sexta-feira, 19 de setembro de 2014

NARRAÇÃO DUPLA
Hiran Pinel

Você não me avisa,
Mas também não aparece.
Não contas histórias.
Meu amor, se eu tivesse bola de cristal,
Contar-te-ia nossa dupla-vida, Veroniqué!

Narraria nosso fim...

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ele retornava da roça, com sua família, a que ele escolheu. De repente, ele escuta uma canção no rádio do carro: ♬♪ "Já ficou entendido, que o amor que vivemos, é um amor proibido?" ♫♪♫ Como pode uma música - que dizem ser brega - nos pegar assim, tão desprevenidos? Timidamente, entreolhou-se - abaixou a cabeça, coçou os olhos, e mais, entreolhou o companheiro motorista, e o fez com a mesma timidez que sempre nos acompanhou. Atrás uns parentes. Bem, depois, como em um impulso social, ele sorriu, e disse do nada, em voz alta: "Pra que chorar? A vida toda é pura alegria" - teorizou. E escutou do motorista: "Até quando?".
[HPinel; ficção]


NOTA: "Amor proibido" é uma canção popular com Agnaldo Timóteo - de Clayton / Dora Lopes; foi uma canção popularíssima. Elas nos tocam também (as chamadas cafonas; Kitsch/ quitch), e mesmo nos provocando rir pelos versos diretos e literais (apenas por isso)... morro de rir, mas acho lindo, lindas canções diretas, literais e explícitas que tocam direto nossos corações... kkk
"Ele não conseguia dormir, atormentado por seus sentimentos, emoções e desejos. 'Um mosaico complicado desse meu viver, insolucionável vida, a minha, minha vida', pensou. Cada detalhe se misturava com outro, e outros mais, a angústia de ter sido traído nas relações amorosas, as rejeições sofridas, a não vontade de fazer sexo - que é uma constante em sua vida, a vergonha física de si, o oralizar e a fal(ação) como leitmotiv pra respirar o amor e a paixão - dentre outros fatores. Passou horas na cama, rolando de-lá-pra-cá, até que disse bem alto frente ao espelho do banheiro: 'Pôrra! Meu destino nunca foi o amor ao sexo, mas amor ao conhecimento'. Dormiu finalmente, mas sem encontrar a paz desejada, afinal, pra que existe o pesadelo?"


[O Venerável Senhor Mosaico - dramaturgia do cineasta iraniano Naríh Lenip].

“Eu era muito apressado em São João del Rey, MG. - cidade onde fazia meu curso superior. Eu era uma pessoa da urgência, uma ansiedade em sair dali, procurar emprego e trabalhar. Mas eu caminhava naqueles espaços, naqueles tempos, e dei-me prazo para sentir o cheiro do prédio, tocá-lo na sua espessura, perceber sua história e ser marcado pela arquitetura, que muito me ensinou, até a suportar separações e a sentir saudades das conversas noite a dentro em uma pracinha de lá”. Foi nesse espaço (lugar), em um tempo (1978), que estudei Formação de Psicólogos (chamava-se Faculdade Dom Bosco, hoje Universidade Federal de São João Del Rei), ou como dizia na época, o 5o ano do curso, donde nos tornamos, de fato legal, profissionais psicólogos - São João Del Rey, MG. O bacharelado e a licenciatura plena em Psicologia fiz em Belo Horizonte, MG.


Fotografia que encontrei sem autoria. Trata-se do prédio onde fiz o curso de formação de psicólogos.
"o fascismo (...) está em todos nós, (...) assombra nossos espíritos e nossas condutas cotidianas, o fascismo (...) nos faz amar o poder, desejar esta coisa mesma que nos domina e nos explora".

* * *

["Introdução à vida não fascista" de Michel Foucault; Prefácio à edição americana do Anti-Édipo, de Gilles Deleuze e Félix Guattari].


eu me achei, então comecei a pró-curar-me [Hiran Pinel]


“Arte e realidade se complementam. Sem realidade, a arte não faz sentido, sem arte, a realidade não tem significado”.

[Bahman Ghobadi, diretor de cinema].