MÉTODO FENOMENOLÓGICO A SUBJETIVIDADE DO CIENTISTA
A subjetividade do cientista que trabalha com o método fenomenológico de pesquisa desempenha um papel fundamental na abordagem e na análise dos fenômenos estudados.
A fenomenologia, especialmente conforme foi desenvolvida por Edmund Husserl, e mais tarde expandida por pensadores e práticos revolucionários e subversivos aos estabelecidos, como Martin Heidegger, Maurice Merleau-Ponty, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Martin Buber etc., enfatiza a "experiência vivida" (o fenômeno fulcral da fenomenologia) e a percepção individual (mas, do ser-no-mundo), evitando ou tentando produzir dados sem reduzir ou distorcer os fenômenos ao seu redor - hoje, sabemos algo impossível de ocorrer, essa pretensa neutralidade. Nesse sentido, a subjetividade do pesquisador não é algo a ser evitado ou descartado, mas sim reconhecido e cuidadosamente trabalhado.
Aqui estão algumas características da subjetividade do cientista no contexto da pesquisa fenomenológica:
1. Abertura para a experiência do outro
O cientista deve cultivar uma atitude de abertura e escuta empática. Em vez de simplesmente aplicar teorias ou hipóteses prontas sobre o objeto de estudo, ele deve buscar compreender profundamente as experiências vividas e os sentimentos subjetivos dos participantes, sem impor julgamentos ou categorias externas. O pesquisador é convidado a entrar no mundo do outro, a "ver o mundo como o outro vê", e tentar entender como os fenômenos se revelam para ele.
2. Luta, esforço e ou tentativa de fazer suspensão de crenças pré-existentes (Epoché), sendo algo impossível, mas isso não impede que se tente, se esforce...
Uma das práticas centrais da fenomenologia é a epoché, ou suspensão do julgamento. O cientista fenomenológico deve ser capaz de suspender suas próprias suposições, preconceitos e crenças pré-estabelecidas sobre o fenômeno que está sendo estudado. Isso envolve deixar de lado tudo o que ele acha que já sabe sobre o assunto, a fim de vivenciar e captar o fenômeno de maneira pura, como ele se apresenta. Reafirmamos, que essa é a proposta de Husserl, reformulada por seus seguidos, alguns refazem a ideia indicando as limitações dessa proposta, outros simplesmente não tratam desse tema.
3. Intencionalidade da consciência
A fenomenologia parte do princípio da intencionalidade da consciência, que é a ideia de que toda consciência é consciência de algo. Ou seja, o ato de conhecer está sempre relacionado ao objeto de conhecimento. O pesquisador, ao estudar a experiência de um sujeito, deve estar atento a como ele experencia o mundo e como isso é influencia eu ser (ser-no-mundo).
- Reflexividade
A fenomenologia exige do cientista um esforço contínuo de reflexividade: ele precisa ser consciente de sua própria subjetividade, dos seus valores, pré-conceitos e expectativas, e entender como essas dimensões podem influenciar a coleta e análise dos dados. Isso significa que o cientista fenomenológico deve constantemente refletir sobre como sua própria experiência subjetiva pode estar moldando suas interpretações. Ele deve estar em constante autoanálise para não deixar que suas percepções prévias contaminem ou distorçam a análise do fenômeno. Refletir é descrever o significado de um vivido do pesquisador (e do pesquisado)>
5. A busca por significado e sentido
Ao contrário das abordagens positivistas, que buscam objetividade a todo custo, a pesquisa fenomenológica privilegia a busca de significados profundos e subjetivos. O cientista fenomenológico deve estar disposto a explorar os significados que os sujeitos atribuem às suas próprias experiências. Isso pode incluir emoções, memórias, associações e outros aspectos subjetivos que podem ser essenciais para a compreensão do fenômeno.
6. Compreensão holística
Na pesquisa fenomenológica, a subjetividade do cientista também se reflete no compromisso com a compreensão holística do fenômeno. O cientista deve procurar entender a experiência em toda sua complexidade, sem reduzi-la a partes isoladas ou a categorias simplistas. Isso implica uma visão integral, onde o sujeito e o objeto de estudo não são vistos de forma separada, mas como um conjunto interrelacionado e dinâmico.
Mas, o que é HOLISMO?
No sentido mais simples, holismo é a ideia de que um todo é sempre maior e mais importante do que a simples soma das suas partes. Em vez de olhar apenas para pedaços separados, o holismo olha para o conjunto completo e para como as coisas se conectam.
O Conceito Básico
- A frase famosa: "O todo é maior do que a soma das partes".
- A origem: Vem da palavra grega holos, que significa "inteiro" ou "todo".
- A ideia central: Se você desmontar algo, você perde a essência de como aquilo funciona unido. [1, 2, 3]
Exemplos Práticos
- Uma música: Uma canção não é apenas a soma de notas musicais soltas; é a melodia formada quando elas se unem. Notas isoladas não têm o mesmo sentido.
- O corpo humano: Um médico com visão holística não trata apenas um órgão doente; ele olha para a mente, as emoções, a rotina e o corpo da pessoa como um todo conectado.
- Uma família: Uma família é um grupo onde as relações entre as pessoas criam uma dinâmica própria, que vai além de contar cada pessoa individualmente.
Holismo versus Reducionismo
- Reducionismo: Tenta entender as coisas separando-as em pedaços cada vez menores.
- Holismo: Tenta entender as coisas vendo como elas interagem dentro de um sistema maior.
7. Empatia e conexão genuína
A empatia desempenha um papel importante na pesquisa fenomenológica. O cientista deve ser capaz de se conectar emocionalmente com o sujeito de pesquisa, não no sentido de se deixar levar por suas próprias emoções ou opiniões, mas para capturar a experiência do outro de maneira autêntica e sensível. Ele deve ser capaz de…
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Resumo das Características da Subjetividade do Cientista Fenomenológico:
- Abertura e escuta empática: Disposição para ouvir e compreender a experiência do outro.
- Epoché (suspensão de crenças): TENTAR (esforçar-se) para fazer o impossível (de ser total) o ato de suspender julgamentos e preconceitos prévios para captar o fenômeno "puro".
- Intencionalidade da consciência: Reconhecimento de que a consciência está sempre direcionada a algo, e que a percepção do fenômeno é interdependente.
- Reflexividade: Consciência da própria subjetividade e análise crítica do impacto das crenças pessoais.
- Busca por significado: Interpretação profunda dos significados subjetivos e sentidos das experiências.
- Visão holística: Compreensão ampla e integral do fenômeno, sem reduzi-lo a partes simplificadas.
- Empatia: Conexão genuína e sensível com a experiência do sujeito de pesquisa.
- Imersão: Estar totalmente envolvido existencialmente (com-o-outro) e imerso na experiência vivida desse outro para compreendê-la.
Compreensão = com (o outro) faço + (a)preensão da experiencia vivida desse outro e a descrevo, para depois analisar existencialmente.,
Conclusão:
A subjetividade do cientista fenomenológico é, portanto, uma ferramenta essencial, não um obstáculo. O pesquisador deve ser consciente de sua própria subjetividade, mas usá-la de maneira reflexiva e crítica, para captar a experiência do outro com sensibilidade e autenticidade. Esse equilíbrio entre distanciamento crítico e imersão empática é o que torna a fenomenologia uma abordagem tão profunda e poderosa para entender a experiência humana.