domingo, 16 de agosto de 2020

 PRECONCEITOS CONTRA A PESSOA IDOSA

Hiran Pinel, autor. Vitória, ES - UFES/ PPGE / Blogger - 16/08/2020.


A cantora Madonna está sendo objeto de preconceito na internet, independentemente do que ela falou, a discussão é ficar em cima do dito por ela, e não chamá-la de gagá, velha, demente, parece que tem Alzheimer...

O tema "preconceito de jovens contra idosos" é um tema dá um bom artigo científico ou popular - e será de ponta, frente à Covid-19, e a questão dele ser do grupo de risco... Mas, parece é há algumas pistas, possivelmente fatuais:

[1] boa parte dos jovens rejeitam idosos, ora por medo de ficar (também) idoso um dia, ainda que distante - e sofrer os preconceitos que eles vêem e sentem os idosos sofrendo na sua sociedade e cultura onde ambos estão inseridos;

[2] ora os preconceitos aparecem pela rejeições sexuais é o "outro-idoso", por exemplo, sofre na carne, a rejeição, o escárnio - e nem falo do idoso frente a isso, a sua ansiedade em negar a idade avançada, uma angústia em recuperar algo que ele acha que não viveu, e o descontrole e pouca avaliação crítica de si como ser no mundo preconceituoso, cheio de estigmas e de discriminações... etc.

[3] Em vez do jovem agir contra a sociedade e produzir práticas de resistência, até em Facebook e na internet em geral, que é um espaço que também serve pra isso, ele atua contra a pessoa idosa - escolhe uma ou outra pessoa velha e joga-lhe o ódio mental ou verbal e até físico - agride aquilo que o ameaça, e não fazendo nada para que isso se modifique, ele então vai caminhando contra si mesmo, afinal, se viver mais, será odiado do mesmo jeito, pelo menos, por uma ou outra pessoa.

[4] Há jovens que dizem ter vergonha dos pais (mais velhos do que ele), e se formos analisar bem, são preconceitos, também o nascimento desses nojos contra idosos.

[5] Outra coisa é o moço achar que a juventude lhe será sempre grata, que com ele será "diferente" (como?) e que ele fará um "místico" pacto com o Senhor Diabo, como no (lindo) romance de Oscar Wilde, uma coisa bem narcísica, sendo um contrato com o Mister Tinhoso para ter eterna juventude, beleza inapagável, todos e todas caindo aos seus pés - diga-se de passagem, uma bela social e historicamente inventada, construída - tudo ilusão kkk

[6] Outra: O jovem imagina que "com ele", ao ficar idoso, será "diferente", algum milagre irá acontecer, as cabeças serão outras, ele terá dinheiro pra comprar tudo e até gente, se bem que se compra, infelizmente, mas nem todo idoso está bem economicamente de vida, ainda mais nesse capitalismo selvagem, nessa sociedade de classes... kkk

[7] Outra compreensão: A moça tem medo de ficar idosa e exposta à doenças e a demência intelectual (que é uma doença) kkk

[8] Muitas variáveis podem ser levantadas para entendermos e compreendermos a dinâmica desse tipo de preconceito, a do jovem contra o idoso, que, por último, é seu espelho humano, o mais real - um rosto triste e amargo refletido no espelho - revelando um tempo e espaço de dor, maldade, perversão, ódio...

[9] A sexualidade desprezível que o idoso oferece pesa muito na construção desse preconceito, por mais que saibamos que beleza é criada/ produzida/ inventada numa "sociedade perversa" que ama o ódio e pouca atração tem com o amor. Quem disse que idoso não tem desejo sexual e necessidade de amar e ser amado nessa dimensão quase-orgânica? Mas, é barra e "sofrência", pois, rugas não é atração aqui-agora nessa terra que dizem ser de Meu Deus... kkk

[10] Tanto que se fala em decadência física, tanto que em vez de idoso e velho, tentaram mudar a situação mudando a linguagem (e subjetividade) criando o termo Terceira Idade...

