quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

HÁ SANGUE. HÁ VIDA.
Assisti a 10 episódios do Cult Room Alone 401-410 (Tailândia, 2014) - fiz maratona. Num imenso prédio universitário de quartos (confortáveis e chiques) residem alunos e alunas. São várias histórias. Uma das narrativas mais poéticas é a de Puem ou Tutor Love (ator: Adulkittiporn Jumpol). Um universitário de Engenharia (acho), que tem um grave problema, toda vez que vai beijar uma menina, escorre sangue pelo nariz. Tem uma cena em que a namorada lhe dá um absorvente para limpar o sangue (uau, que sentidos)... Esse Tutor começa a oferecer aconselhamento amoroso via sistemas de internet que ele mesmo criou. Tem ele uma namorada que o ama perdidamente, mas ele não dá confiança pra ela, despreza, machista, apesar de amá-la. Ele faz muito sucesso como tutor love, mas ninguém sabe da sua identidade. Em determinado momento, uma moça começa a pedir-lhe conselhos, e é a namorada dele (a mal-tratada) dando outro nome. Seu negócio é dar conselhos de autoajuda, imediatistas, vazios, desprovidos de responsabilidade e real interesse empático pelo outro e por si. Ao final a menina chama Puem (o tutor) para jantar e lhe quer dar uma notícia. Ela revela saber quem ele era de fato. "Você conversou comigo mais do que presencialmente, e nem percebia que falava de nós dois". Ela arranja um outro cara - aconselhado por ele. Na mesa de jantar ele descobre tudo isso, e aparece um gosto amarga das comidas. Ela rompe com ele, e lhe desmascara - angústia de viver. Ele então se levanta, está só como sempre foi, encosta na parede e o nariz começa a escorrer sangue, ali mesmo... Não é só o beijo que o impulsiona ao sangue da vida, mas a também a morte presente nos rompimentos amorosos. Para mim os bons finais são assim, nada de "the end" feliz, mas um final pautado pela dor infinda, capaz de evocar ao espectador que é preciso que ele acorde, acorde para vida, para o sangue da vida, antes que seja tarde demais, mesmo que ele esteja com os pés à beira do abismo, pertinho da morte concreta. Há sangue. Há vida. Há o existir.

REPETINDO: Sempre que comento essas séries (thai-drama e outras) eu infiro muito, até mesmo pelos problemas das legendas (ou falta delas).... Nada de me encher a paciência e dizer "ele não disse isso nesse episódio, esse cara mente"... Cacete, seja mais flexível coisinha, é uma série linda, é entretenimento que nos chega da Ásia, e eu não sei inglês e tenho que ir procurando palavra por palavra, ou coloco no tradutor. Chega! kkk

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

EDUCAÇÃO ESPECIAL NÃO ESCOLAR... 
Hoje conversei com uma psicóloga (e pedagoga) da justiça de Minas Gerais, e ela me disse, via in box, que está aumentando o uso de crianças deficientes no trabalho, o abuso contra elas nesse espaço. Ela citou inclusive crianças com mau rendimento escolar (independente de ter diagnóstico de deficiente intelectual ou não) e as deficientes físicas. Tipo: tem rendimento inadequado na escola (o que é inadequado?) e retirada dela e colocada em trabalho infantil (logo abuso).

Triste, e fiquei motivado em ir visitar o trabalho dela, e conhecer algumas crianças. E disse que poderia conversar com elas, produzir pesquisa (dentro da ética, sem dúvida) e como me interesso em diagnóstico dentro de uma "outra clínica"... uau...
Ela me convidou pra dar uma oficina de uma semana de diagnóstico em Psicologia Clínica Fenomenológico-Existencial marxiana para psicólogos, tendo por base meus estudos e pesquisas na área. Também disse que essa abordagem é contra rotulação e classificações, e uma prática em considerar a clínica escolar pela escuta empática. Deixei claro, pois ela poderia esperar eu endeusando testes psicológicos - amo Maria Helena Souza Patto, minha deusa terrenal... kkk A outra "oficineira", depois de mim, será uma pedagoga, também professora universitária que atua denunciando as implicações dos diagnósticos rotula(dores), que eu adoro os textos dela (não posso dizer o nome, a psicóloga me pediu, pois não fechou ainda).
Falo do trabalho infantil, falo do abuso. Não estou falando de crianças que ajudam em sua casa, mas frequentam a escola e com bom desempenho - isso não é trabalho infantil. Teria que ser estudado se é abuso, mas quase sempre não é, quando os pais desejam apoio e educar.

