Para Maurice Merleau-Ponty, a épokhe (epoché; ou redução fenomenológica) não é a negação ou a eliminação radical do mundo, mas uma suspensão das nossas crenças teóricas e científicas para retornar ao contato direto e pré-reflexivo com o "mundo vivido" (Lebenswelt), revelando nossa inerência originária no mundo. [1, 2]
- Retorno ao Imediato: Suspende-se o saber objetivo e causal para descrever o campo fenomenal tal como ele é vivido antes de qualquer conceituação. [1, 2]
- Crítica ao Intelectualismo: Diferente de uma consciência pura que constrói o real, a consciência aqui é encarnada; o corpo próprio é o veículo do nosso estar no mundo. [1, 2, 3, 4]
- Finitude do Sujeito: O sujeito percebente é sempre situado em um espaço, um tempo e uma história específicos, o que impede qualquer ponto de vista onisciente ou desvinculado. [1]
- Opacidade do Corpo-Sujeito: Nosso corpo não é transparente para a consciência; ele carrega hábitos, afetos e uma raiz carnal irredutível ao puro pensamento. [1, 2, 3]
- Início no Mundo: Já estamos sempre comprometidos com o mundo antes de qualquer reflexão; a própria tentativa de suspender o mundo usa as coordenadas da nossa experiência mundana. [1]