.

6) Um não sabe um do outro, e de repente eles se reencontram numa agitada festa oferecida por antigo amigo de ambos - também riquíssimo... Timidez, temor... A sedução volta forte, a atração torna-se o foco fundamental entre os dois amigos - velhas memórias e resistência aparecerão, sempre embalados por músicas populares românticas. A vida é também uma festa ao amor, mas seus caminhos são doloridos também.


A NARRATIVA COMEÇA
Estão numa festa iluminada e o som alto, jovens desnudos e desnudas se jogando na piscina, bebidas, algumas drogas rolam soltas... Um cheiro de festa e de orgia - tudo no ar. Há uma ansiedade de todos, uma procura de sexo e de amor - e nada... A solidão ali parece predominar.

Os dois se olham em soslaios. Eles parecem ter articulado encontrar, tratando-se de algo não consciente. Eles bebem muito, e trazem nas suas mãos copos de bebidas.
Então, eles se "topam"...

Silencio. As pupilas de ambos se ampliam.

Yaon: - "Você se recorda de mim?" - pergunta.
(silêncio)

Hugailin tímido, de cabeça baixa e de olhar certeiro em Yaon - "Como te esquecer? Nós dois de frente pro mar, pés atolados na areia da praia, e você me prometeu que quando ficasse muito rico me daria um iate (risos) e com meu nome escrito em letras cursivas, 'letras tímidas', vc me disse..." (leve riso)

(prosseguindo a sorrir, ele toma decisão de suavemente sair daquele encontro)

(respirando fundo, sorrindo como se tivesse orgasmo)

Yaon: - "Não!" diz com autoridade e como pedinte. "Não vá embora mais uma vez, fique aqui comigo, agora! Por favor, fique?" - diz ao outro.

Hugailin: - (risos tímidos, fica corado, as pernas tremem)

E prossegue:

Yaon: - "Amanhã vou comprar um iate, mandar colocar seu nome e mandar-lhe entregar... E com letras cursivas, bem tímidas, pois é isso que me atrai". Yaoin dá então essa pista: a de que está milionário. Que a promessa feita pode ser obedecida agora-aqui.

Hugailin: - "Eu só queria seu amor, nada mais do que isso. Eu não precisava de iate, ainda mais com meu nome. (silencio) Precisava de amor" - diz com um sorriso tímido de alegria.

Yaon: "- Fique comigo esta noite, e não vais se arrepender... Aqui fora o calor, e ao mesmo tempo o frio, são açoites em nossos corpos, no meu apartamento, nós dois teremos somente amor"

Huagailin sorri, respira fundo como se tivesse tendo um orgasmo e sai... E brinca: "affff... que homão da porra"...

Yaon está aceso, elétrico... Seu coração bate rápido demais...

Paralelamente a esse acontecimento, a orquestra da festa, nesse exato momento, toca uma música que fala de um namorado que pede à moça pra ficar com ele, saindo do frio da noite e indo para o aconchego do lar.

NOTA: Texto meu - Hiran Pinel; ficção; inventando diálogos pra uma série yaoí que estou escrevendo e que penso publicar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018





ATENÇÃO: ENSAIO EXPERIMENTAL CIENTÍFICO.

O MÉTODO FENOMENOLÓGICO DE PESQUISA
COMO EU O APLICO EM PSICOLOGIA, PEDAGOGIA E EM EDUCAÇÃO.

Hiran Pinel, autor.

1 - Introdução
O objetivo desse ensaio científico, um rascunho experimental, é o de descrever compreensivamente os modos de ser pesquisador que usa o método fenomenológico de pesquisa.
Esse pesquisador, autor desse ensaio, é psicólogo, é licenciado (em Psicologia, Pedagogia, Biologia, Filosofia) e bacharel (em Psicologia), é mestre em educação e doutor em Psicologia, com pós-doutorado em Educação: Conhecimento e Inclusão estudando dois filmes relacionados à Educação Especial Escolar e Não-Escolar e à Pedagogia Social (ou o que isso representa). Atualmente faz pós-doutorado objetivando produzir um livro sobre o método fenomenológico aplicado à Educação Especial Hospitalar Escolar e Não Escolar. Ele é coordenador do Grufei - Grupo de Fenomenologia, Educação (Especial) e Inclusão, que por sua vez se liga do G-PEFE - Grupo de Pesquisa em Fenomenologia na Educação.
Esse incipiente ensaio se refere ao método fenomenológico aplicado à Psicologia e à Educação, logo de um método que faz sua travessia da Filosofia para esses outros "saberes-fazeres", logo um método com dívida à Filosofia Fenomenológica, mas que produz suas próprias características, considerando, por exemplo, essas ciências.
Não é um texto definitivo, com erros de português e de digitação... 

2 - Metodologia
Fiz um estudo fenomenológico provocando envolvimento existencial, e ao mesmo tempo, distanciamento reflexivo. Tudo isso tendo por fundamento minha prática (e indissociada, teoria) de pesquisa nessa esfera (Psicologia, educação, pedagogia), usando o referido método.