[Hpinel]

domingo, 12 de fevereiro de 2017

PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA DO AMOR NA ESCOLA...
Arthir lê o diário de Kong, agora seu companheiro:
"Ele gritou com voz grave, como um oficial de prisão grita com seu prisioneiro".
Arthit sorri e insinua que foi isso que o prendeu a Kong, e Kong a ele. Prisão que pode significar casamento, prática sexual (ativo e passivo), o começo da relação dos dois, relação professor-aluno etc. Essa complexa relação de um maior contra um menor, de um veterano contra o calouro, mas a rédea de domínio é o do menor, o do calouro que fez a fera (maior) cair nos seus braços e abraços, e tornar-se um homem, um humano em todos os seus sentidos éticos - transformando o ódio em amor.
Essa vivência amorosa aconteceu também devido às belezas cotidianas da escola, mas também dos seus desvarios e desmandes que provocou resistência dos dois. Por isso os dois declaram que "nesse exato minuto eu o amo", na incerteza do que possa acontecer depois desse tempo, naquele espaço.
A Vida os interroga pelo sentido: - Há sentido nas suas vidas? Os dois respondem com a complexidade das relações interpessoais (no mundo social, na história, na cultura etc.), mas o amor é que os guiará com sentido - consentido, consentem isso. O amor dará sentido à vida deles, respondendo a Ela. Mas tudo é muito curto, por isso é clínico vivê-lo densa, tensa e intensamente.
O amor é assim efêmero, e os dois terão de lidar com essa finitude, com essa morte que acompanha a vida.
É o que eu mais faço na vida: viver de amor para dele morrer! kkk 


SINOPSE DE "SOTUS THE SERIES"
Há um sistema universitário na Tailândia chamado SOTUS. Sotus é uma sigla que significa Antiguidade, Ordem, Tradição, Unidade e Espírito. Esse sistema é uma tradição no país. Nele os veteranos bem sucedidos academicamente, são nomeados pelos professores e colegas veteranos, e algumas vezes exploram, abusam de calouros e de outros. Ora, esses calouros (juniores) buscam aceitação ao entrar na universidade tailandesa. Não é o nosso trote brasileiro, pois o SOTUS acontece durante todo o curso, e se no começo é arrogante a ponto de molestar o outro frágil (calouro), logo a seguir é camaradagem, apoio, cuidado, ajuda acadêmica de estudos etc. - é o que dá para entender. Estudantes de nível senior (veteranos) são necessários para orientar os calouros, em troca exigem respeito, amor ao ofício e seus símbolos, obediência irrestrita, disposição a fazer práticas esportivas exageradas como punição (tem que ter resistência física) etc. É uma hierarquia donde os mais velhos vão mandando nos mais novos, chegando até aos calouros, e aqueles mais velhos podem suspender ações dos senior (um ano acima do primeiro) - 4o ano manda no 3o e em todos; 3o manda no 2o e em todos sem pegar o 4a ano, 2o manda no primeiro. Na Faculdade de Engenharia Arthit é o chefe do sotus, e ao agredir verbalmente a todos, é confrontado pelo novato (júnior) Kongpob - eles ficam em um grande salão, todos e todas sentados. No começo são dores e mútuas agressões orais de muita sutileza e cuidado por parte de Kongpob - Arthith é mais objetivo e grosseiro. A cena em que Arthit chama Kong de nojento é deplorável (talento do ator que faz Arthith), emocionante e envolvente é a interpretação do ator que faz Kong: sutil e existencial. Depois disso a coisa se ameniza, e tudo se transforma em rejeição (Arthith não aceita que ama Kong) e Kong sofre, vindo após o abandono (de Arthith) e desistência (de Kong), para terminar em  amor e sexo - paixão e ciúmes. 

