quarta-feira, 17 de setembro de 2014

"o fascismo (...) está em todos nós, (...) assombra nossos espíritos e nossas condutas cotidianas, o fascismo (...) nos faz amar o poder, desejar esta coisa mesma que nos domina e nos explora".

* * *

["Introdução à vida não fascista" de Michel Foucault; Prefácio à edição americana do Anti-Édipo, de Gilles Deleuze e Félix Guattari].


eu me achei, então comecei a pró-curar-me [Hiran Pinel]


“Arte e realidade se complementam. Sem realidade, a arte não faz sentido, sem arte, a realidade não tem significado”.

[Bahman Ghobadi, diretor de cinema].





 crítica: esboçando uma.

ONDE ESTÁ A OUTRA METADE DE MIM?

Hiran Pinel

"HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO" (BRASIL; 2014; um filme longa metragem de David Ribeiro). Um jovem cego - Leonardo - sofre algum bullyng na escola, por um ou dois videntes - arrogantes e prepotentes. Leo tem a seu favor uma amiga inseperável - Giovana. A família dele superprotege-o - os pais Carlos e Karina. Ele procura se rebelar, e a avó Maria aparece para fazer um suave contraponto com sua curiosidade em sentir o amor, algo que substituirá (por ora) sua vontade de fazer intercâmbio no exterior. Num dia, aparece em sua sala de aula, um jovem que se anunciará: "Gabriel", como na metáfora do anjo provoca(dor), parecendo levemente com "Teorema" (ITÁLIA; 1968; direção de Pier Paolo Pasolini). A partir daí, as experiências de ser cego (e humano) ganharão novos sentidos, conversas e amores - paixão. Os diálogos entre os dois, as trocas de conhecimentos, altas horas da madrugada trocando ideias e a inicial amizade os comovendo, algo do interior (de uma cidadezinha, e da subjetivação), de um momento impagável, uma dívida que se cria: o que não se nomina, mas se tenta fazê-lo. O outro marcará seu "desenvolvimento-aprendizagem", isso fica evidente: a alteridade na sua mais significativa produção de sentidos de vida: A vida tem sentido a partir desses encontros, bons encontros! Tudo muito gradual e bem minimalista, nesse filme que já é Cult, tal qual "Beautiful Thing" (INGLATERRA; Delicada Atração; 1996; de Hettie MacDonald) que me parece suave e levemente chegado artísticamente. O filme ganhou muitos prêmios, muitos deles, como em Berlim e outros festivais do mundo. Há seis cenas muito bacanas - dentre outras, é claro: 1) a entrada de Gabriel; 2) o beijo na porta da casa, donde Gabriel está sendo o DJ; 3) o cheiro do moleton (a melhor de todas; o objeto como memória do amor e do sexo); 4) a entrada da música de Belle & Sebastian, "There's Too Much Love"; 5) Gabriel no banho (no chuveiro coletivo do acampamento), olhando com desejo (outra cena inesquecível - muitos a julgam melhor que o cheiro do moletom por Leonardo); 6) Leonardo sonhando-delirando em preto e branco, o abandono e o apego. Belíssimo filme, raro no seu tema, delicado como poucos. Adequado a ser usado em sala de aula junto a jovens estudantes, evidentemente conseguindo apoio da instituição escolar e do(a)s estudantes, e quem sabe, dos pais kkk. A escola, em Educação Sexual, vive amarrada kkk. O filme é uma experiência no sentido como em Larrosa Bondía (2002) - o filme mesmo é algo que toca o todo do espectador, e que deixa o papel de apenas olhar para ser, de algum modo, mais atuante, devido a tanta empatia: "A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça" (p. 21). Em "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", o espectador disposto, poderá entregar-se ao que passa nele [em si mesmo], a partir de uma obra de arte.

NOTA: Esse filme foi indicado - pelo Brasil - como habilitado a candidatar-se a lista para o Oscar de 2015 de Melhor Filme Estrangeiro.

Imagens em cima: poster do filme, a cena do cheiro do moletom e a cena do olhar de desejo de Gabriel no chuveiro. Imagem abaixo: Leonardo é vítima de bullyng por ser cego e por homem servir-lhe de ajudador/apoiador.

Referência: BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência


segunda-feira, 23 de junho de 2014

CINEMA INTIMISTA & PESSOAL

 
Cena do curta metragem "Road Movie, Uma Travessia Para Amor" (BRASIL; 1979; direção de Narih Lenip; tipo Super 8; mudo; só restam fotografias do set de filmagens). Protagonistas: Cleo Aguiar & Hiran Pinel.
 
HOMENAGEANDO, ATRAVÉS DE UM "COVER", AO FILME "MY OWN PRIVATE IDAHO" (ESTADOS UNIDOS, 1991, direção de Gus Van Sant).

- Eu já vi a cara escrota dessa estrada!

[fala e gesto copiados por fãs do filme "Meu Retorno Íntimo a Idaho" ou "Garotos de Programa", produção independente; quem diz essa frase é o personagem de River Phoenix].

1o - James Franco (ator) faz cover da mesma cena in My Own Private River; 

2o - foto do original do filme, que gera cover - com River Phoenix;
3o - eu fazendo cover - deveria ter sido numa estrada; fica pra próxima kkk Se bem que minha estrada pode ser os livros... kkk







Hiran Pinel em 10/06/1979... Fotógrafa: Cleo Aguiar. Na época eu era um recém formado psicólogo (Universidade Federal de São João Del Rey - UFSJ / Faculdade Dom Bosco - FDB), bacharel em psicologia e licenciado pleno (Centro Universitário Newton Paiva - UNICENTRO, de Belo Horizonte, MG) nessa mesma área do conhecimento. A foto quando estava em Lajinha, Estado de Minas Gerais.