3 - Resultados e discussão
3.1. Como eu faço uma pesquisa fenomenológica...
Em outro estudo, Pinel (2018) procura descrever alguns pormenores do método fenomenológico de pesquisa, criando vinte e quatro características. Trata-se de um texto didático.
A pesquisa fenomenológica vinda da Filosofia, ao se portar na Psicologia, Pedagogia e Educação, muda seus rumos originais. Então, o método fenomenológico que descrevemos aqui-agora é “apenas” uma inspiração advinda da Filosofia, e não é a Filosofia, mas é uma Psicologia, é uma Educação, é uma Pedagogia. 
Assim, a Psicologia Fenomenológica apregoa que na produção do seu conhecimento deve existir dois movimentos, posturas e atitudes indissociados, movimentos estes incrustados no ser (sendo) junto ao outro no mundo do investigador: [1] o envolvimento existencial e [2] distanciamento reflexivo. Esses dois movimentos são apregoados por Forghieri (2001), psicóloga clínica nessa esfera, e uma pesquisadora de renome. Podemos sugerir que o "envolvimento existencial" corresponde ao que na fenomenologia se denomina de "epoché" ou suspensão; e o "distanciamento reflexivo" (reflexão significa: descrever um ou mais sentidos e ou significados) corresponde a "eidos", que é o momento em que se anuncia a essência de algo ou alguém. Mas quem vai pesquisar o ser no mundo, é um cientista que é ser no mundo, logo ele é encarnado, e desde o momento em que começa a imaginar seu projeto de pesquisa, ele assume uma posição mundana, o mundo está nele, é ele. Ele poderá tentar fazer suspensão, e isso não impede que tente, mas até nisso ele é carne, é sangue, é terra, é chão - ele leva tudo que há em si (com o outro, no mundo).
Mas não é apenas por aí, há mais características que descreveremos a seguir compondo um total de vinte e duas características sempre em movimentos, inclusive dialéticos, exigindo as atitudes fundamentais, envolvimento e distanciamento: [3] foca na subjetividade do outro (em movimento intersubjetivo), considerando esse “modo de ser” no mundo – “ser no mundo”, tratando-se de uma [4] essência existencializada no concreto, na história; [5] sujeito e objeto são indissociadosnão há neutralidade científica (não há neutralidade); [6] a “suspensão” (o envolvimento existencial; epoché) é relativa e nunca é total, isso devido o pesquisador ir a campo com o mundo em si e o outro (e as coisas do mundo) – mas isso não impede que ele tente, se esforce até (PINEL, 2018; p. 17). 
Trata-se o método fenomenológico de [7] uma atitude, uma postura, uma ética, uma política (relacional) e nada de caminhos prescritos, determinados, sólidos, de uma verdade universal. E nesse sentido a [8] técnica e a tecnologia é secundária, e aqui-agora mais vale a atitude, aquilo que moverá a ferramentas, dispositivos, receituários – por isso não recomenda o uso de testes psicológicos (padronizados), mas pode usá-los corrompendo o estabelecido pelas normas padronizadas estatísticas, por exemplo. Mais? Foca na [9] experiência do outro, no experiencial (a experiência vivida) bem como favorece a [10] descrição compreensiva dessa experiência, e o termo [11] compreensão é o mesmo que empatia (com+preender). [12]. Então, será assim que o método fenomenológico está interessado em compreender, e não em explicar, analisar, interpretar – mas isso não impede de que há na Psicologia movimentos favoráveis a “alguma análise existencial ou análise fenomenológica” que é um evento muito comum na Psicologia Clínica, por exemplo. Mas falamos de um outro tipo de análise, fundamentada na compreensão. É comum que os locais onde se contrata psicólogos, e sendo eles fenomenologistas, cobrem deles diagnósticos com etiologias e prognósticos, e eles tem recorrido aos estudos compreensivos, bem aceitos pelas instituições. 
Outra característica é que o método [13] não se interessa pela “causa” de nada, no máximo pode focar na [14] “motivação” de alguém, de algo – o fenômeno. Como a pessoa é ser e ser no mundo, a descrição compreensiva implica em [15] contextualizar esse sujeito na sociedade, na cultura e na história – uma subjetividade nesse mesmo mundo concreto, real – econômico, político, suas instituições, geografia, o outro, o estímulo ambiental, serviços de saúde disponíveis, educação provocadora, crítica e de qualidade etc. Mais características? No máximo o pesquisador coloca como questões de pesquisa que quase sempre pode ser assim: [16] O “que é” e [17] “como é” isso, aquilo, o significado da experiência vivida, o experienciado, o encarnado? Essas questões (ou sentidos interrogativos da investigação) de pesquisa nortearão, por exemplo, a produção de dados - as questões nas entrevistas serão essas, adaptadas às pessoas que colaborarão com sua investigação. Por ex: Você produz junto ao seu sujeito de pesquisa uma narrativa sobre os modos dele 'ser professor de Educação Especial que trabalha com crianças diagnósticas e ou rotuladas de autistas. Sua pergunta a ele (ao professor - pessoa que colabora com sua pesquisa), tendo por base a sua questão de pesquisa, deve ser a que irá presenciar-se no cotidiano da "produção de dados", muitos falarão "coleta de dados", mas na pesquisa fenomenológica funciona melhor o termo produção de dados, vc está indissociada ali no campo, vc não irá coletar, mas simplesmente produzir junto, tecer etc. Quando vc tem interesse em certas "falas" (discursos), é só verificar seu objetivo, você pergunta ao sujeito