segunda-feira, 26 de outubro de 2015




Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
[Retrato, de Cecília Meireles]


O pintar azul do céu
De uma cor brilhante, como um blues
Com pontos de amarelo e vermelho
Olhando pra cima, você pegou nas minhas mãos
Levou-me a rolar na grama verde - em meio a tanto azul
Ligou seu "radinho", e tocou um blues
Céu azul, e nós na relva, seus braços, seus beijos
O blues tocando, e você então me pede pra traduzir a letra
Eu então começo no seu ouvido a dizer:
O pintar azul do céu 
De uma cor brilhante, como um blues
Com pontos de amarelo e vermelho
Olhando pra cima, você pegou nas minhas mãos
Levou-me a rolar na grama verde - em meio a tanto azul
Ligou seu "radinho", e tocou um blues
Céu azul, e nós na relva, seus braços, seus beijos
O blues tocando, e você então me pede pra traduzir a letra
Eu então começo no seu ouvido a dizer:
O pintar azul do céu...

[Hpinel; ficção]


Ao discorrer sobre a amizade íntima com o humanista e poeta Étienne de La Boétie (1530-1563), o escritor Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) assim escreveu 'in' Ensaios:
“Na amizade a que me refiro, as almas entrosam-se e se confundem numa única alma, tão unidas uma à outra que não se distinguem, não se lhes percebendo sequer a linha de demarcação. Se insistirem para que eu diga por que o amava, sinto que não o saberia expressar senão respondendo: porque era ele, porque era eu. ”
Quantas vezes você viu o amor voar, afastando-se de você, e ele estava tão perto, não é? O que você fazia sempre era apenas suspirar? Quantas vezes você sentiu o frio no seu corpo, esperando que o amor te salvasse? E ele estava ali tão perto de você, mas o idealizava demais, e nem o percebeu te tocando a pele, e de forma tão suave, entre o sonho e a realidade. Passamos nossas vidas esperando sentir o coração bater, as pernas tremerem, indicando possibilidade de amor e de amar. Eu não sei se o amor que nós inventamos é o amor real, o concreto amor, ou se esse amor que sentimos é algo fantasioso, demasiadamente longe de nós. Acho que precisamos coragem em tudo na vida, e com o amor não é diferente. É preciso que nos contactemos com o que está perto de nós, o amor-aí-mesmo, ele jogado junto ao outro no mundo, pedindo a nós para que o recolhemos, jogando-o para dentro da gente mesma - interiorizando-o.

[Hpinel; ficção]
NOSSAS HISTÓRIAS NOS ESPAÇOS DA ESCOLA
Prestes a formatura do seu ensino médio, um aluno "tira" fotografias da escola vazia, e o faz no período noturno, de fato, madrugada. O amigo íntimo chega, e o pergunta: "- Porque você faz isso?" O fotógrafo responde: "Eu quero que as pessoas vejam os espaços vazios escola, para que possam preenche-los com as suas próprias histórias".

["Home: Love, Happiness, Memories " - filme de 2012, direção Chookiat Sakveerakul. Tradução possível: "Lar: Amor, Felicidade, Memória"].

meu ator favorito, March Chutavuth Pattarakampol. Um rosto que atrai a câmera de cinema - uma cara nascida para a tela. 



No filme Vai Que Cola, o Filme (2015; de César Rodrigues), o personagem Valdomiro (ator Paulo Gustavo) tem que vender um apartamento 'chic' de cobertura no Rio, no Leblon kkk, e então ele faz a seguinte reflexão: 

"Pra quem vou vender? O Michel Jackson já morreu, o Eike [Batista] não está num momento bom, e a Xuxa foi pra Record" kkk

ator Paulo Gustavo: todas as penas de ganso do mundo em um único travesseiro... perfeito gente... kkk


Esse filme é muito bacana e cumpre o prometido: diversão... O Paulo Gustavo está ótimo e a maioria das cenas é pra ele, um ator talentoso, abusado. Pessoalmente adorei a cena descrita acima e a que ele reclama de que todo filme veste de mulher, o Majella devolve que "todo mundo sabe que você é melhor como atriz". Mas o Marcos Majella tem três cenas impagáveis e que, de certo modo, as mais memorizadas: 1) imitando Luisa de Marilac; 2) na festa, do nada, aparece brilhante dublando uma cantora - dá pra arrepiar pelo inusitado, pela presença quase heideggeriana kkk adorei; 3) ele em cima da combi como no filme "Priscilla, a Rainha do Deserto" (1994, direção de Stephan Elliott).

Luisa...

Cover de estrela, de fato um ator que é estrela.

Cover de Priscila, Rainha do Deserto.

 



 - Fique!

Atores Jelle Florizoone como Pim (loiro) & Mathias Vergels (moreno) como Gino, numa pequena obra de arte.



"North Sea Texas" (BÉLGICA, 2011, direção de Bavo Defurne). Pim é um garoto de 10 anos de idade, e que sempre sofreu abandono da mãe, uma irresponsável - que toca acordeom e vive com muitos namorados. O pai abandonou a família, logo se percebe sua ausência, sua provável força e falta dela. Pim se refugia na casa dos outros e encontra em casa de um vizinho lugar donde é bem tratado (amado, pela mãe social), e nesse lar a dona tem dois filhos Sabrina (que se apaixona por Pim) e Gino. Agora Pim tem 15 anos e Gino 18. Pim procura segurança, e o consegue em Gino, na atenção afetiva ali instalada. Ao longo desse filme, Gino casa-se com Françoise, e também pelo próprio casamento, ele se afasta de Pim, que se sente rejeitado, sozinho e angustiado. Nesse filme encontramos o abandono, a aceitação, família social, o amor, a rejeição, o casamento, a separação, o rompimento, a obsessão, o reencontro e finalmente o amor. Quando é procurado por Gino, e abraçado, Pim pede ofegante: "Fique", talvez a cena mais sensual. Gino confirma - é preciso um final feliz para os espectadores continuarem viajando, sonhando com o amor romântico, alienado... kkk. Muito bacana: Tem cena cover de Brokeback Mountain (ESTADOS UNIDOS, 2005, de Ang Lee), com barraca e tudo kkk.