[11] Mas, nada que um bom processo e vingança do idoso contra o pretenso belo e "rico" jovem! Vingança/ justiça resolve, e sim - resolve, repetimos.

[12] O idoso não é esse ser bonzinho que se "imagina" - por favor, falamos de humanos, frágeis humanos, sendo eles crianças, jovens, adultos, idosos. Por sinal, ser bonzinho é outro preconceito contra o idoso, inventam isso de crianças e idosos...

[13] Se o idoso tem grana, a coisa diminui, mas, o abuso do jovem pedindo grana (abuso econômico) é evidente, é descarado, cria-se situação de dependência do idoso e se pede dinheiro clamando em um meio onde se ele não der (dinheiro) será desprezado...

[14] Mas, enfim, o idoso é uma "pessoa humana", e se ele é capaz de amar e compreender como quaisquer pessoas de quaisquer idades, ele é "dignamente" (kkk) capaz sim, de alguma forma de vingança/ justiça - é sim, ainda bem... kkk

[15] Falamos o tema: preconceito de jovens contra idosos, seja contra uma pessoa velha ou generalizando pra todos os da terceira idade...

[16] Escutei um amém? kkk Sim, preferem aleluia? Aleluia, então! kkk Escutei um aleluia? kkk

***
NOTA DO AUTOR: Dedico à minha amiga Facebook, Ane Lima, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM, que com sua presença dialógica, levou-me a essas e outras reflexões... Agradeço...

sexta-feira, 26 de junho de 2020

A PESSOA É FLOR QUE NÃO SE CHEIRA...

Hiran Pinel

Ligo TV aberta... 

O tanto de falcatruas em "coisas" do covid-19, e envolvendo instituições de saúde, políticos, funcionários e até citam profissões de saúde - compras superfaturadas ganha do rápido contágio do corona... 

Há anos, escrevi num artigo científico sobre eu conceito de pessoa para a "minha" Psicologia Existencialista que considera o "ser no mundo": "O ser humano é flor que não se cheira, no mais, parece ser demandado o manejo desse ser  humano perverso. Essas ações, são geralmente feitas por gentes envolvidas com o tema humanização, produzindo intervenções criticas, sociais e culturais (e outras) para (e com) a pessoa". 

Nesse mal-estar do viver, há sempre pessoas que se destacam como compromissadas, sabedoras e desejosas em humanizar o humano mau cheiroso. A partir daí até se pode "esperançar" de que "tem gente que é flor não se cheira, mas que se cuida e se perfuma".

Só que para fazer (e ter) manejamento ou gestão amorosa/ cognitiva/ comportamental/ social disso tudo que se mostra mau cheirosa, talvez seja preciso construir uma ética estabelecida e democraticamente refletida e agida individual/ grupal e coletivamente, dentro de parâmetros descritos como humanistas na sua totalidade - logo é um vivido que não nega os conflitos, as complexidades, mas uma determinação de mudanças positivas, afinal, viver é uma dialética. 

Humanismo aqui-agora descrito é o ato de considerar o humano como uma "gente prenhe de possibilidades", revelando assim um "clima de esperança", diante do "ser no mundo". 

A meta a curto, médio ou longo prazo é a de procurar, cuidadosamente, superar o seu mau cheiro. Não estou sendo romântico, há vários grupos que conseguem, até no Brasil, ainda que persistem grupos opositores fazendo falcatruas contra o povo, especialmente, contra as pessoas simples, empobrecidas, exploradas, alienadas. 

Não "falo" de opositores que objetivam recriar o mundo, resistir contra o opressão e as falcatruas e corrupçãopontuo os perversos, daquelas flores, que quando chegam o recinto de respeito, percebemos o fenômeno que a latrina não foi limpa, não foi desinfetada - não tem álcool 70 e nem máscaras. 

Por isso, tem gente que odeia prevenção ao covid-19: eles se desvelam essa flor fixada no vaso sanitário, daqueles bares imundos e nojentos, impregnados de mau cheiro, um lugar que não adianta mais limpar, exigindo sua destruição e a construção coletiva desejante de um novo prédio no lugar, em um tempo mais ético, e a boniteza de ser ético.