para aprofundar na "entrevista não-diretiva": O "que é" e "como é " isso que você falou (ou fez)? Ou: Fale-me mais sobre isso que você disse na entrevista? Nada de interferir, ficar ansioso e em dar interpretações etc. Nesse sentido temos planejado, executado e avaliado com os futuros pesquisadores fenomenologistas o "Modelo de Relacionamento de Ajuda" de Robert Carkhuff (bem descrito por Miranda e Miranda em "Construindo a Relação de Ajuda"), mas há outras possibilidades, como a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) de Carl Rogers ou modelos de entrevistas não-diretivas. Você não vai a campo "julgar" alguém (você não tem essa meta, e tentará minimizar isso, mesmo sabendo que vc é ser no mundo), criticar o Estado e instituições (claro que isso irá aparece, pois o Estado marca a produção subjetiva), mas calma, isso aparecerá dependendo do seu objetivo... Isso aparecerá nas "falas" é só saber escutar, e isso aparecerá, repetimos, pois o ser é no mundo, logo sua subjetividade é produzida nesse mundo. (Veja Apêndices 1). 
Outra possibilidade de aplicação do método fenomenológico é o de verificar os [18] aspectos contraditórios da realidade vivida (o fenômeno), sempre pelas interrogações "o que é" e "como é".
Outro dado é que uma investigação nessa esfera [19] NÃO trabalha com hipótese e ou suposição – afinal é preciso “esforçar-se” para ir a campo fazendo "epoché" ou suspensão e "eidos" procurando significados para o vivido tendo por referência a própria pessoa que colabora com a pesquisa. Entretanto, há uma psicóloga clínica fenomenológica, que trabalha com Merleau-Ponty que reflete quanto escalonar ou não uma (ou mais) hipótese, e seu nome é Moreira (2004). Essa pesquisadora de renome, discorda de que uma pesquisa fenomenológica não deva ter hipótese. Segundo ela, deve ter sim, pois numa pesquisa desse tipo não há essa "limpeza" como imaginamos, essa "pureza da alma", essa tamanha ingenuidade primeira como se fôssemos um ator iniciante em uma série tailandesa yaoí. Por isso ela fala do pesquisador inserir no seu projeto de pesquisa e na pesquisa propriamente dita, uma "HIPÓTESE COMO DESCONFIANÇA"... (p. 452). Ela diz: "O pesquisador vive um atolamento no mundo que é congênito; ele não é um passarinho capaz de praticar um pensamento de sobrevôo, esquecendo este atolamento (...)" (p. 452). A pureza, a limpeza e a ingenuidade é impossível, pois o pesquisador é mundo, ele está e é esse mundo. Mas o método fenomenológico da Psicologia desde sempre apregoa a não neutralidade, e a ida ao campo é um esforço de fazer epoché - uma tentativa, que está no reino do impossível de ser alcançada na sua totalidade. Ou seja: a "epoché" será sempre relativa, não havendo necessidade de enunciar uma hipótese ou suposição, mesmo que se escreva "hipótese como desconfiança". O artigo de Moreira (2004) é profundo e altamente provoca(dor).
"Epoché" corresponde ao "envolvimento existencial" (ou empatia) e "eidos" ao distanciamento reflexivo – e repetimos, movimentos vividos como indissociados, interligados, já que a divisão é apenas didática, numa sociedade que valoriza o dicotômico e isso nos pega; [20] Valoriza uma escrita científica literaturalizada; [21] é por si só, o método fenomenológico é uma “intervenção” (ação/ participação) de sentido, pois ninguém sai intacto de uma relação humana interpessoal e social de qualidade, pautada pela escuta empática, e assim que eu faço pesquisa fenomenológica, quase sempre faço ação, intervenção, inclusive com postura crítica, de engajamento; alguns dizem que o nome correto é pesquisa de intervenção fenomenológico-existencial, aí é claro o texto focará na intervenção, ou interferência; [22] tanto que o método fenomenológico saído da Filosofia, portando na Psicologia, passa a ser outra “coisa”, ainda que interligado à origem filosófica. [23] Há fenomenologistas que produzem estudos fenomenológicos associados a outras metodologias de pesquisas como o estudo de caso e casos clínicos (existem clássicos estudos de casos como Ellen West, Dibs etc.), pesquisa intervenção (clássicos estudos; AMATUZZI, 2001 nos informa que toda pesquisa fenomenológica é de intervenção), pesquisa-ação existencial (há bons estudos como em Barbier), pesquisa participante, pesquisa dialética (ver “o método” de Sartre), cartografia subjetiva fenomenológica, bibliográfica, documental (clássicos – como cartas íntimas, diários, fotografias, memoriais etc.), etnografia fenomenológica (pelo menos um clássico: CEFAI, 2010), narrativas, história oral – e etc. (PINEL, 2018; p. 17); [24] é uma pesquisa eminentemente qualitativa, não focando na quantificação dos dados., cálculo de percentagem etc.; [25] alguns preferem chamar de pesquisa compreensiva ou investigação que objetiva compreender empaticamente alguém; outros de pesquisa empática – mas, em ambos os casos, o cientista deve recorrer a autores da área para definir/ conceituar compreensão e empatia como Carl Rogers, Carkhuff, Amatuzzi e outros etc. Quando se deseja dar outra nomeação recomendamos sempre incluir nessa nomeação o termo fenomenológico, existencial ou humanista-existencial, para deixar evidenciado a sua postura básica e fundamental, com autores da esfera. Mas o esperado é que o pesquisador se diga: “produzir um estudo psicológico, pedagógico e ou educacional de cunho científico fenomenológico” e na produção discursiva destaque os caminhos que vão de desvelando.

