quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Duelo de duas grandes atrizes, e estrelas...

Débora Duarte ganhou o Troféu Roquete Pinto por essa interpretação em Beto Rockfeller (1968/9). Bete Mendes era namoradinha do Brasil e enfrentava, paralelamente, problemas com o governo militar da época, que depois ela denunciou torturas físicas. Eu era fã (amava) o Luiz Gustavo, Plínio Marcos e o ator que fazia papel de Carlucho, o ator Rodrigo Santiago. A atriz que fazia Maitê era outra estrela, a atriz Maria Della Costa... Tantos atores bons... Quanta saudade, eu sempre digo que assisti a todos os episódios... Recordo que a lente (câmera) focava nos detalhes corporais de Beto e Vitório, insinuando algo de amizade com benefícios (risos)... Cenas, longas, onde o personagem passeava em alguma praça cheias de árvores e flores, sol e sombra - de São Paulo, o capítulo quase todo era assim, recordo desse estar de perdidão (e devotamento) a atriz Bete Mendes, uma burguesa de sobrenome, mas decadente economicamente. Recordo de Débora Duarte, numa cena de festa na sua mansão no Murumbi, imitando Wanderléa, quando ela cantou só o começo: "Pare, agora!". Nessa cena (que postei, retirada do You Tube) ela cita uma música, na época sucesso, de Roberto "é meu, é meu, é meu" , de 1968 para o álbum "O Inimitável". Obra de arte subversiva, um marco das telenovelas brasileira, um divisor de águas, pois antes as narrativas eram mais fantasiosas recorrendo a temas estrangeiros e melodramas, e depois o tom passou a ser coloquial, do ordinário do tempo-espaço, temas nacionais, com as ilusões e fantasias, mas sem recorrer a personagens de reis espanhóis e ingleses, ciganas perdidas e ladras, toureiros espanhóis, marquesas fechadas em seminários santos, máfia estadunidense, atores brancos pitando o rosto para representar um personagem negro etc. Exemplos, independentes de terem sidos (ou não) boas telenovelas: Sangue e Areia, Casaco de Vison, Direito de Nascer etc. Note bem, não falo de narrativas estrangeiras da grande literatura, mas do próprio folhetim, que é literatura, mas em uma outra dimensão. Falo da necessidade dos brasileiros em encontrar histórias do seu cotididiano, produzindo maior projeção e identificação, só isso.