* * *
Hiran Pinel, autor.
Vitória, ES. - 26/06/2020.
Desde 23/02/2020 em quarentena - saí quatro vezes por questões de saúde.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

O QUE O COVID-19 ESTÁ A NOS ENSINAR?


Hiran Pinel, autor. - 10/06/2020
Vitória, ES. Brasil.


I - INTRODUÇÃO
Vou fazer uma lista de coisas que uma pandemia como a do covid-10 está a nos ensinar ou está nos ensinando - ainda. 

II - TRAJETO DA PESQUISA
Farei isso pelo método fenomenológico de pesquisa (FORGHIERI, 2001), descrevendo compreensivamente o vivido com posts do Facebook (imagens, textos, sons etc.). São posts que se referem especificamente ao tema pandemia devido ao coronavírus...

Para fazer essa lista, fundamentei-me em posts do Facebook, mas a escrita é minha, é de minha autoria e reconheço que nela há minhas análises existenciais, ou se preferirem, há minha interpretação na altura da minha idade e experiência. 

É uma lista incompleta, pois ainda não dei finalizado meu trabalho de pesquisa.

Pode ter erros de português e de digitação - e tem. Depois, de transformá-lo em artigo científico, ele irá passar por um corretor profissional. Poderíamos dizer que se trata de um "ensaio científico", e considerando "ensaio" como o que faz, geralmente, um ator,  antes de se apresentar oficialmente numa peça de teatro, então, é um texto experimental (estou experimentando ou sentindo). É um texto cheio de ensaios, erros, acertos, prazeres e tristezas etc., até que fique pronto e publica em algum órgão científico - isso se for aprovado.

Fundamentalmente, recorro muito ao Facebook para produzir ciência. 

Como procedimentos eu leio atentamentos aos posts que eu tenho acesso e escolho com intencionalidade. Aquele que aborda o tema covid-19 ou outro termo relacionado, presto mais atenção, envolvendo-me existencialmente com ele. No distanciamento reflexivo eu me interrogo: O que é e como é isso? Qual o sentido? 

Desejando citar esse texto aqui-agora produzido, favor fazer a referência correta. Não copie e cole sem dar autoria.

É uma lista não definitiva e que está em processo ainda, pois ainda vivenciamos os riscos da covid-19. Assim, é uma lista essencialmente aberta e emitida no clamor dessa vivência pandêmica.

Dividi em duas partes. 

Na primeira parte, destaco os "aspectos entristecidos", e muitos poderão entender como "aspectos negativos", mas o termo "negativo" não corresponde ao fato, pois, são coisas tristes, algumas delas, próprias dos humanos, e que, talvez fora da pandemia, a coisa seria vivida diferente, de modo mais positivo. 

Na segunda parte, destaco os "aspectos alegres e prazerosos" que está, por ora, em aberto, simplesmente que estou ainda descrevendo e analisando, considerando os tais posts postado no Facebook. 

Recordando novamente, e repetindo: a lista está em aberto, não é determinista ou dona de verdade alguma, ainda que a escrita possa parecer. Por ora, não é uma lista quantitativa indicando a maior ou menor frequência, mas, é essencialmente qualitativa, isto é, é descritiva, compreensiva e até analítica. Minha intenção é produzir, ao final, uma quantidade também.

Outra informação: virei sempre aqui para produzir mais dados, fazer correções. Recordando: isso é um ensaio, e ensaio nesse sentido já descrito.