3.2. Como eu faço análise dos dados de uma pesquisa fenomenológica...
Nesse subcapítulo pretendo dar pistas do modo como tentarei criar tipos de análises dos dados produzidos – aqui falo dos modos de interpretar, de discutir. Os autores citados são aqueles com os quais trabalho até hoje na clínica, seja em consultório (que não mais exerço), seja em pesquisa clínica que faço até hoje, vamos dizer atendimentos clínicos, mas numa dimensão de pesquisa e de extensão e não mais em assuntando psicólogo. Prossigo também nessa tarefa de clinicar, mas o faço como um pesquisador graduado em “formação de psicólogos”, em licenciatura em pedagogia, especialização em orientação educacional, licenciado em filosofia e com doutorado em psicologia, mas não mais um profissional fiscalizado por um conselho específico, mesmo mantendo conduta ética, como fiz em consultórios, no IESBEM (hoje o extinto Instituto Espírito-Santense do Bem Estar do Menor), Juizado da Infância e Juventude (da Comarca de Vitória, ES), Hospital Doutor Dório Silva – dentre outros. Preciso destacar isso objetivando evitar conflitos desnecessários com as autarquias oficializadas, afinal tenho carga horária de 40 horas com Dedicação Exclusiva (DE).
Minha questão é: Como psicólogos que se nomeiam fenomenológicos-existenciais lidam com a chamada “análise existencial” da pessoa que procura ajuda clínica? 
Aguiar (2014) falando da aplicação de testes psicológico às crianças na produção de diagnóstico psicológico em Psicologia Clínica Fenomenológica (Gestalt-Terapia), ela afirma que “se entendermos que o homem é um constante vir a ser, como encaixá-lo em uma categoria fixa, que afirma que ele é isso ou aquilo?” (p. 91). O psicólogo pode analisar colocando fala e expressões da criança que discursa sobre si mesmo a partir do vivido e proposto pelo clínico. Ele tem suas próprias questões, ele tem sua sabedoria, ele atribui significado ao seu vivido. Após vivenciar testes propostos pelo clínico, a criança será capaz de interpretar-se, é só escutá-la. Nada cada ao terapeuta na área de prescrição, pois o ser é de potencialidades e é livre para escolher o caminho que desejar trilhar. E mais, a singularidade da pessoa deve ser preservada, logo não deve ser refletida em caixas, modelos, quadrados típicos de categorias psicopatológicas presentes nos famosos DSM-4 ou DSM-5. E sobre as causas de um problema? Se reconhecemos compreensivamente que o sujeito infantil é parte integrante de um campo, logo não haverá uma única causa, mas várias e indissociadas, nada de padronização.
Monique Augras (1978), ao descrever um modo de se produzir (ação, intervenção) psicodiagnósticos, sugere um guia para a compreensão do paciente usando termos bem amplos, mas ainda assim guias gerais: a situação, o tempo, o espaço, a alteridade (o outro), a fala, a obra. O clima é anti-diagnóstico clássico e positivista, com aplicação de testes, cotação, análise padronizada e uma nomeação.
Medard Boss, discípulo de Heidegger, ao criar a psicoterapia denominada Daseinsanalyse, descreveu as características ontológicas constituintes do existir humano, os "existenciais" do homem a serem observados na clínica: 1) sua abertura original ao mundo; 2) sua temporalidade; 3) sua espacialidade original; 4) seu estado de humor; 5) seu estar-com-o-outro; 6) sua corporeidade. Também Ludwig Binwanger (GIOVANETTI, 2017) outro que estudou diretamente com Heidegger e era amigo de Boss. 
A mesma coisa acontece com a proposta de uma teoria da personalidade de Yolanda Cintrão Forghieri (2001) – há um conjunto de terminologias envolvidas em um clima fenomenológico, cuja intepretação é o outro que “se diz” algo “de si” para escutar-se efetivamente. 
A análise existencial recomendada na maioria dessas e as outras propostas, é a de ir pelos caminhos do processo vivido pelo paciente, indo com ele, sem produzir palavreados novos ou diferenciados, mesmo o tom de voz, a expressão corporal – o paciente fala e dá significado ao que toca na sua pele, alma, mente. Outra possibilidade é a de focar sempre naquilo mesmo que é (e foi) experienciado pelo sujeito que busca ajuda. O sentido, o aprendido, o pensado, o desejado, o raciocinado, o amado, o afetado, o linguageado, no tempo, no espaço, no cuidado, na obra produzida etc., é aí que ele se desvela, e o terapeuta descreve compreensivamente. O outro é analisado por ele mesmo, e somente ele é capaz de dizer-se que rumo anda traçando. O clínico funciona como um metafórico espelho que lhe devolve o falado, o expressado, o sentido – e não o faz necessariamente falando, ao contrário, mas escutando. 
Tem ainda a terapia vivencial proposta por Tereza Cristina S. Erthal (1989) fundamentada em Kiekegaard, Husserl, Sartre, Heidegger, e depois (ERTHAL, 1994) focando centralmente em Sartre, ela indica que o psicólogo receba uma formação profissional na clínica, onde ele aprenderá: 1) captar a essência do problema; 2) vivenciar a redução fenomenológica; 3) ampliar a visão do cliente: “Se ficarmos apenas na essência do problema, a sessão fica redundante ... É preciso ampliar o campo visual para que dilate a conscientização (percepção intencional sujeito-mundo)” (p. 122-123); 4) integrando as partes, quando também se identifica “os mecanismos mantenedores do problema (entrando na autoimagem” (p. 125).
Para Ribeiro (2013) o psicólogo fenomenologista compreende o passado pelo presente (o que ocorre no set clínico), e será nesse contexto que o termo interpretar é sinônimo de descrever a realidade do paciente, tal qual acontece aqui-agora, “não numa relação causal, linear, em que o efeito explica a causa ou o passado explica o presente sem levar em conta variáveis intervenientes que afetaram, ao longo dos anos, o resultado de uma ação passada” (p. 110). Citado ainda por Ribeiro (2013) a interpretação é a significação que o psicólogo percebe na produção do seu paciente ou de um grupo deles, sendo assim “um ato perceptivo e criador, semelhante a uma interpretação dada por um diretor de orquestra na obra de um compositor” (p. 110-111). Finalmente esse autor ainda destaca a tarefa de interpretar ou guardar silêncio, escutando pacientemente o outro, e então, de modo fenomenológico-existencial conclui que é o “silêncio é, certamente preferível a qualquer palavra [falada, escrita numa pesquisa etc.]” (RIBEIRO, 2013; p. 112). Entretanto, o silêncio “não é um bem em si mesmo” (p. 112), logo para uma pesquisa haverá oportunidade para se analisar recorrendo a produção textual a partir de levantamento de Guias de Sentido (GS; PINEL, 2004), por exemplo. Um silêncio ótimo é aquele que provocará ao leitor em criar reflexões e produzir novas descobertas de sentido acerca do que lê sobre um fenômeno, uma pessoa.
Assim, descrever Unidades de Significado (US) de um conjunto de narrativas (por exemplo) pode ser o “ponto de partida das análises” (BICUDO, 2011; p. 50). Pode-se falar em Unidades de Sentido (US) na produção de Amatuzzi (2001).
Há também o que se denomina de Guias de Sentido (PINEL, 2004). Aqui o pesquisador, lendo e relendo, de modo empático, todo e qualquer texto obtido da produção de dados da pesquisa, estando ele imbuído sempre das atitudes epoché e eidos, poderá obter um ou mais GS, algo que movimenta aquela figura (GS) advinda de um fundo (GS), e que provavelmente, percebendo de modo cuidadoso, poderá anunciar a essência existencializada. Mas como bem destaca o autor, “é preciso que a descrição compreensiva abarque detalhadamente o fenômeno da pesquisa revelando o vivido, caso contrário essa descrição não é científica, não é fenomenológica” (PINEL, 2004; p. 100). Os pesquisadores não fenomenológicos, diriam produzir uma Análise de Conteúdo (AC), mas não é essa nossa meta, pois quando descrevemos US ou GS estamos nos referindo a uma postura de os (co)mover pela Psicologia Fenomenológico-Existencial. Um bom começo para escalonar, por exemplo, um GS, é atentar-se de que numa produção discursiva de um paciente ao psicólogo pode haver “duas realidades: a sua e a do mundo, que é também a sua, a qual condiciona e modifica à realidade interna da pessoa” (RIBEIRO, 2013, p. 111). De certo modo, 
(...) todo o exercício de começo de análise dos dados pela criação de um ou mais GSg ou um GSg ou guia de sentido geral, e alguns GSe ou guia de sentido específicos, acaba sendo também um trabalho hermenêutico de interpretação que se vincula a compreender o sentido (norte/ rumo/ direção/ “sulear” que toma o ser sendo junto ao outro no mundo), a significação e o significado presente na produção discursiva seja ela denominada entrevista não diretiva, testemunho, depoimento, narrativa, fotografias, desenhos etc.” (PINEL, 2004; p. 102).
Gil (2017) recomenda uma análise de dados proposta por Colaizzi, também citado por Moreira (2004) qual seja: 1) o pesquisador lê a descrição de cada informante; 2) extrai, então, uma ou mais assertivas significativas – ele por marcar frases que se destacam, as mais repetidas e “recomendamos frases vitais ditas uma única vez, mas de grande sentido ou significado” (PINEL, 2004; p. 102); 3) o pesquisador formula um ou mais significados – aqui cabe manter-se fiel ao que é dito, ao mesmo tempo extrai os significados implícitos; 4) organiza o conjunto de significados em conjunto de temas – temas que revelam algum padrão ou tendência e não deve desesperar-se frente às ambiguidades, coisa humana, demasiada humana; 5) faz/ produz uma integração dos resultados numa descrição exaustiva – ou minuciosa, cuidadosa, analítica, detalhada; 6) elabora a estrutura essencial do fenômeno; 7) valida a descoberta da estrutura essencial – e em todas as etapas recorrendo sempre aos textos produzidos no campo da pesquisa, ou se for documentos (consulta-los sempre), se for um vídeo (vê-lo sempre com total atenção e memória intencional) etc.

