quarta-feira, 6 de dezembro de 2017


SKIN-SHIP: O QUE É?
Hiran Pinel, autor.
INTRODUÇÃO
Quem é fã de mangás, animes, cinema, séries e webséries (advindas de mangás) precisa antenar-se com "mil termos" (kkk) vindos do Japão (principalmente), Coreia do Sul, Tailândia, até China (especialmente de Taiwan) ... Tem vez que um bom termo em português dá conta do recado, mas dizer em japonês (traduzido para o Ocidente via inglês) dá todo um charme, e nós amamos pronunciar um ou mais nomes estrangeiros. 

Vemos em shows de cantores (masculinos) e em fanmeeting de atores (masculinos) eles se esfregando, se beijando, se tocando em exagero, fazendo carícias entre si... Serão gays, ó céus? kkk NÃO! Trata-se do skin-ship, ou skinship... Pode até ser gay, mas não é essa a intencionalidade, ao contrário, deseja-se mostrar rapazes héteros em carícias gays, mas não gays, e as fãs (femininas) adoram isso, se tornam mais fãs, consomem mais os produtos daquela banda ou série ou cinema... Pelo menos parece isso. 

OBJETIVO
Descrever o que é skinship, e o impacto disso na produção de frenesis de fãs (sexo feminino, mas também masculino em muito menor frequência) frente a seus ídolos masculinos que nos seus personagens (ou não) produzem tal evento, se esfregando um no outro, insinuando praticar sexo, ou mesmo fazendo isso, tomando banho pelados juntos, dando beijinhos na testa, selinho e beijos de língua etc. Esse tipo frenético do gostar delas diante do skin-ship dos seus ídolos é visível durante shows e ou fanmeetings (que acaba sendo, alguns, uma espécie de show). 

Esse esfrega-esfrega entre rapazes (atores masculinos) pode acontecer em cinema, mas atualmente acontece muito nas assim denominadas séries de TV e ou webséries, deve também acontecer em peças de teatro, telenovelas, cinema de TV etc. Mas é comum os assim denominados shows (quando é uma banda com as de k-pop) e especialmente fanmeetings.

MÉTODO
Para responder a esse tema, chamado "skinship" recorri primeiramente à textos informais que li internet e do que eu entendi... Depois, por ser membro de algumas páginas do Facebook dedicados especialmente aos fãs de séries de TV e webséries (dos quais sou um aficionado), perguntei o que seria esse tema, e essas opiniões foram clareando meus sentimentos/ emoções e pensamentos - configurando minha subjetividade acerca da temática. 

É adequado trazer aqui à lume, que esses grupos amam usar termos em inglês, temos advindos da oralidade do idioma original como japonês e ou coreano, assim como tailandês etc. No caso, skin-ship é inglês...


Ao final um artigo aproximado ao científico, pelo menos na forma (kkk), do tipo qualitativo, muito experimental, configurando talvez o que podemos dizer ser um "paper", ou seja, um artigo-resumo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO 
O termo SKIN-SHIP envolve palavras como pele/ corpo (skin) e tocar/ relacionar (ship vem de relationship = relacionamento)

No começo (e ainda hoje) o termo se relacionava apenas ao contato íntimo mãe e bebê. Logo, o termo não teria uma conotação sexual, numa dimensão consciente, como se tem hoje, pelo menos entre alguns fãs brasileiros e espanhóis - como pude constatar. Falava-se de um contato íntimo e não-sexual, algo do amor platônico, podendo envolver pessoas (ídolos ou pessoas comuns), do mesmo sexo (masculino-masculino, preferencialmente) ou sexos diferentes um do outro, masculino-feminino, ou feminino-feminino (menos comum). 