SUTILEZAS DA LINGUAGEM ORAL E CORPORAL
Fala do primeiro amor, o amor não-esperado por sua sociedade, linguagem e ação corporal ingênuos (marca dos mangás gays ou yaoi ou). Outro dado é a presença de namoradas na vida de ambos - mesmo que nessa série são apenas insinuações, mas elas existem, e seus nomes são tocados e objeto de ciúmes dos dois. A descoberta do amor, do primeiro é que traz o viço que prende ao espectador, pois ele mesmo (o vedor = a ver a dor), já se afastou desse tipo de experiência, mas que lhe traz memórias e saudades.

RESUMO DE APRECIAÇÃO 
Série com linguagem de cinema, excelentes interpretações para um elenco jovem. Produção esmerada e até requintada para uma série de juventude e escola, direção, iluminação, fotografia, música, estilo (vestuário), cenografia etc. Tudo com muitos detalhes artísticos, e s0tilezas no uso das cores (indicando novos significados) e coreografia produzindo metáforas, quando no episódio 13, na cena da Ponte Rama VIII, Kong vem atrás submisso e apaixonado e na frente, guiando todo o vivido, o agressivo e dominador Arthith. Ou o final melancólico (pela saudade) que é o episódio 15, de uma beleza rara, com os dois protagonistas dando um show... Prestem atenção no ator que faz Arthith que chega a trabalhar o tom de voz e a expressão facial de docilidade, frente o azedume que era, mas sem jamais perder o domínio - mesmo quando ele transita seus olhos de rapaz em estado de prazer e vergonha.

OUTROS DADOS
Baseado em um romance de Bitter Sweet (Nabu Publishing). 

Ator: Perawat Sangpotirat – papel: Arthith
Ator: Prachaya Ruangroj – papel: Kongpob

Total de episódios: 15 + 1 (making off)

TV: GMM Grammy; Linha TV (acha no You Tube com legendas em inglês e pelo sistema mesmo você pode assistir em português e ou espanhol quando as palavras ficarem confusas).

Exibição: de 20 de agosto de 2016 e 14 de janeiro de 2017. 

Não foi exibida durante a morte do Rei da Tailândia Bhumibol Adulyadej, por isso planejada só pra 2016, acabou sendo ampliada até 2017.

O maior sucesso na Tailândia e Ásia (daquela área), sucesso de crítica. 

Ao final dá-se um outro significado (em inglês) para sotus que em português é a "história verdadeira do nosso amor" (Story Of True Love Vetween US = as iniciais dão o termo SOTUS). Ou seja: a história dos dois é sotus enquanto ritual de passagem (como nosso trote) e ao mesmo tempo é algo que transcende, que vai além, pois é anunciado como o amor. Nesse ambíguo contexto, o amor é sadomasoquista, estando presente no sotus (trote) e no sotus (amor) e ambos os momentos são sotus (trote) e sotus (amor). Na agressão eu amo, no amor eu agrido, aqui-agora talvez ligado à prática sexual, é apenas uma suposição, mesmo que ainda vemos Arthith resistindo a uma total entrega, total envolvimento existencial com Kong, preferindo sempre o distanciamento não-reflexivo. Ao final, por exemplo, Arthith recusa dizer que sente saudade de Kong do primeiro ano (Kong calouro), e então Kong apenas ri, aceitando algo como se fosse a ele destinado.

Algumas músicas pontuais, de fundo e minimalistas são as mesmas da famosa e cultuada série Love Sick The Series, com Captain, White-Wo, Ngern, August etc.

História do amor verdadeiro entre nós. Verifiquem que as iniciais do termo (em inglês) dá SOTUS. Assim o SOTUS pregado na universidade tem muito de amor, bem como pode ser que o SOTUS (trote) faz uma viagem de travessia da agressão para o amor.