3.3. Escalonando sentidos da pesquisa fenomenológica: questões e objetivos de uma investigação.
Aqui-agora vamos tentar esclarecer, pelo vivido, acerca da proposta de formular um ou mais de um SENTIDO INTERROGATIVO DA PESQUISA, ou classicamente descrita como questão fenomenológica de investigação e um (ou mais de um) SENTIDO COMO META/ NORTE/ DIREÇÃO FENOMENOLÓGICO DE PESQUISA.
Nossa colocação é de que há uma proposta e que ela ocorre  pela própria teorização da Psicologia (Fenomenológica, Fenomenológico-Existencial, Existencial, Existencialista e ou Humanista-Existencial), advinda da travessia da Filosofia Fenomenológica.
Nossa "proposta" está interligada ao sentido dos TRÊS termos/ palavras:
[1] "O QUE É",
[2] "COMO É",
[3] "DESCREVER COMPREENSIVAMENTE O QUE É E COMO É SER..."
Evidenciamos então que esses TRÊS TERMOS FENOMENOLÓGICOS não são uma "coisa minha" (do orientador), algo novo que "só ele pesquisa", não é algo que "ele está a inventar no laboratório fenomenológico do Grufei", MAS algo da própria fundamentação teórica na nossa Psicologia/ Pedagogia/ Educação Fenomenológica. 
Foi também esclarecido de que o estudante-pesquisador (orientando) pode aventurar-se em "outros termos" nas suas interrogações e objetivos de pesquisas, mas que tais palavras/ termos deverão estar atrelados à idéia de: [1] "O QUE É", [2] "COMO É" e [3] "DESCREVER COMPREENSIVAMENTE O QUE É E COMO É SER"...
O pesquisador fenomenológico está atento "ao QUE e ao COMO da realidade do sujeito, dado que a consciência não opera no vazio, sendo necessariamente intencional" (RIBEIRO, 2013b; p. 83). Logo, por Ribeiro (2013b) a Psicologia Fenomenológica se assenta no tripé: "retorno às coisas mesmas", "redução fenomenológica" e "intencionalidade".
Assim é que, "se" o aluno-pesquisador tem, por exemplo, DEZ objetivos de pesquisa, antecedidos a eles precisa ser pontuados as correspondentes DEZ questões de pesquisas - ou seja, a mesma quantidade de um (questão) é repetido a mesma quantidade do outro (objetivo) seguindo os mesmos termos, a mesma intenção discursiva.
Hoje eu recomendaria escalonar questões e objetivos curtos, no possível evitando inserir dois verbos numa mesma oração. Ao mesmo tempo é preciso repetir a mesma idéia, as características da pessoa que colabora com sua pesquisa. Outro dado é escalonar um objetivo geral bem especificado/ detalhado e os objetivos específicos destacaram a ação do pesquisador sem especificar muito, já que esses dados estão contidos no objetivo geral.
Como "descrever comprensivamente o que é e como é" torna-se quase um clichê, o pesquisador pode optar pela seguinte proposta:
SENTIDO INTERROGATIVO DA PESQUISA: O que é e como é ser José, um garoto com deficiência intelectual, devido a uma Síndrome de Down e exames psicométricos, além de história de fracasso de rendimento/ desempenho escolar, estando agora, aos 16 anos de idade, internado em um hospital público, devido a um quadro grave de câncer no cérebro?
SENTIDO COMO META/ NORTE/ DIREÇÃO GERAL FENOMENOLÓGICO DE PESQUISA: Descrever compreensivamente José, um garoto com deficiência intelectual, devido a uma Síndrome de Down e exames psicométricos, além de história de fracasso de rendimento/ desempenho escolar, estando agora, aos 16 anos de idade, internado em um hospital público, devido a um quadro grave de câncer no cérebro.
SENTIDOS COMO METAS/ NORTES/ RUMOS/ DIREÇÕES ESPECÍFICOS FENOMENOLÓGICOS DA PESQUISA: Descrever compreensivamente o que é e como é ser: a) José junto com seus pais e familiares no hospital, no seu domicílio, na escola; 2) José e seus modos de compreender os procedimentos médicos, de enfermagem, de psicologia, do serviço social; 3) José e seus modos de ser na classe hospitalar... etc.
São apenas sugestões, pois o orientando pode seguir outros caminhos, o uso de outros verbos, mas o texto inteiro demanda um pesquisador atento às idéias contidas em termos como: [1] "descrever", [2] "compreender" ou tentativa de empatia, [3] "modos de ser", [4] "ser", [5] "o que é",  [6] "como é", [7] "ir  às coisas mesmas", [8] intencionalidade, [9] redução fenomenológica; [10] consciência, [11] experiência vivida, vivido, [12] subjetividade na Fenomenologia estudada ou requerida no "seu" estudo, ou seja, o marco teórico que o pesquisador escolheu trabalhar.
Está claro que esse cuidado é um tipo de rigor advindo da pressão acadêmica positivista, e que se instalou no método fenomenológico, havendo outras propostas até mais ousadas, MAS que na aula de hoje, esse foi nosso tema. Outros temas virão nessa mesma seara.
Outro esclarecimento, que o leitor pesquisador não deve tomar o texto como recomendações, mas como sugestões. A ciência se faz provocando-a, mas ao mesmo tempo é preciso descrever compreensivamente as especificidades do saber-fazer método ou trajeto fenomenológico de pesquisa.