Pode envolver banho entre duas pessoas do mesmo sexo, pois há uma tendência em considerar que a nudez é algo que aproxima os amigos sinceros, provoca que os caras acabem com possíveis anteparos de um bom relacionamento de amizade empática. No banho, geralmente em dupla, os amigos podem se sentir mais libertos de estigmas e medos do outro, perdem pavores social e historicamente construídos, como um "comer o outro" (fazer sexo) etc. Outra coisa que dizem ser bem comum, mas não generalizada, é de rapaz sentar no colo (pernas) do outro, e às vezes, trocar carícias, conversar baixinho um com o outro: "isso é comum numa escola de Seul onde fiz pós-doutorado", disse-me um fã de ídolos sul-coreanos, mas um pouco mais maduro, e sendo espanhol, ele diz que presenciou e se sentiu, no começo, incomodado com skinship entre pessoas comuns do cotidiano, mas depois "eu relaxei e passei a respeitar, apenas isso... Eram rapazes mais jovens, no começo da faculdade e eu já mais velhinho (risos) no pós-doutorado"... Esse mesmo deponente, contou que tais condutas ele percebeu também em ambientes de trabalho formal, nos horários de descanso (almoço, cafezinho): "aí o skinship é quase formal, até mesmo nos gestos de tocar, nos ato de mostrar alguma intimidade, um olhar de cumplicidade, piscadelas de olhos, e mesmo sentar no colo, ou insinuação de 'strep-tease' - falo de insinuação e é minha percepção, achava que saia muito formal, quase que uma obrigação para animar o trabalho, relaxar"... Mas o trabalho é um ambiente rígido como na maioria dos países, mas "ainda assim eu cheguei a ver uma ou duas vezes o skinship acontecer". 

Assim, o termo skin-ship envolve não apenas ídolos, mas seria uma conduta comum entres simples mortais, tendo mulheres como olheiras preferenciais, mas não só. 

Teve um fã que me disse no Facebook ter ido à Coreia do Sul onde é comum ver dois rapazes com condutas bem íntimas andando pelas ruas. Um outro amigo-face aventou que tal conduta é comum entre rapazes de países rígidos e regidos por textos religiosos - onde a religião é a sua constituição legal - ele teria ido a um desses países, que não quis citar: "Os rapazes saem juntos, pegam nas mãos, se abraçam muito". No Brasil é comum duas mulheres irem juntas ao banheiro, mas isso não é comum entre homens. No Brasil ainda, no futebol, para comemorar a vitória, o abraço/ afago/ beijo entre dois jogadores pode produzir um frenesi associado ao gol que traz conotações sexual (a bola enfiada/ penetrada no espaço geográfico denominado locus do gol). E mais: "no nosso país já se esboça garotas-fãs que vão aos shows e ficam alegres e ou excitadas sexualmente quando duplas sertanejas se tocam, por exemplo" - comentou um amigo-face. 

Nesses meus bate-papos no face sobre o skinship, ocorreram casos de associarem tal ação com o começo de um namoro e ou amizade muito íntima, relacionamento chegado etc.: "(...) a coisa fica confusa, no começo é o skinship e depois desenvolve-se um namoro".

Mas nosso tema aqui-agora se refere a algo específico de skin-ship: ídolos masculinos se tocam e se esfregam, com ou sem tom sexual, e isso provoca frenesi entre a grande maioria de fãs garotas/ mulheres adolescentes. 

Mas o que é o skinship como ato praticado por ídolos de séries, cinema, música? Antes de tudo, leio, que os artistas praticam "isso" (skinship) devido ao desejo deles mesmos em agradar aos fãs. Outro viés: eles o fazem por determinação contratual, a empresa que contrata exige tal ato, pois isso vai agradar aos fãs (geralmente de determinados países asiáticos), geralmente mulheres, mas que acabam por conquistar homens, sejam eles héteros ou gays ou outro tipo. Elas adoram, e falo em "elas", as mulheres atraídas em ver (e sentir) dois homens se tocando intimamente, afetivamente, amorosamente, sexualmente (insinuações)... Também é uma coisa que se praticada chama atenção em uma cultura repressora ao corpo, justamente por ser algo não tão comum assim, mas que se desvela como certa favorabilidade, com apoio... 

A cultura oriental é até mais repressora do que a nossa, a gente tem carnaval, beijos héteros em público, biquínis e sungas bem diminutos ou que marcam o corpo etc. Tem cultura que é pior do que a nossa em termos de condenar a entrega do corpo ao outro e até mesmo a si (si-mesmo). O skinship em público, levado a muita intimidade, é até condenado por lei em alguns países, e pode ser taxado de atentado ao pudor. Países religiosos ao extremo, pode condenar aos rapazes a chicotadas e até à morte se for provado que são gays. 

