Um estudo de caso fenomenológico estrutura-se formalmente em cinco etapas principais:
... delimitação do fenômeno (com epoché), coleta de descrições vividas, apreensão global do relato, redução fenomenológica e síntese estrutural da experiência.
Etapas Formais do Método
1. Delimitação do Fenômeno e Epoché (Tentativas Cuidadosas de fazer Suspensão de Juízos; - sempre encontramos limites na suspensão ou epoché): Definição mais clara possível da "experiência vivida" que se deseja investigar. O pesquisador atua tentando colocando em "parênteses" seus pressupostos, teorias prévias e conceitos preconcebidos para abordar a realidade do participante de forma ingênua e aberta.
2. Coleta de Descrições Vividas (Obtenção dos Dados):
Apreensão do fenômeno tal como ele é vivenciado pelo sujeito. É feita prioritariamente por meio de entrevistas fenomenológicas (abertas ou semiestruturadas), focando nas descrições concretas da experiência vivida (lebenswelt), e não em racionalizações do entrevistado.
3. Leitura Global e Imersão no Material: Leitura atenta e repetida de todo o corpus transcrito para obter uma visão holística e intuitiva do relato, apreendendo a atmosfera geral do caso antes do fatiamento analítico.
4. Tentar fazer a Redução Fenomenológica (Unidades de Significado), que nunca é completa: Identificação e articulação das unidades de sentido no texto (trechos onde há uma mudança de significado relevante para o fenômeno). O pesquisador transforma a linguagem cotidiana do sujeito em expressões que revelem a vivência psicológica/existencial subjacente.
5. Síntese Estrutural e Descrição da Essência (Eidos): Integração das unidades de significado em categorias ou temas essenciais.
Conclui-se com uma descrição síntese (individual e/ou constitutiva) que revela a estrutura essencial do fenômeno investigado naquele caso específico — o como e o o que da experiência humana relatada.