Autor: Hiran Pinel

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Meu amigo perguntou in box... "Por que seu entusiasmo exagerado, por series como Sotus The Series, a ponto de colocar sempre postagens semelhantes?" [1] Minha juventude foi mal solucionada, mal resolvida... kkk Digo isso sem me emocionar, de tão desastrada que foi kkk E assistindo essas séries de juventude, eu me vejo em situações vividas (pelo menos, aparentemente), e como a maioria dessas séries (e filmes) relatam amor, então pode ser isso: uma vida mal resolvida na esfera do amorzinho, do amoroso, do sexual. Eu assisto, e p.q.p, eu fico totalmente tomado; [2] Outro ponto é meu interesse pela relação "cinema, educação e inclusão", e essas séries e filmes sempre narram rapazes e moças na escola. Nessa série (Sotus) é na universidade, em um curso de Engenharia, e dá pra estudar muitas coisas, por exemplo, "como o amor acontece na escola e como essa instituição lida como ele - o amor", questões de preconceitos dentro desse aparelho, um personagem deficiente nesse mesmo tempo-espaço escolar etc.; [3] São obras de artes como todas, e que são bem feitas, roteiros dez, iluminação, fotografia, interpretação, vestuário, direção etc.; [4] Finalmente, gosto porque gosto... kkk e não vou mais justificar, "não sou obrigada" kkk

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

"SOTUS THE SERIES" (2016/ 2017)

AQUILO QUE É SEU, ATENTE-SE BEM, ME PERTENCE... 

É muito doida essa série tailandesa. Senão vejamos. O sotus é uma espécie de trote - muito diferenciado, pois ele ocorre durante todo o curso superior, e chega a ser de cuidado, apoio e ajuda dos colegas mais adiantados (maduros), séries escolares maiores para com os iniciantes.
Uma turma entra na universidade, na faculdade de Engenharia. Todos os calouros estão sentados. Aparece o turma do sotus, cujo chefe é o petulante e onipotente, um tal de Arthit - bonito, jovem, fala autoritária, cabeça erguida de arrogância, e os mais astutos capturam fragilidade. Mas ali ninguém é astuto, pelo menos por ora... Ou será que teremos algum astuto ali-agora?
O papel dele é manter o sotus, algo ligado a hierarquia, tradição e essas coisas de manutenção da ordem estabelecida - as faculdades são arcaicas, ainda mais as ligadas às ciências sociais e biomédicas. Arthith cumpre bem o seu papel ao agredir verbalmente aos alunos - especialmente aos homens. Ele então vê um calouro limpando as lágrimas de uma colega naquele meio, e ele grita com ele, e diz "levanta camarada". O rapaz levanta - alto, bonito, com uma sensualidade à flor da pele, que só os abandonados têm.
- Qual o seu nome?
- Kongpob, e meu número de matrícula é 62 - diz isso alto, bom tom e com certa tranquilidade.
***
Vou pular algumas cenas. Vamos ao momento que me interessa, pois dará o tom de toda a narrativa e enredo.
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Arthit mostra para todos o símbolo da Engenharia: em um cordão prende-se uma roda dentada... Recorde que estamos falando de uma coisa em desuso (kkk): os símbolos de arrogância para manter o status de um ofício e com isso a motivação dos aprendentes... E diz: "Kongpob eu não vou te dar esse símbolo, você não o merece".
Como em um jogo sadomasoquista, nosso Kong não esmorece. Com um sorriso de prazer no rosto, que só os masoquistas conseguem fazê-lo contra os sádicos - que tanto um quanto o outro se sustentam, responde:
- Eu vou tomá-lo de você!
- Como? retruca ferozmente Artith...
- Eu faço de você minha mulher...
Silencio mortal. Burburinhos começam...
- Como? revolta-se Arthit.
Kong repete garbosa, insolente & tranquilamente... Ele parecia saber que dali em diante a coisa do amor iria desandar, até ele encontrar a felicidade de ser prisioneiro, cujo capataz é o belo Artith.
- Com? Esbraveja o líder...
- Na minha terra costuma-se dizer que tudo que pertence à sua esposa, pertence também a você, o seu marido. Transformaria você em minha esposa e o símbolo da Engenharia, uma engrenagem que faz o motor se mover, me pertenceria...
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Uau... que diálogo que define toda a história. Uma engrenagem que está marcada por histórias afetivas, coisas do coração. Guardar o coração é guardar essa engrenagem, essa engenharia, essa complexidade de ser-no-mundo...
É isso que eu entendi, tá ok pessoal fã de séries asiáticas com marcas LGBT, ou chamadas yaoi ou... Não é a verdade absoluta, significa apenas o que eu entendi (racionalidade) e compreendi (amorosidade), uma racionalidade encarnada. Muitas vezes eu tinha que captar pelas reações corporais, tons da oralidade, temas não comuns na minha cultura etc. Tem um tema donde Kong fala a Arthit que os alunos ausente numa reunião lhe deixaram o coração, e adiante diz que o seu coração próprio foi entregue a Arthit, e sei que é uma fala vital, mas eu não entendi e e nem compreendi - e nem pesquisei na internet, pois deve ter muitos fãs da séries... kkk eu não sou o único, não sou ingênuo como Kong e Arthith kkk
E mais, recordo que assisti com legenda em inglês no You Tube, e dentro do próprio sistema, passei ora pra português, ora pra espanhol (que domino mais ou menos)... E as traduções esclarecem o que a outra não o faz. Achei a espanhol melhor em algumas situações.