Qual a origem do termo skin-ship?? Como já disse, é apenas uma junção entre a palavra “skin” (pele) e a terminação “ship” – que vem da palavra “relationship” (relacionamento). Li que isso pode se referir aos níveis de muita e intensa intimidade físico-corporal, ou, mais simplesmente, tocar, esfregar-se um no outro com tons de sedução, alegria e prazer. 

Skinship pode variar entre dar as simplesmente as mãos. No Brasil isso não é bem visto, nem entre familiares... Dá briga em certos lugares. Tivemos caso de um pai andando de mãos dadas com um filho jovem, e foram objetos de preconceitos, pois acreditavam tratar-se de casal gay. Mais exemplos desse ato: carregar o outro nas costas, beijar a testa e até mesmo selinho (ao estilo Hebe Camargo, a falecida) etc. O artista agindo assim ele simplesmente chama mais atenção para sua arte, e tema de conversas, as fãs os procuram etc. O skinship é exigido de artistas ou bandas masculinas, e quase nada das bandas ou grupos femininos.

As mulheres asiáticas, dos vídeos que assisti de fanmeeting, se apaixonam por isso, caem de boca - gritam, gemem. Elas pedem aos ídolos para reportarem a uma determinada cena de uma série, por ex., que elas amaram, e os atores reproduzem ali na sua frente, deixando-as louca de amor pelo casal. Há assim, dentro de várias possibilidades, algo que as atrai, seja numa dimensão do desejo mesmo, do desejo sexual e até de um desejo sócio-político de apoio aos homens que se amam entre si - apoio aos gays e aos movimentos políticos ao entorno. Elas acabam atuando contra a repressão dos corpos masculinos e parecem dizer: "o amor entre vocês me agrada muito, fico agitada e alegre, e tem vez que fico excitada sexualmente".

Uma fã brasileira que se define otaku, diz que quando vê uma cena de uma série ou webserie, "bem skinship, eu fico doida, meu coração bate forte, minha pulsação acho que se descompensa, meu açúcar vai lá em cima e por segundos fico diabética do mais profundo amor pelos dois, e quando estou shipando [torcendo] o casal [personagens que praticam skinship], eu sinto tudo isso mais forte, sabia?'.

CONCLUSÃO
Há todo um jogo intencional (de mercado) por detrás do skin-ship, visando especialmente conquistas as fãs, isso, as mulheres fãs, que por algum motivo amam ver e sentir dos meninos se esfregando. 

Falamos aqui-agora do impacto da arte (séries de TV e "webseries", fanmeetings, shows) na produção subjetiva de fãs (sexo feminino) de yaoí ou assemelhados.

PÓS ESCRITO
Vamos fazer do nosso existir um constante e bem humorado skin-ship kkk seja entre o mesmo sexo (sempre) e entre sexo diferenciados (que nos pode parecer mais fácil, mas nem sempre é kkk)...

REFLEXÃO
E se ao produzirmos skin-ship formos confundidos com assedia(dores) - fazer assédio? Aí é refletir: estou de fato brincando (inventando ludicidade com conteúdo ingênuo e infantil) comigo e com o outro, ou estou aproveitando do outro e abusando dele/ dela? O limite entre uma coisa e outra é muito sutil, frágil...



* * *

PARA LER MAIS SOBRE O TEMA FOCANDO A MOTIVAÇÃO DESSAS GAROTAS: http://hiranpinel.blogspot.com.br/2015/07/possiveis-motivacoes-dapaixao-feminina.html

PARA LER MAIS SOBRE TERMOS COMUNS E SUAS DEFINIÇÕES NO MUNDO DAS FÃS DE SÉRIES E OU YAOÍ OU DE TEMÁTICAS GAYS, OU BOYS LOVE: http://hiranpinel.blogspot.com.br/2017/02/nem-ouso-dizer-o-nome-e-nao-e-amor-ya.html



domingo, 3 de dezembro de 2017

(...) ser é um apelo que convoca a ser compreendido em seu próprio destinar-se (...) este destinar-se do existir (...) é o [que é] buscado pela fenomenologia existencial. O destinar-se do ser é o que podemos nomear como o sentido de ser. Tomamos (...) o termo sentido não como (...) significação. Sentido é, para nós, o mesmo que destino, rumo, direção do existir" (CRITELLI, 2006; ; p. 57).