4. Prescrito
Esse texto, repetimos, é experimental, no sentido de ser um ensaio, apenas um rascunho. Ele foi elaborado de uma vez só e inicialmente publicado no Facebook denominado Grufei - Grupo de Fenomenologia, Educação (Especial) e Inclusão. 
É um texto que sofre mudanças, ampliações, reduções, revisto...
Ele não pretende ser um texto definitivo, e nem modelar em indicar regras, métodos, caminhos seguros - mas apenas pistas de como temos tentado realizar pesquisa fenomenológica, reconhecendo nossa ligação fundamental com a Psicologia Fenomenológico-Existencial, e só depois nossa inserção na Filosofia donde temos certeza de que se o método saído daí, ele se transformou em algo diferenciado da proposta de Husserl - ele virou um método da Psicologia Fenomenológica, Psicologia Existencial e ou Psicologia Humanista-Existencial.
Nosso ensaio abordou o método (como trajetória do pesquisador), os modos possíveis de análise/ interpretação dos dados, reconhecendo que compreender é um modo de análise empática. Finalmente fechamos com um dos problemas dos nossos orientandos: o que escalonar questão (e objetivo) de pesquisa compatível um com o outro.

REFERÊNCIAS
MOREIRA, Virgínia. O Método Fenomenológico de Merleau-Ponty como Ferramenta Crítica na Pesquisa em Psicopatologia. Revista: Psicologia: Reflexão e Critica, 2004, 17(3), pp.447-45.
FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Psicologia Fenomenológica. São Paulo: Pioneira, 2001.
PINEL, Hiran. Apenas dois rapazes e uma educação social; cinema, existencialismo e educação. Vitória: Do Autor/ UFES/ PPGE, 2004. Artigo experimental.
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NOTAS:

[1] EM CITANDO ESSE TEXTO, FAVOR REFERENDAR... ATENTE PARA AS QUESTÕES DE PLÁGIO... O blog é sítio.  O autor é Hiran Pinel. O título está claro.

[2] Esse ensaio científico é um ensaio, logo algo inconcluso, experimental, um rascunho. Trata-se de um pequeno trecho do meu "projeto de estágio de pós-doutorado" já publicado e apresentado ao Programa de Pós-Graduação de Mestrado Profissional em Educação PPGMPE, do Centro de Educação – CE, da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, objetivando obtenção do certificado de estágio pós-doutoral em Educação, na área da Educação Especial, sob orientação/ supervisão do professor doutor Vitor Gomes.


APÊNDICES 1

1.1.
COMO TRABALHAR A ENTREVISTA NÃO-DIRETIVA QUE VC PRODUZIU NO CAMPO DA PESQUISA FENOMENOLÓGICA?
TRANSCREVER
TEXTUALIZAR
TRANSCRIAR
Bom-Meihy sugere 3 etapas para vc começar a trabalhar sua entrevista não diretiva (os dados produzidos). Aqui eu faço o meu texto em cima das ideias desse autor - são minhas ideias (MEUS TEXTOS), conforme minhas memórias:

1. Transcrever (tá claro, num é?) Vc escuta a gravação da entrevista NÃO-DIRETIVA, e transcreve tal qual foi dito pelo outro, bem como de suas intervenções, que por sinal TÊM que ser NÃO-DIRETIVAS;

2. Textualizar - dar texto ao texto; corrigir repetições que possam cansar ao leitor (né...; então... etc.) e erros de português ditos (a não se que vc tenha justificativa para manter isso... eu pessoalmente, gosto de manter, para dar uma ideia do clima, mas repetições eu corto)... MAS RECORDE: o entrevistador pode dar opiniões, ele pode reler o que disse e que vc escreveu *transcreveu e textualizou;

3. Transcriar - é isso: É DAR TEATRO AO TEXTO ADVINDO DO VIVIDO - ou seja: teatralizar o mundo vivido da pessoa que colabora com a sua pesquisa, na sua produção de dados. A transcriação tem aparecido entre parênteses ou colchetes (tem que padronizar) - não é regra, mas tem ocorrido assim, mas não é norma, regra, algo taxativo. Recordo-me de uma entrevista no Pasquim com Wanderléa. O entrevistador: "Você se considera linda e estonteante, Wandeca?" A resposta da estrela: "Não! (jogando suas madeixas loiras para um lado, retornando-as, com um olhar sensual fixo para mim)". A resposta da cantora foi "não", mas pela transcriação que os jornalistas fizeram e colocaram entre parênteses, dá pra perceber o quanto sua linguagem oral pode estar sendo (in)compatível com o sentimento da artista, ou o quanto ela ficou lisonjeada ou o quanto ela discorda, mas fez um chame muito maior do que ser apenas linda e estonteante etc. ... Eu costumo falar "DAR TEATRO À VIDA DA PESSOA QUE COLABORA COM A PESQUISA"... Não é interpretar um dado produzido, mas de uma outro tipo disso: ao descrever o acontecimento, vc vai compreendendo - sem dizer isso ou aquilo - simplesmente transcriando você estará interpretando de um outro tipo (de interpretação)...

1.2.
"- FALE-ME MAIS SOBRE ISSO..." - um tipo de intervenção (via entrevista não-diretiva) que faz o pesquisador fenomenologia. Ele NÃO dirige a entrevista, a estrela é o outro e não o pesquisador... No mais é perguntar, diante de determinada fala do outro: O que é isso? Como é isso? O que significa isso pra vc, no que vc está dizendo (ou fazendo)? O que vc sentiu (ou o que está sentindo)? O que vc pensou (ou o que está pensando)? Descreva-me o que vc fez? Como vc o fez?