III - RESULTADOS E DISCUSSÃO
III.I - Aspectos entristecidos
1) que a morte está perto da gente, e pelo motivo mais torpe; 2) que a morte é fácil - pega no respirar do outro; 3) que não sendo morte, é dor - da mais leve (nem percebemos ela por perto) à mais potente (tendo que ficar internado 10 a 20 dias, entubado) em respirador mecânica; 3) que o que imaginávamos ter um serviço de saúde adequado, não é tanto assim, faltando muitos materiais; 4) o quanto um aparelho vital ao viver humano, chamado respirador mecânico, é tão caro; 5) que as políticas públicas tem atendido aos mais diversos interesses, dos mais escusos até as menos, mas que a saúde não tem sido a meta; 6) que ficar idoso nem sempre é uma experiência bacana de se viver, e que de fato, muitas vezes, mesmo que nem sempre, quanto mais velho em idade, mais danos sofre o organismo e isso aberto às doenças e a morte física fica mais próxima; 7) a solidão do idoso ficou estampada no corpo, alma e mente dele e dos jovens e adultos e idosos arrogantes, que o desprezam; 8) que os jovens desprezam os jovens, mesmo sabendo, que se tiverem saúde, serão um dia velhos, não construirão amizades significativas, e ficarão idosos, isso se seus amigos sinceros estiverem na mesma idade deles; 9) a solidão dos idosos deveria ser um motivo para a sociedade se interrogar: a) O que os idosos fazem para não conseguir amizade e afiliação dos filhos e outros parentes, por exemplo?; b) Quais as dificuldades dos idosos e dos jovens em fazerem amizade entre si?; 10) o covid-19 "me" ensina a valorizar aquilo que chamamos de "lar" - uma casa ou um espaço privativo para se viver, deve ser uma meta política prioritária de uma nação, com todos tendo o direito mínimo de ter um espaço, para ele ser transformado em lugar de afeto, e essa pode ser uma das razões para ter tanta gente que "não para em casa", indo pra rua e se expondo à doença, que pode ser mortal. Notemos que há gente com boa casa, carro, internet e outros confortos que não suporta ficar em casa. Há pessoas muito humildes, com uma "casinha pequenina" que fica. Mas, há milhões de empobrecidos que ficariam em casa se tivessem uma casa para transformá-la em "lar" (aconchego, segurança etc. - que são coisas construídas na história e na sociedade, e que são muito fortes, pelo menos no Brasil); 11) que numa pandemia problemas psicológicos emergem como depressão, perversão, psicopatia, megalomania, nervos à flor da pele, violência doméstica no geral, aumento da ilusão que passa a ser considerada entre real e fantasia, necessidade acentuada de apoio emocional etc.; 12) aumento de uso de psicofármacos calmantes e ou agitantes; 13) aumento do uso de bebidas alcoólicas; 15) aumento de uso de drogas ilícitas; 16) desespero existencial revelada em grupos deprimidos e ou agitadíssimos; 17) vazio existencial - a pessoa fica procurando um sentido de viver, e não o encontra; 18) possibilidade de irromper ideias suicidas; 19) vizinhos, sem desconfiômetro, começa a impor sua ideologia de sua moradia como som alto, tipos de músicas, imposição de sons religiosos, tocar um instrumentos para todos os morados, sem a aprovação desses, sons que representam ideologias políticas, especialmente as radicais etc.; 20) revelações perversas, que antes estavam adormecidas ou negadas até intencionalmente como racismo, sexismo, contra a população LGBT, contra indígenas, contra cotas em vestibulares, mulheres (em geral), contra idosos, contra crianças (eu li um post contra crianças com câncer dizendo que elas era um pé no saco e que deveria ter um anestésico para matá-las), contra a mulher ser uma figura que sustenta, até economicamente a família etc. 21) alta resistência em entender aspectos claramente lógicos (cognitivos), pois o emocional impede isso: por que os negros tem direito a cotas nas universidade e empregos? Não conseguem dialogar isso... Nem dialogar... Odeiam o diálogo que é inconstante, não sólido e que se faz ao fazê-lo; 22) o ódio ampliado contra os grupos que se denominam ateus, que por sua vez, é um grupo, que quando radical, a todo instante ficam "provando o óbvio", e o fazem de modo constante, e por outro lado, os cristão ficam insistindo na sua ideologia salvadora e que que Ele existe de fato concreto; 23) de que há políticas de Estado que pode atuar contra a saúde do povo e que isso não aconteceu no nazismo ou no fascismo, isso pode acontecer em quaisquer lugares; 24) que a escola e a professora fazem falta à dinâmica do lar, e que os pais, mesmos os graduados em ser professores, não dão conta dessa tarefa; 25) encontrei numa post, uma mãe dizendo, que de fato: "eu sou professora e não sei nada... Vou ensinar matemática, para meu filho, coisas que eu ensino pra série em que ele está e eu confesso que não sei... Deve ser por eu ter péssimo curso de pedagogia, deve ser" e ao final coloca kkk... Deve ter colocado gargalhadas só pra não chorar (kkk); 26) No caos social de uma pandemia há informações, que são, de fato, contraditória; 27) que nesse mesmo caos de uma pandemia, pelo emocional que nos pega, ficamos com o nosso cognitivo e corporal embaçados, coisa de que nos impede entender racionalmente uma informação na área da prevenção; 28) passamos a ter ódios de vizinhos, e qualquer coisa que acontece (arrastamento de móveis, por ex.) é motivo ou desejo de odiá-lo; 29) aumento de quadros patológicos da esfera da alimentação como o aumento do "ato do comer exagerado" ou "do comer muitíssimo pouco" podendo vir acompanhado de somatizações do tipo dores de cabeça, preocupações com doenças e ter que sair de casa expondo-se aos riscos, vômitos, dores de estômago, descontrole da diabetes, por ex. etc.; 30) depressão suicida sutil - sair de casa entrando em contato com grupos imenso e não obedecendo atos recomendados de higiene e comportamentos adequados contra o covid-19 etc. Tudo isso sem explicitamente desejar morrer, mas ainda assim "morrendo"; 31) (estou ainda a descrever... Vou acrescentando de modo gradual às minhas descrições e análises compreensivas dos posts) ...