***
É até agora a mais bela e refinada série que assisti, sem ter velhos e cansados clichês como um cair sobre o outro (kkk), um dar comida na boca do outro e ou cuidar da ferida kkk Eu tenho a impressão que essa série inicia novos clichês... O som, a música, a fotografia, a iluminação, predomínio da linguagem de cinema, direção, interpretação etc.
Os dois protagonistas são jovem e excelentes atores: Perawat Sangpotirat vive de modo magistral Artih (isso se detaca no episódio 13, cena da ponte Rama VIII, e 15 o final do táxi e os dois no dormitório de Kong) & Prachaya Ruangroj, que tem falas menos impactantes, mas que dá conta de brilhar como poucos.
***
EIS ALGUMAS IMAGENS DESSA SÉRIE ESPETACULAR:
ARTHITH




Kong não gosta de homens, ele gosta de Arthit, apenas de Arthit, e de mais nenhum homem.




o final - duelo de talentos, com os melhores diálogos para Arthith. Aqui pontua-se o sadomasoquisamo, pela imagem do capataz/ soldado e prisioneiro, e o diálogo pelo grito.

KONG




sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

MAIS UM "TEXTÃO"...
O You Tube mostrando vídeos de maridos, amantes e esposas sendo agredidos de diversas formas pela dita traição - um valor construído e forte na nossa cultura, sociedade e história. Como isso nos pega, num é? Que horrível, há verdadeiros espancamentos de maridos contra amantes, esposas humilhadas e apanhando, maridos se achando o dono das mulheres "ela é MINHA esposa", ora, não é - se ela está te traindo, ela não é, e ponto final, nem é bom um humano ser sua posse, acorde! Um mulher alegava ser mãe de "nossos" filhos, pegando o marido traindo - será que esse dado é vital? Se fosse, estaria havendo aquele show público?