1.3.
A pesquisa fenomenológica está interessada na experiência subjetiva do outro (não na sua - do pesquisador). Se uma boa questão de pesquisa nessa seara é: "o que é e como é..."... Logo, uma entrevista de pesquisa deve ser assim, o mais ampla possível, evitando direcionamentos. Pode começar assim: "Fale-me sobre isso"... "O que é isso que vc falou" ... "Como é isso"... Não tem que dirigir a conversa, dar opiniões (o mundo está cansado de opiniões, ainda mais das suas kkk)... A pessoa que colabora com a pesquisa te pergunta: "A senhora acha que uma professora como eu sou, com mestrado e doutorado em educação, pode não ser inclusiva? Me diga! Me diga"... Vc ficará tentada a agradar e dizer sim, ou se deseja confusão, é discordar produzindo um arrazoado de justificativas técnicas, teóricas, ideológicas etc. Vc pode dizer: "O que significava ser professora inclusiva pra você?" ou "Você me pergunta, mas eu não tenho resposta... Qual a sua?" Ou seja, evite direcionar a conversa, pois ela acaba logo, mais com sua opinião (sua subjetividade) do que a subjetividade do outro seu foco de pesquisa. Isso daqui é aula de entrevista não-diretiva? NÃO, são apenas pistas para motivação de ir além. Nós fizemos uma oficina com entrevista não diretiva, recordam? Foi com o modelo de relacionamento de ajuda... Recordam? Vá ler livros sobre o tema, estudá-los... Vou postar textos sobre esse tema...

1.4.
Depois de uma entrevista não-diretiva vc pode optar:

a) transcrevê-la toda e apresentar no seu relatório final de pesquisa e compreendê-la (recorde que seu objetivo pode ser "descrever compreensivamente", e compreender é uma forma de análise, de interpretação hermenêutica ou fazer hermenêutica);

b) vc pode transcrevê-la, eliminando suas interrogações nas conversas (interrogações não diretivas) compondo um único texto narrativo, ou depoimento ou etc.
De quaisquer modos, "vc" (pesquisador) deve "dizer" (escrever/ descrever) isso na na sua "trajetória da pesquisa", melhor nome do que "metodologia". Classicamente a "trajetória da pesquisa" tem sido denominada de "metodologia da pesquisa", mas trajetória é o melhor nome... Na aula posso esclarecer melhor, a filosofia por detrás disso.

1.5.
BIBLIOGRAFIA MÍNIMA PARA QUEM DESEJA INICIAR EM PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL, SEGUNDO SÍTIO DO INSTITUTO DE PSICOLOGIA DA USP:

Bibliografia fundamental
Dartigues, A. O que é a fenomenologia. Rio de Janeiro: Eldorado, 1973.
Merleau-Ponty, M. Ciências do homem e fenomenologia. São Paulo: Saraiva, 1973. Rogers, C. R. " Pessoa ou ciência? Um problema filosófico". IN: Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1980. Sartre, J. P. O existencialismo é um humanismo. IN: Os Pensadores. São Paulo: Abril, 1978. Sartre, J. P. As palavras. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Bibliografia complementar Coelho JR., N. e Carmo, P. S. Merleau-Ponty: filosofia como corpo e existência. São Paulo: Escuta, 1991. Cohen-Solal, A. Sartre: 1905-1980. Porto Alegre: L&PM, 1986. Lyotard, J. F. A fenomenologia. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1967. Merleau-Ponty, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1994. Sartre, J. P. A náusea. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

1.6. Mais livros:
EDUCAÇÃO/ PEDAGOGIA

De: Yolanda Cintrão Forghieri: "Psicologia fenomenológica; fundamentos, método, pesquisas" e "Aconselhamento Psicológico; origem, fundamentos e prática" - ambos os livros INDISPENSÁVEIS ... Ed. Pioneira.
De: Antonio Carlos Ciampa: "A Estoria do Severino e a Historia da Severina" - da editora Brasiliense (indispensável). NOTA: Cita existencialista Heidegger, por ex...
De: Danilo R; Streck et al., o livro "Dicionário Paulo Freire" (2a ed., revista e ampliada).
De: Lìgia Assumpção Amaral o livro "Conhecendo a deficiência (em companhia de Hércoles)" - que tem muito do existencialismo, sem a autora especificá-lo;
 De: Janusz Korczak, "Como amar uma criança" e outros.
De: Paulo Freire, "obras completas".
De: Joel Martins e Bicudo: "Estudos sobre existencialismo, Fenomenologia e Educação" (Centauro Editora).
De: Nelino Azevedo de Mendonça: "Pedagogia da humanização; a pedagogia humanista de Paulo Freire" - da ed. Paulus.
De: Burow e Scherpp o livro "Gestaltpedagogia um caminho para a escola e a educação", 3 ed, editora Summus.
De: Moacir Gadotti, "Histórias das Ideias Pedagógicas" - os capítulos 11 e 12, assim com o capítulo: 15 - Paulo Freire e Rubem Alves. O cap. 9 aborda o pensamento pedagógico socialista, que muito nos ajuda compreender o significado de ser no mundo.
De: Adriana G. Gonçalves e Eduardo José Mazini, o livro "Classe hospitalar" - da editora da abpee (2011).

De: Franz Vitor Rúdio - diversos livros na educação e na psicologia clínica, assim como na orientação educacional, como o livro: "Orientação Não-diretiva, na Educação no Aconselhamento e na Psicoterapia" (vozes).
De: Laís Esteves Lofredi: "Paradigma de orientação educacional: baseado no modelo de relação-de-ajuda de Carkhuff" (ed. Francisco Alves).

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PSICOLOGIA CLÍNICA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL
De: Ruth Scheeffer os livros "Aconselhamento Psicológico" e "Teorias do Aconselhamento" ambos os livros da editora Ática.
De Jorge Ponciano Ribeiro: "Conceito de Mundo e de Pessoa em Gestal-Terapia" - da Summus.  
RIBEIRO, Jorge Ponciano. Psicoterapia; teorias e técnicas psicoterápicas. Segunda edição revista e ampliada. São Paulo: Summus, 2013b.
De: Hall e Lindsey: "Teorias da personalidade", volume 2, 18a edição, editora EPU, de 1984.

De: Monique Augras: "O ser da compreensão" - da Vozes.

De: Tereza Cristina S. Erthal: "Treinamento em Psicoterapia Vivencial" e "Terapia Vivencial: uma abordagem existencial em psicoterapia" - ambos da Vozes.

De: José Paulo Giovanetti, o livro "Psicoterapia Fenomenológico-Existencial" (da ed. Voa Verita, 2017).