Estudamos o sentido de ser algo ou alguém, e então descreveremos compreensivamente o rumo que o ser-aí (pessoa) dá ao seu existir, o que ele se destina como ser-no-mundo.

REFERÊNCIA:
CRITELLI, Duce Mára. Analítica do sentido; uma aproximação e interpretação do real de orientação fenomenológica. São Paulo: Brasiliense, 2006.

NOTA: O comentário (sem aspas) é minha opinião, nada mais do que isso. Ler o original citado na referência.

sábado, 2 de dezembro de 2017

TOME TENÊNCIA, VERGONHA NA CARA . . .
"Marty" (1955; direção de Delbert Mann) é um filme famoso, ganhador de Oscar, e o primeiro filme estado-unidense a entrar na União Soviética permitido pelo Governo de lá... Muito sucesso, Oscar a vontade... kkk

MINHA SINOPSE: Marty tem 36 anos de idade (ator Ernest Borgnine) e ainda não se casou, seus irmãos se casaram todos. Ele é cobrado por amigas da família e a própria família por isso. As freguesas de seu açougue o cobram "tome vergonha e se case". Ele já é maduro (para época do filme, ele era solteirão), vai aos bailinhos (clubes de dança), é gordo e se acha feio demais... O ator dá um show de interpretação - show... sentimos com+paixão por aquele auto-abandono e de como nossa sociedade despreza os mais velhos (para seu espelho kkk) - gordos e feios. Um dia ele vai ao clube de dancinhas com o finco de sempre convidar as garotas e elas sempre lhe dizem não kkk é gordo, feio e açogueiro... elas o olham de baixo pra cima e fazem cara de desdém... kkk ridículas... kkk Morro de ódio...kkk Mas, paralelamente acontece uma história parecida, trata-se de Clara (atriz Betsy Blair), que é rejeitada por um cara. Nesse filme sempre os rapazes são mais maduros (+ de 30 anos), vestem terno, quando a juventude da época já usava jeans e tênis e dançavam rock... Parecem jovens da classe trabalhadora. Os rapazes dançam rumba, bolero, mas há filmes de rock na época... Logo é um filme sobre homens solitários, trabalhadores e arrogantes/ machistas: eles se sentem sempre "os" lindos (ou nem tanto, se auto-desprezam), e as mulheres devem ser sempre novinhas pra excitá-los nas suas dificuldades, que são mais culturais do que psicofisiológicas kkk aff... Clara tem 27 anos de idade - mais ou menos (não me recordo kkk). Clara, sim esse é o nome dela, e é sempre é rejeitada - no começo do filme um cara a rejeita, trocando-a por uma novinha do pedaço kkk Marty então vai atrás da rejeitada e começa um amor tranquilo, mas com alguns conflitos... O final é espetacularmente cinematográfico: Os amigos de Marty odeiam Clara que é velha e feia, a mãe por morrer de ciúme diz que ela é velha também (ela é graduada pela Universidade de Nova Iorque)... Bem, os amigos estão num bar de Nova Iorque, falando aquelas besteiras de homens (velhos kkk solteirões), mas que se acham moços: falam mal de políticos que proibiram strip-tease, a perseguição às prostitutas, pra eles "toda mulher é da calçada (puta)" etc. Como é hoje em dia... kkk Marty se enfurece, manda o grupo calar a boca e debocha deles, e levanta uma interrogação que mereceria investigação: "Por que estou nessa merda com vocês? Eu tenho uma mulher que amo, que me ama, que vai passar o Natal comigo pra nunca mais chorar, pra nunca mais ficar só...". Sai do grupo e vai a uma cabine de telefones (estamos em 1955 kkk). O seu melhor amigo, que disse que Clara é "galinha velha", o acompanha e Maty diz: "Eu não gostei do que vc falou dela, de que Clara é feia e velha..." O amigo fica mudo e visivelmente entristecido, diante da toma de decisão, algo que lhe falta. Marty entra na cabine e disca pra Clara, que está assistindo TV em sua casa com os pais, e desiludida - essa cena deu-lhe o Oscar, dizem... são segundos de cena... Enquanto Clara vai atender o fone, ele vira para o amigo e diz: "Você não tem vergonha não! Já um homem maduro e não casou ainda... Tome tenência, tome vergonha na cara". Marty repete o que sempre lhe diziam... Marty então pede licença e fecha a porta da cabine e diz: "Alô Clara!"... Fim... Muito romântico, e como todo e qualquer filme, igualmente romântico quase toda arte (kkk) .... tudo é romantizado, mesmo que o real grite kkk tudo tem um discurso ideológico, e "Marty" é uma película romântica e pouco política, MAS é uma obra de arte, temos que assistir, nos envolver existencialmente (afeto, amor, emoção, sentimentos, desejos etc.) e ao mesmo tempo distanciar-se reflexivamente (cognição, significados, sentidos)... Vale a pena pessoal! Vale a pena!