Em todos os 7 vídeos, o pessoal da rua (sim, foram em praça pública) custa intervir, e os agredidos e os agressivos parecem implorar: Me parem, por favor! É um horror... Eu sei que é fácil falar quem está mais ou menos longe dessa situação (euzinho kkk), MAS por favor, é preciso uma racionalidade mínima no meio desses desvarios - uma racionalidade encarnada, afeto e cognição indissociados, mas prevalecendo o ato de conhecer de sentido.
Os traidores deveriam (acho) abandonar as esposas e ou os maridos antes de "aprontar" - dói menos, ou aprontar sem nunca ser descoberto (ideal, num é? Eu acho)... Os amantes precisam investigar (é preciso cuidado) quem é a mulher ou o homem que pró(cura), quem é si-mesmo, em que mundo está... Mas sei que o impulso desejante não costuma permitir isso kkk é uma fazenda sem cercania, dizia Gilda, do filme com o mesmo título. Outra sugestão do impulso, é fazer sexo a três, pois aí deixa de ser traição, mas uma modalidade de se dar prazer kkk estou brincando - ou não... kkk
Tem um caso provoca(dor). O cara é amigo do marido há anos, e o marido gritando (e o espancando) "eu sempre te chamei de irmão, sempre... Irmão", ele gritava (e xingava), ele espancava o trai(dor)-irmão. Ele, ao mesmo tempo que agredia muito o amigo (puxava torrões do cabelo da cabeça do inimigo vorás, e o sangue escorria, olhos inchados etc.), ele chorava. A mulher dele dizendo que ia chamar a polícia, protegendo o amante e o marido (sim)... O amigo só protegia o rosto e deixava ele bater, ele esvair-se da dupla traição - ficava passivo. O trai(dor) deveria sentir-se culpado e envergonhado por "amor" ao amigo ou medo. Aí o marido vira pro amigo-irmão traidor e lhe diz gritando (com palavrões): toma essa toalha de praia pra se cobrir, pois eu não quero te ver pelado pelas ruas... Meu "deos", como os traídos sofrem, seja pela esposa/marido, pelo amigo e fico imaginando o traidor, a traidora a culpa, a vergonha, as perdas, o luto, a morte simbólica... A mulher ao telefone gritando pra polícia vir (esse caso é do Pará), pois o marido poderia matar e ser preso - penso eu. O marido pegou o carro e saiu sem pegar a mulher, que foi tratada (ao meu ver) com total desprezo o tempo todo - nem bater nela ele bateu. Mas antes ele se preocupou com o traidor-amigo desnudo, que não podia mostrar-se nas ruas. Por que não podia? Fico encasquetado com essas coisas, sou um clínico ferrenho, tenho atração pelos sofrimentos e seus sentidos... kkk
Dá filme essas coisas, nós criamos filme no nosso cotidiano. Depois me dizem com total segurança, e como se portasse verdade única e universal, de que há diferença entre realidade e ficção... Não há essa nitidez, as coisas se imbricam, mesmo que façamos distinção... O melodrama está na tela, e está nessa nossa vida triste e alegre, corajosa e covarde, heroica e bandida... O drama (e a comédia) penetrou na nossa carne... Por isso vejo um filme e choro desbravadamente, ali está minha dor, meu prazer, minha alegria, o sonho (até hoje) de ter um grande amor-sexual, a juventude que perdi...
Esses casos não tem solução, eu me digo no banheiro, justamente olhando-me pro espelho, que constato agora - deformável... kkk <3 span="">

Outro textãozão, crítica experimental de cinema... Vê se o tema agrada...
ESTRANHAMENTE provocador esse filme: "O despertar/ crescimento/ florescimento de Maximo Oliveros" (Filipinas, 2005, direção de Auraeus Solito; Título em inglês: The Blossoming of Maximo Oliveros).
Um adolescente gay - na pubescência - está subjetivamente dividido entre seu amor por um jovem, mas adulto, policial (Victor) e sua lealdade à sua família que faz pequenos tráficos de drogas e outros. Essa situação, para nós, é algo ameaçador, frente a um jovem abaixo dos 18 anos e um policial, mas como veremos, não acontecerá sexo entre eles - mas amizade e amor.