De: Feist et al.: "Teorias da Personalidade" - Ler capítulos referentes à Erich Fromm (cap. 7) e capítulos: 9 (Maslow), 10 (Rogers) e 11 (Rollo May)

De: Miranda e Miranda, "Construindo a Relação de Ajuda" da editora Crescer, de Belo Horizonte.

Mais: Medard Boss, Ludwig Binswanger (caso Ellen West), Karl Jaspers etc. etc.

Mais: Angerami-Camon (psicólogo existencialista)...

Mais: Francisco Varella (chileno),

Mais: Edith Stein (também filósofa, mas com alta contribuição para a clínica psicológica, quando estuda a empatia).

Virgínia Axilene - de "Dibs" e de "Ludoterapia" - que são dois livros.

De: Sérgio Leonardo Gobbi et al. "Vocabulário e noções básicas da abordagem centrada na pessoa" (Vetor).

De: Ênio Brito Pinto: "Elementos para uma compreensão diagnóstica em psicoterapia: o ciclo de contato e os modos de ser" - da Summus.

De: Angerami-Camon: "Psicoterapia Existencial" - da Thomson; outro livro: "O atendimento Infantil; na ótica fenomenológico-existencial" (Camon et al); editora Cengage.

De: Gerald Corey:"Técnicas de Aconselhamento e Psicoterapia" - da editora Campus.

De: Márcio Lúcio de Miranda: "A relação de ajuda; guia do treinando" - Editora Ceap. Outro: "A relação de ajuda: guia do treinador" da editora Crescer.

Livros de Mauro Martins Amatuzzi, como "Por uma psicologia humana", da Alínea. Tem: "Psicologia na comunidade; uma experiência", também da Alínea. 

Livros de Viktor Emil Frankl como "em busca de sentido; um psicólogo em campo de concentração" (Vozes)

SCHUTZ, Alfred.  Sobre Fenomenologia e relações sociais (da ed. Vozes). Livro de Sociologia que contribui com uma Psicologia Social fenomenológica.

De: Carli Ranieri: "Fenomenologia e questão social" (ISBN:  8565540065). Editora: Papel Social. NOTA: livro de serviço social que nos ajuda em muito.
De: Ernest Keen: "Introdução à Psicologia Fenomenológica" - ed. Interamericana.

TANTOS livros de Psicologia Fenomenológica e correlatos.

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FILOSOFIA

De: Cerbone: "Fenomenologia" (Vozes)

De: Jack Reynolds "Existencialismo" (Vozes)

De: SARTRE. Crítica da razão dialética.

De: E outros filósofos considerados ou descritos como existencialistas, fenomenologistas ou humanistas-existenciais: Nietzsche, Kierkegaard, Buber, Heidegger, Merleau-Pony, Sartre, Camus, Levinás etc. etc.
Henri Bergson.

Edmund Husserl... indispensável compreender o surgimento da Fenomenologia enquanto filosofia e método.
"Hermenêutica" - esse tema tem em alguns livros de Gadamer. Pesquisar o termo: círculo hermenêutico. Há o livro dele: "Verdade e Método" (volumes: I e II).
De: Thomas R. Giles. História do existencialismo e da fenomenologia. 3 volumes.
MERLEAU-PONTY: Fenomenologia da Percepção.
HEIDEGGER. Ser e tempo.
SARTRE. Ser e Nada; O método.
BUBER. Eu e tu.

ARTES, LITERATURA, POESIA, CINEMA Cinema de Igmar Bergaman, Apichaptong Weerassetakhul (maravilhoso), Federico Fellini, Akira Kurosawa, Rilke, Hesse, Kereouac, Fernando Pessoa, Caetano Veloso, Franz Kafka, Wood Allen, Malick, Walter Hugo Khoury, Walter Salles, Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Godard, Clarice Lispector, o "movimento tropicália" na música popular brasileira, Guimarães Rosa...
Séries yaoí ou de marca, na TV, produzidas na Tailândia como Sotus The Series e Sotus S The Series, assim como Hormones The Series. EM: Project S - The Series : Side By Side, narra-se a vida de um atleta autista etc.
Diversos quadros de pintura como "O Grito" de Edvard Munch e outros.
Grupo de Dança Pina Bausch.
Cinema de Pedro Almodóvar.
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MÉTODO De: Daniel Augusto Moreira o livro "O método fenomenológico na pesquisa" da ed. Thomson/ Pioneira. 

De: Dulce Mara Critelli: "Analítica do Sentido" - da ed. Brasiliense.

De: Maria Aparecida V. Bicudo e outros: "Pesquisa qualitativa segundo a visão fenomenológica" - da ed. Cortez.

De: Antonio Carlos Gil: "Como elaborar projetos de pesquisa", APENAS a partir da 6a edição (2017) - pp; 35-36; 124-130. NOTA: Cuidado com um leitura imediatista que o texto pode sugerir ao desavisado; é preciso fazer epoché e eidos, sempre recordem disso.

De: Jean Poupart et al. "Pesquisa qualitativa; enfoques epistemológicos e metodológicos". Ed. Vozes.

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PSICOLOGIA NÃO FENOMENOLÓGICA
De: Bock et al.: "Psicologia Sócio-Histórica; uma perspectiva crítica da Psicologia" (6a edição); da Cortez. NOTA: a Psicologia Sócio-Histórica muito pode nos ajudar se consideramos o ser no mundo.
De: Terezinha C. P. Campos o livro "Psicologia Hospitalar" (ed. EPU).

De: Bock et al. "Psicologias". Editora Saraiva. 

De: Gabriel J. Chittó Gauer e Ruth M. Chittó Gauer, o livro "A Fenomenologia da Violência", da editora Juruá. NOTA: livro de Sociologia com contribuições para a Psicologia Social.

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TRANSCREVER, TEXTUALIZAR E TRANSCRIAR.. De: BOM-MEIHY - "Manual de história oral" (da Loyola). Tem livros específicos sobre entrevistas (não diretivas), narrativas, depoimentos, história oral de vida, uso de fotografias e filmes em pesquisa fenomenológica etc.

OUTROS LIVROS E OUTROS (ARTES, CINEMA ETC.) PODERÃO SER LEVANTADOS NO PERCURSO DO MEU PÓS-DOUTORADO (2018).