III.II - Aspectos alegres e prazerosos

IV - CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS
FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Psicologia Fenomenológica; fundamentos, método e pesquisas. São Paulo: Pioneira, 2001.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

esse livro é muito bom...
GONÇALVES, Adriana Garcia; MANZINI, Eduardo José. Classe hospitalar; poesia, texto e contexto de crianças e adolescentes hospitalizados. Marília/ SP: abpee, 2011.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Achei esse texto no "meu" Facebook escrito por mim em 10/01/2017, às 19:10... Acho que cabe bem a esses tempo de coronavírus... Copiei e coloquei jogando-o para esse "meu" blogspot - Hiran Pinel, autor...


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A ignorância é tão alta, e o desprezo à ciência é tão denso, tenso e intenso, que eu me limito a falar de "Sotus The Series" - de Singto e Krist, meus seres divinos multifacetados e que me recordam a adolescência perdida, e aparentemente não vivida, fazendo-o com prazer e angústia bastantes (risos) - percebem a ironia? Pouco gente, ou quase ninguém, escuta mais - nem sei se já me escuto (a ironia novamente). Infelizmente, não é mais comum, educandos escolares e não escolares, se entregarem a uma "experiência vivencial" advinda do ensinar-aprender, e com isso, se autorizar "saber de e com sentido" e a crescer/ desenvolver-se. O "ato de aprender" e o "ato de ensinar", na maioria das vezes, e dos casos, exige um "eu me autorizo", "eu me permito ". Ao mesmo tempo, estamos perdendo a "capacidade de ensinar", que também é uma disposição atitudinal, a de provocar o "envolvimento existencial" e "distanciamento reflexivo" do "que é" e do "como é" ser ensinante-aprendente, inventando e produzindo "aprendizagens de sentido"... Alienação? Assistir "Sotus The Series" é alienação? Ter fotos de Singto e Krist em algum "álbum de recordação" é verdadeiramente alienante? Tem certeza? Ultimamente, diante do eu vivo do macrossistema estatal impactado em mim, tenho preferido o "descanso da e na loucura" pela via artística, que é amorosa, pois essa, ainda assim, por ruas e becos públicos complexos e sensíveis, em noites bem (ou nem tanto) iluminadas, leva-me à ciência, pois a arte sempre se atrela ao real, ainda que possa ser fantástica e surreal - mas, sempre reveladoras de possibilidades de "ser no mundo". A arte, a literatura e a poesia pegam em meu corpo e me conduzem a uma mínima possibilidade de não desligar da ciência, alertando-me que sem ela, nem tudo é verdade, nem tudo é possível.