O que esse filme pode nos ensinar (e a gente aprender) sobre o amor? Eu perguntei ao final meus alunos na disciplina Orientação de Pesquisa, futuros professores e investigadores. Prossegui: Como esse amor pode ser levado/ traduzido na relação professor-aluno? Como podemos pensar-sentir-agir a partir desse filme, nossa ação sentida de ensinar crianças especiais?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Assim se passaram dez anos...


O FILME TAILANDÊS, DE 2007, "LOVE OF SIAM" ["UM AMOR DE SIÃO"], CUJO DIRETOR É  CHOO-KIAT SAKVEE-RAKUL, FAZ, EM 2017, DEZ ANOS DE SEU LANÇAMENTO...

VAMOS COMEMORAR O ANIVERSÁRIO DESSA OBRA DE ARTE SENSÍVEL?

MINHA SINOPSE 

Aos dez anos de idade, Mew e Tong são vizinhos. Mew é um garoto tímido e teimoso, enquanto Tong é um menino mais extrovertido e enérgico, que vive com seus pais e sua irmã, uma família católica romana de origem chinesa. Tong quer fazer amizade com Mew, mas o garoto mostra-se quieto e inicialmente fechado. Na escola, Mew é provocado por vários outros alunos e perseguido por ser muito tímido e delicado, até Tong tomar a iniciativa de defendê-lo, afinal um brigão, mandão. Tong e Mew começam uma amizade densa, tensa e intensa. Tong dá um boneco de presente a Mew, mas falta uma parte ao objeto (o nariz de madeira), que passa a ser humanizado por ele (Mew) e por ambos - passa ser o símbolo do afeto que se encerra entre os dois - esse brinquedo Mew guardará para sempre. Mew, ao mesmo tempo, recebeu um outro presente, um piano de seu avô, usado constantemente por sua avó, que gosta de tocar uma canção chinesa - e essa canção será dos dois rapazes. Mew constrói interesse pela música. A irmã de Tong desaparece em um piquenique e a família toda se fratura psicologicamente, e todos os membros mudam pra Banguecoque - os dois se desligam, pele menos aparentemente. Tong arranja uma bela e interessada (kkk) namorada. Depois Mew perde a família por morte natural, vai pra Banguecoque estudar, mora só em um quarto em um bairro familiar, e uma menina começa a dar em cima dele, uma oferecida (kkk) ingênua e linda - e caberá a ela a frase mais linda do filme, "não renegue minha oferta que lhe faço de namorar com você, pois afinal ninguém vive sozinho, todo mundo acaba precisando de um outro". Essa personagem é ótima, e dá o tom de humor ao enredo. Ele começa a trabalhar como líder de uma banda de músicas populares, e faz algum sucesso entre jovens estudantes do ensino médio. Nesse sucesso relativo é que então Tong redescobre Mew, que ele nunca esqueceu, mas tranquilo que é, fica na dele, sofrendo a distancia e parece gostar disso - coisa dos filmes românticos, idealizados, melodramas. Então ele procura o primeiro CD da banda donde o vocalista é Mew, e o dono da banca de revista lhe diz que o CD está esgotado e que talvez a banda lhe pudesse dar um (CD), "pois acabou de sair daqui os elementos dela.. Olhe eles ali, vá lá e peça um a eles, eles estão se fazendo, mas não são estrelas ainda, logo estão mais humildes". Reflexivo, Tong duvida se deve ir ou não, e nesse momento Mew, por alguma razão, se vira e vê Tong - ambos se olham e a amizade retorna com força total. Nesse meio tempo, a banda arranja um empresário que pede a Mew para compor com urgência uma música de amor, mas ele reflete: Como poderei falar de amor se não tenho uma namorada? Mesmo com essa tarefa de compor, o