O filme foi elogiadíssimo nos Estados Unidos e em muitos países do mundo, e foi indicado pelas Filipinas ao Oscar. Foi a maior bilheteria no país e na Ásia e ele também se pegou com renda fora das Filipinas. Ganhou vários festivais. É um filme com marcas neorrealistas e nos narra um conto romantizado acerca da perda da inocência e a sua redenção em meio à pobreza.
Nesse filme encontramos Maxi (ator Nathan Lopez) é um jovem gay que vive nas favelas de Manila, e o com seu pai e irmãos, que são pequenos ladrões. A história gira principalmente em torno do conflito entre seu amor dele por um oficial jovem, o policial Victor (JR Valentin), e meios ilegais (?) de subsistência de sua família. Em momento algum o filme aborda o Estado como também responsável por aquela miséria e situação de pequeno tráfico.
Maxi se desvela sempre uma menina, vestindo roupas coloridas, com predominância da cor rosa, uma faixa na cabeça ou colocando pequenos clipes em seu cabelo, pulseiras, batom. São cenas não excitantes, não é um filme pornográfico ou que se interessa em produzir isso. É um filme muitas vezes triste (sem deixar de ser alegre), pois vemos um rapaz sem espaço-tempo de ser, em um país repressor. Filipinas, que é uma ilha, professa em sua maioria a religião católica, e não apenas isso, é um país cercado de outros países fortemente budistas, mas principalmente islamitas. Nesse contexto, Maxi é provocado por vizinhos e amigos da escola. Sua sexualidade é, no entanto, totalmente aceita por seus dois irmãos e por seu pai, e me pareceu bastante aceita por sua comunidade.
Uma noite, dois homens se preparam para violentar sexualmente Maxi, mas ele é salvo pelo seu herói daqui por diante - o policial Victor. Victor não tem uma namorada e sua sexualidade é mantida ambígua e complexa durante todo a película - isso fica evidente, e algumas críticas que eu li concordam comigo.
Vitor não repele os avanços de Maxi, mas nunca permite nada além disso - consegue manter a ética, e pra nós brasileiros é algo bacana, proibido por lei um adulto e um menos de 18 anos de idade - então parece que Filipinas e Brasil são semelhantes quanto a isso. 
O pai de Maxi, e outros, preparam uma emboscada contra Victor, pois ele está investigando a venda de drogas associada a assassinatos dentro da família do rapaz, mas quem o salvará desta vez é Maxi.
Como se sabe, Sorge é feminina, o Cuido é feminino, o símbolo da Enfermagem, por exemplo. Então, machucado, Victor é cuidado de modo detalhado-delicado por Maxi, que cozinha pra ele, e faz café - é o amor sincero desvelado por Sorge (Cuidado). Victor, no máximo, passa as mãos nos cabelos de Maxi e o faz também com Sorge, ternura, e será Maxi que roubará um rápido beijo do policial. Dizem que beijo roubado é algo que prenuncia o amor, mas aqui, não.
O pai de Maxi é morto pelo chefe de Victor. A partir daí veremos um Maxi resistindo às tentativas de renovar sua amizade com o policial, aquele que o traiu, matou desnecessariamente sua frágil família, deixando-o órfão, abandonado. Victor quer suprir isso, mas não tem competência e nem humildade para complexa empreitada.
Tenho que comentar o final Cult... A cena mostra Maxi passando por Victor, que estacionou na beira da estrada (rua) no caminho que sempre passa Maxi para ir à escola. O rapaz ignora Victor quando passa ele - que cena entristecida, pois Maxi não é tão forte quanto se imagina. Há um momento em que Maxi hesita momentaneamente, enquanto atravessa, e eu fiquei preocupado dele retornar a Victor, que afinal matou seu pai - amor, nesse caso, pode apresentar limites.
Achamos assim que a ética do jovem mudará, mas não, ele segue o caminho, de cabeça erguida - gostei. A câmera afasta mostrando Maxi passado e Victor encostado no seu carro esperando uma resposta, e nos colocando distante, é fácil o choro. Ao fundo há uma música que pontua a separação definitiva, um adeus melancólico: é preciso amar, mas mesmo no amor, há ética - repetimos. Essa última cena, foi intencionalmente criada como homenagem ao epílogo de "The Third Man" (Inglaterra, 1949, direção de Carol Reed).
Não é um filme para qualquer um, e ele pode chocar os mais moralistas. É preciso fazer suspensão dos preconceitos (e isso é complexo demais), adentrar a uma outra cultura, muito diferente da nossa (Filipinas) e ter um olhar de ternura sobre um adolescente chamado Maxi, a miséria em que vive, e suas expressões gays, expressões essas criadas na sua sociedade, e poderá surgir uma demanda de compreender o policial na sua humanidade, nas suas delicadas fragilidades de ser-sendo junto ao outro no mundo. Victor mesmo não matou, mas entregou dados ao seu chefe... A questão aí é muito maior.
É um filme triste com pontas de comédia. O diretor coloca o policial ético, enquanto não cede aos encantos desejantes de Maxi, mas o faz pecar assassinando o pai, que sabemos comete pequenos crimes. Matar? Não precisava tanto, deixando três rebentos no abandono. Matar mais, diante de tanta morte simbólica, pra que isso? Quem é vida no filme só pode ser o personagem Maxi, a própria existência, um corpo-alma donde corre o sangue humano. Já o policial (o personagem) faz bem o papel de amizade, algo próximo a um ato de carinho, ternura e respeito.
Complexamente, durante pequenas partes do filme, vemos o profissional da polícia também vivenciando uma espécie de "morto de amor", mas se controlando, um gato no telhado quente. Mas é a ética que se espera dele, e o soldado dá conta disso. 
No sentido de todo esse filme, posso refletir que tal lá, tal qual aqui, Freud pode nos esclarecer, trazer uma luz acerca dos desejos, da morte e do abandono.
Viver é difícil, tá gente? kkk

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