(Hiran Pinel, autor).

terça-feira, 14 de abril de 2020

Primeiro a gente se encontrou
Era muito tarde prum dia de coronavírus
Estávamos com medo
E acreditávamos que tínhamos razão de ser
Mas, a gente não conseguia dar conta da vida e da morte
Sozinhos na rua - eu olhava com ternura
Estava com sede e ela me disse "inanição"
Então, você sabe de alguma coisa? Sente?
Quantas oportunidades de encontrar o amor?
Nunca foi fácil pra mim
Dei uma olhada pra trás, pra frente, pro lado...
Podemos passar desse dia?
Ele será único. Único dia.
Um ser humano desolado esperando
Uma falta sentida
Será que você é minha salvação?
Poderemos um dia nos encontrar assim, "soltamente"?
Ficamos estagnados - um olhando para o outro, desejo
O dia vai raiar e nós assim, um lindo amor a distancia
O sol surgindo - o amanhecer cheio de alvoradas
Adiante, o relógio marca o tempo, mas não o lugar
Pode ser essa pessoa a minha escolhida?
Retornando, já reconheço meu mundo vazio
Mas, eu não sou mais eu mesmo
Quero intentos, delírios e alucinações - congêneres
Olho-me primeiro todo asseado, asséptico
Passo água sanitária no chão que um dia você pisou
Passo álcool nas mãos
Escovo os dentes
Limpo as mãos com sabão
Vou deitar em lençóis de linho branco
O sol está forte, a cortina evita esse "solario"
Se ele pensa em mim?
Amanhã de madrugada não será a mesma coisa
Não será a mesma pessoa
Nem eu, serei eu.
[Hiran Pinel, autor; 10/04/2020]

terça-feira, 10 de março de 2020

PERCEPÇÃO IMEDIATA DO USO DE MÁSCARA EM TEMPOS (E ESPAÇOS) DE PREVENÇÃO CONTRA O CORONAVÍRUS.

INTRODUÇÃO
Saímos hoje, dia 10 de março de 2020, após orientação acadêmica, pois, estou trabalhando, não estou morto, por ora. 

Nosso objetivo é o de descrever nossas "vivências imediatas" usando máscaras em tempos de coronavírus.

METODOLOGIA
Fomos passear pela capital - Vitória, ES.: Shopping Vitória, supermercado Carone e uma cafeteria, ambas em Jardim Camburi.

Segui orientação da "minha" médica: [1] máscara sim, até para provocar mudanças de atitudes; [2] lavar mãos durante 15 segundos; [3] álcool gel - sempre; [4] distancia uma pessoa pra outra, nada de dar abraços, beijinhos, fugir de quem gosta de falar na cara da gente.

RESULTADOS
Colocamos máscara para sentir as percepções: 
a) gozação geral - foi algo que ocorreu, brincadeiras etc. - é difícil lidar com o "fato científico", muito, pois, nesse caso, implica em afastamentos corporais, dores como se tivesse afogando, morte, angústia etc.; 
b) desprezo e até nojo da gente, talvez preconceito e medo - após gozação; 
c) um rapaz falou "boa noite" comigo e me disse que era bobagem usar máscara que nunca iríamos ter o coronavírus, pois somos clima quente - não sabemos ainda como o corona irá lidar com alta temperatura, na Tailândia tem, e lá é hiper quente; 
d) uma senhorinha nos disse que ela tinha fé no Senhor e que ela não iria "pegar o corona" - "sempre fui religiosa", ela complementou - muito simpática, seguiu seu caminho etc.; 
e) pessoas que espirram se nenhum cuidado - observamos isso - desprezo a si e ao outro e desconhecimento do fato científico, uma pandemia; 
f) pessoas fingindo que espirravam, quando nos viam com máscara (gozação e agressão); 
g) uma pessoa nos contou, que no trabalho, fazendo reunião, um colega espirrou sem cumprir as regras de cobrir com o braço o rosto, e não satisfeito, com as mãos espalhou o catarro na mesa, e que ao levantar-se da mesa (o cara que estava nos contando), ele foi chacota do grupo que achou exagero - as dificuldades cognitivas de perceber o real, devido às emoções advindas das sensações de perda de si (morte) e do outro, além das dores e dos estigmas contra quem porta o coronavírus;
h) críticas às políticas de saúde do Estado brasileiro - evocando protesto e resistência;
i) desconhecimento dos sintomas, de como é tratado (o coronavírus), o fato de que, se morrer, como a pessoa será enterrada, alterando o ritual clássico do enterro, normalmente acompanhado de amigos e parentes do defunto, por exemplo.
j) uma pessoa nos disse que ela não pegará o vírus, pois é muito cuidadosa, "limpinha" - revelando desconhecimento;
l) a grande maioria nos parou e perguntou onde achamos pra comprar as máscaras, que não tem achado, assim como elas não acham com facilidade álcool gel - ou seja, a maioria, segundo nossa percepção, está envolvida com a situação, pois, elas tentaram comprar máscaras, gel etc.