que veremos daí em diante é Tong e Mew juntos, com as respectivas "namoradas" e suas dificuldades em lidar sexualmente com elas. Tong, o mais impulsivo, tenta de todas as formas fazer sexo com a garota, e ele mesmo vai se esgotando, cansando e descobrindo-se, mas a garota, muito jovem, não percebe a inabilidade do efebo (kkk). Mew é contratado a cantar na festa de aniversário do pai de Tong, que é alcoólico, vício que é justificado por ele se culpar pelo sumiço da filha. Na festa, Mew  canta a tal canção de amor que tinha prometido à gravadora, e nessa mesma noite os dois começam a se relacionar mais amorosamente, de modo mais íntimo e afrontativo, mas ainda muito introvertidos e românticos - o que mata a plateia de "com+paixão" e compreensão pelo casal. A plateia pode ter forte identificação com o casal, inclusive dos héteros - segundo minha vivência com alunos e amigos. Todos/ todas (kkk) da plateia passam a desejar fazer "shipagem" kkk Shipar é torcer para que o casal fique juntos. A ingenuidade do primeiro amor aí predomina - que coisa mais cute, gente! A mãe de Tong vê aquilo de amor, ela presencia um longo e amoroso "kiss" (kkk) e não admite mais uma perda, [1] primeiro foi a perder a filha, [2] depois o marido (em depressão) e agora [3] perder o filho como homem reprodutor, e imagina ficará sem netos, ela pensa que ter neto é impossível, coitadinha, com o desenvolvimento da Medicina já se pode ter filho sem praticar sexo entre um casal ... Essa mãe é muito antiga, fazendo a linha "mamãezinha" querida (kkk) Só tem cena bacana esse pequena obra de arte, pois o filme inteiro é massa, é chinfra - é uma brasa, mora coroa!... kkk No dia de Natal (recordar que Tailândia é predominantemente budista), com aqueles enfeites impregnados de saudades (pela sentido de morte e renascimento), a banda de Mew ganha o Festival de música que os torna estrelas da nação e daquela parte da Ásia - a voz é do ator mesmo, cantor famoso lá depois do filme, chamado popularmente de Hiran Pshy, o outro também é cantor famoso, Mauro Mauer. Tong está na rua perto da TV onde ocorre o festival, ele está com a namorada - ela de cabelos compridos penteadinhos, certinhos, vestidinho claro com bolinhas esmaecidas, para dar o ar de pureza... (kkk) Tong vê Mew cantando na tela da TV - a letra toda da canção ganha novos sentidos de amor. Tong diz então à namorada que não quer mais namorar com ela (ele é simplesinho assim kkk fala no bucho kkk é um inexperiente), e ela fica furiosa por fazê-la perder tempo e sai emburrada, e com razão - mas sai carrancuda, como uma adolescente que acha que encontrará outro amor na vida - e vai encontrar sim, em nome de Deus (kkk) de Jesus, de Buda, de Maomé kkk (lembrar que na Tailândia há também os islãos). Tong corre e vai encontrar Mew na TV que sorri do palco ao vê-lo - um sorriso descarado, deslavado kkk. Ambos conversam e falam do amor - amor descrito na letra da canção que torna estrela Mew - na vida real o ator se torna estrela, junto com seu parceiro de ofício. No outro dia Tong aparece e diz a Mew, com aquela cara de anjo desprotegido e machão: "Eu não posso ser seu namorado, mas isso não quer dizer que eu não te ame" - aff... essa frase é repetida pelos fãs até hoje - eu adoro falar como um "senhor juvenal juvêncio" kkk O filme termina com Mew colocando o nariz desaparecido de volta no boneco de madeira (o que faltava, recordam?), pois foi Tong que deu de presente de Natal agora, ele conseguiu comprar só o nariz... Muito cute... Mew termina dizendo "obrigado" e chorando baixinho, um choro dos desvalidos, daqueles impedidos de amar, mesmo sendo profissionalmente bem sucedidos. Ao final ele fica chorando, e eu? Meu deos... Saí em prantos, chorando mais alto que o personagem, gritando de desespero - ó céus, ó céus, onde estás que não escutas nem Mew e nem a mim? Ó Ó ...  (kkk) Parei logo de chorar, pois estava passando vergonha em um cinema de Montevidéu, isso em 2011, e é bom recordar que o filme é de 2007, pra se ter uma ideia do sucesso do mesmo... cinema cheio, lotado - na capital com ar de Europa (amo Uruguai "todinho" kkk). Estava nesse país , pois eu estava como membro de banca de dissertação como orientador na Universidad de la Empresa - UE, muito boa por sinal. Bem, retornemos ao filme. Chorava no cinema, e a minha impressão é que todos e todas ali me olhavam e com certa compreensão, afinal eu era mais um brasileiro produzindo desconforto, pela extroversão e melodrama rasgado - se bem que povo uruguaio ama a Argentina, a Psicanálise e o Tango (KKK) - tudo melodrama... kkk Mentira, é minha análise tendenciosa e  brincante essa minha (interpretação), eles nos amam e nós a eles, ainda mais um país com um presidente lindo, na época - o Mujica... Fui pro Hotel, e naquela noite tomei uma séria decisão... (silencio) Refleti assim: Um filme deveria produzir mudança na vida de alguém, e este filme deveria produzir mudanças na MINHA VIDA... Orei aos céus, por isso... Fiz mantras enormes... Custei a dormir pensando nisso. Finamente dormi. Ao acordar, fui a um passeio de ônibus em Punta Del Este - uma coisa... kkk. No meio do caminho tive uma luz repentina emergida do meu ser (kkk), algo parecido com um Ser divino se apoderando de mim (afff.... kkk) e veio o insight .... (silêncio). Olhei então tudo ao redor, meus olhos eram duas contas pequeninas que brilhavam mais do que o luar de uma manhã que não nascia... Pronto, eu não me lembro de ter visto mais nada, e falei timidamente dentro daquele transporte, justo quando o cara do turismo nos apontava a casa da Xuxa (kkk): "Falta um pedaço de mim, por isso juro por tudo quanto há de mais sagrado, serei vocalista de uma banda de rock e de músicas românticas" kkkkkk Viu? Um filme muda radicalmente a vida de uma pessoa... kkk Agora é arranjar uma namorada (kkk)... Aí é que está o problema - amores vão e vem, e as letras das músicas ficam a nos torturar...


FICHA BÁSICA DO FILME

 Título: The Love of Siam
Título original: รัก แห่ง สยาม
Título possível em português:  O Amor de Sião
Direção e roteiro: Chookiat Sakveerakul
Ano: 2007
Gênero: Drama, Romance escolar, yaoí
Qualidade: Elogiado pelos críticos, inclusive brasileiros; premiadíssimo; indicado ao Oscar pela Tailândia.
Audio: em thai
 Legendas: Português, Espanhol, Inglês, Thai, Alemão, Japonês, Coreano, Filipino, Russo, Chinês,
Esperanto (kkk), Latim (kkk), Dialeto Ioruba e outros tantos dialetos (kkk), Castelhano (kkk) etc.


Discos: 1 DVD


ELENCO
Protagonistas:
Wit-Wisit Hiran-Yawong-Kul ou Hiran Pshy - Mew
Mario Maurer - Tong

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Laila Boonyasak - Tang/June

Sinjai Plengpanich - Sunee

Kanya Rattanapetch - Ying

Songsit Rungnopakunsri - Korn
Chanidapa Pongsilpipat - Donut