O MÉTODO FENOMENOLÓGICO EM MARTIN HEIDEGGER
Em Ser e Tempo, o método fenomenológico de Martin Heidegger é essencialmente fenomenológico-hermenêutico.
Ele define "fenômeno" como o que se mostra em si mesmo e "logos" como o deixar ver e falar esse mostrar.
Em vez de focar na consciência pura (ligado a epoché), o método visa desvelar o sentido do Ser por meio da análise da existência do homem (o Dasein, ou "Ser-aí"), que já se encontra originariamente lançado e engajado no mundo.
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O Método Fenomenológico-Hermenêutico
Retorno às coisas mesmas: Heidegger herda a máxima de Edmund Husserl, mas muda o foco de "o que aparece à consciência" para "o modo como o Ser se manifesta".
Abertura do Dasein: O método parte do único ente que compreende o Ser e se questiona sobre a própria existência: o ser humano.
Hermenêutica da cotidianidade: Compreender o Ser exige interpretar as estruturas concretas da vida diária do Dasein (os existenciais), como o manuseio das coisas e a afetuosidade, e não apelar para construções metafísicas abstratas.
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Como Heidegger lida com a "Epoché" de Husserl
Rejeição da suspensão radical: A epoché (suspensão ou colocação "entre parênteses" do mundo e dos preconceitos) proposta por Husserl tenta alcançar um ego transcendental puro isolado da atitude natural.
O mundo como constituição prévia: Para Heidegger, essa suspensão pura é impossível e descabida. O homem não é um sujeito fechado em uma "caixa" mental olhando para fora; ele já é constitutivamente "Ser-no-mundo" (In-der-Welt-sein).
Substituição por uma hermenêutica factual: Em vez de "isolar" a consciência de seus preconceitos, o método de Heidegger assume que a nossa compreensão do mundo já é sempre pré-estruturada por nossa historicidade, linguagem e afeto. O caminho não é anular o mundo real pela redução, mas explicitá-lo a partir de sua facticidade originária.