CONCLUSÃO
A maioria, nos pareceu interessada na prevenção contra o coronavírus, já que disseram que tentaram comprar máscaras de proteção e não conseguiram, bem como álcool gel. Mas, ainda, há casos de resistência contra, que no nosso sentir imediato, advém de uma pandemia estar associada à angústia da dor e da morte física.

Seria muito positivo que o Estado produzisse material relevante na esfera da Educação na Saúde Pública, assim como já produzisse leis específicas facilitando o controle ou prevenção.

Tratou-se de uma "pequena investigação" (?) totalmente informal.

PÓS-ESCRITO
Sentimos uma boa 'sensação' em usar a máscara cirúrgica como dispositivo de prevenção conta o coronavírus, mesmo que efetivamente ela traga falhas, seja no modo de sua utilização, seja porque os outros não a usam, seja pela qualidade delas, as dificuldades, por ora, em comprá-las, pois não as encontra facilmente no mercado etc. O seu uso trouxe a nós essa "sensação", que acaba produzindo alguma tranquilidade diante de uma situação aparentemente bem caótica e que pode se transformar em um evento histérico. 

A "minha" médica me disse, que usar máscara é positivo para provocar atitudes dos outros (e nossa própria), justamente porque o "doente mesmo", ele não usa, ele resiste - ele acha que é "pinta", para ele é humilhante e ineficaz - "nada a ver eu ficar usando isso"... Vendo pessoas usarem máscara, ele se sentirá menos humilhado, e o uso produz aceitação. O paciente doente de fato, sempre acha que espirra "por alergia", sendo essa a justificativa mais comum, ele tá lá morrendo, mas, como defesa justifica que é "apenas uma alergia". Ela disse: "já que o outro não usa, a pessoa mais mais crítica pode usar como efeito pedagógico, justamente pra provocar, e é assim que se faz no Japão e em outros países, um uso provocativo ao outro que precisa, pois não é só no Brasil que se resiste ao uso da máscara..." Outra coisa que ela disse, é que "ao usar máscara" eu acabo afastando proximidades exageradas, apertos de mãos, beijinhos etc. A máscara costuma produzir distância - mas minha experiência disse que não. Um aluno meu, não se importou comigo estando de máscara, se aproximou, quis dar beijinhos e abraços, eu que produzi afastamento e ele alegou que não sabia da gravidade, mesmo a gente, no Estado do Espirito Santo, ter uma paciente já diagnosticada, vindo da Itália.  Mas, nos pareceu, na maioria das vezes nessa pequena vivência de sentido, de que, o estranho, ou despreza o fato de estarmos mascarados, ou tem nojo ou rancor/ raiva e até mesmo antipatia, pois, ao mesmo tempo, quem usa máscara pode estar a lhe recordando do problema da dor e ou da morte, de algo que "ainda" não tem cura - o coronavírus.

* * *
Hiran Pinel, autor.
Menderson Rezende, co-autor.