quinta-feira, 26 de maio de 2022

UM MÉTODO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DE PESQUISA (E DE INTERVENÇÃO) INSPIRADO EM VIKTOR FRANKL

Hiran Pinel - 12/12/2012

INTRODUÇÃO

Qual é o método fenomenológico-existencial de pesquisa (e de intervenção) que pode ser pensado-sentido-agido inspirado no psicólogo e educador existencialista Viktor Emil Frankl?

MATERIAL, MÉTODO & TEORIA

Fundamentalmente, este "paper" emergiu do artigo de Hiran Pinel, intitulado "o conceito de "otimismo trágico" de Viktor Emil Frankl: Subsídios para o Exercício do/ no Ofício Educador Social", publicado em "Psicologado.com.". Este artigo estava em um antigo site de uma revista, que foi fechada. O sítio era: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-social/o-conceito-de-otimismo-tragico-de-viktor-emil-frankl-subsidios-para-o-exercicio-do-no-oficio-educador-social

Ora, tais ideias partiram de Frankl, e então nos inspiramos nele, em: Frankl (1990, 1991; 1995). Mas, este modo de pesquisar o sentido, tem mais detalhamentos cuidadosos, que se aproximam de outras propostas de pesquisa como as de Forghieri (2003; 2012) e outros, onde o conceito de pessoa, mundo, problemas e tentativas de ação de ajuda pela via da criação de práticas educacionais e de clínica são bases teóricas para pensar-sentir-agir uma investigação de tal verve e dimensão de relevância psicossocial.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Como chegar ao sentido? Como revelá-lo? Como pesquisá-lo?

Há uma via de um processo de descoberta do sentido, uma revelação de que pode tomar como primeiro passo a utilização de depoimentos, de biografia, de memorial do todo ou parte de um causo de sentido, pontuando ela mesma, o que denominamos de vivência de sentido.

No seu livro "Em busca de sentido", Viktor Frankl faz um longo depoimento acerca da sua própria experiência vivida-sentida nos campos de concentração nazistas onde esteve, viveu, sentiu... Tratam-se de espaço-tempo de onde inventou seus discursos e ou teorias - do lugar do sofrimento, o transcender se deu por sua luta em criar uma psicologia clínica, ou melhor, uma terapia e ou psicanálise existencial.

A partir daí, deste vivido, o sentido de ser (e o sentido da vida) pode ser localizado entre uma "experiência-surpresa-inusitada" como numa percepção gestáltica, ou seja, repentinamente emerge um sentido diante de nossa percepção total, inclusive nosso olhar, nosso cheirar, nosso tocar etc.

Poderemos, a partir das descrições obtidas da nossa coleta de dados, "enxergar" (sentir) e tocar em algo inédito, inusitado, uma surpresa que no desvela um sentido ou mais sentidos.

Todavia, não se trata aí de apenas revelar uma "Figura‟ que percebemos como que postada ou declarada de modo inconteste de um "Fundo‟, mas, que também é algo além à percepção gestáltica.

Ora, no caso da "percepção do sentido", podemos sentir, raciocinar e agir diante do que se nos revela, pelo que se mostra, o de que há um questionamento à descoberta imediata de uma "possibilidade" no "fundo (de uma) da realidade" - há assim uma esperança que emerge da vontade de sentido de ser na ação pela persistência e perseverança.

Neste movimento psicológico e social provocativo do ser pesquisador, o que nos parece estar efetivamente "jogado na nossa cara" é a possibilidade também da nossa arte de interferir na realidade, e isso, nem sempre é algo não imediato, mas agir é preciso, indissociado ao sentir e ao refletir ou racionar e ao corpo que fala, que sente, que revela.

Assim, como pode acontecer de experienciarmos mudanças? É demandado Sorge na espera, pois o existencialismo implica também em esperar, uma educação que espera, educação da espera. E quando essa ações que mudam acontecem? Elas só ocorrem quando há uma oportunidade implicada em necessidade e ou vontade. é demandado "vontade de sentido". Quando isso "de mudar" for possível, a surpresa mesma irá exigindo do pesquisador e o pesquisado, cuidados, auto-cuidados, delicadezas e ações até radicais, pensamentos inventivos, expressões corporais de enfrentamentos e de resiliências, um abrir a sentimentos, emoções e desejos compatíveis como nosso projetos de ser e de sonhos.

De fato, cada situação vital com que temos de lidar de modo belicoso ou não, nos (co)move a uma demanda, e será a vida que poderá nos levantar uma questão, uma pergunta. Falamos de uma interrogação que Ela (a Vida) exige de nós uma resposta, impondo-nos o "fazer algo" diante da vida provocadora, naquela situação específica indicada, pontuada, revelada.

Vamos imaginar uma pesquisa fenomenológica com a criança, por exemplo. Essa criança (ou um grupo delas), quando ela é uma pessoa que colabora com nossa pesquisa, poderemos descrever e revelar que ela atua de modo mudar o (seu) vivido, seja através do desenho, das tarefas escolares, do lúdico, do obedecer e do desobedecer, do sentir dor e alegria etc. A criança, então, pode revelar o sentido de ser do sentido da (sua) vida, e essa revel(ação) é um agir, pelo menos uma tentativa, corpo/alma/mente. O sentido emerge e se cristaliza na ação. É a ação que, ao se permitir conduzir pelo sentido, revela o próprio sentido do sentido.

PÓS-ESCRITO

Dentro de um estudo acerca do sentido (da vida) do educador e do educando, é que aparece o que poderíamos de modo inventivo denominar de objeto da Pedagogia Hospitalar. Esta Pedagogia é a própria intervenção que advém do que se denomina trabalho pedagógico e educacional hospitalar e domiciliar.

O objeto desta Pedagogia são as práticas educacionais contidas nos atendimentos educacionais em ambientes hospitalares (e domiciliares) seja quando propõe ensino de conteúdos escolares preconizados pelo Estado, que pode classicamente acontecer no espaço físico denominado de classe hospitalar, assim como ensino-aprendizagem de conteúdos não escolares, formais e ou informais.

Neste tipo de proposta da Psicologia Existencial, o que tem contado de modo indelével são as atitudes (e até habilidades que podem ser aprendidas) dos profissionais do magistério e do ensino-aprendizagem que irão (co)mover suas propostas com disposições à escuta, ao cuidado, à generosidade, à empatia etc., e reconhecendo a presença frankliana nesse processo vivido.

O objeto formal da Pedagogia Hospitalar, que pode ser uma intervenção na realidade vivida pelo educando e ou aluno com graves problemas de saúde que lhe impõem internação por longos períodos de tempo. Estas propostas de intervenção nascem do planejamento, execução e avaliação de prática educacionais que impõe a relação educação e saúde. A Pedagogia Hospitalar é uma ciência normativa, comprometida com o fazer, com o agir, mas também com o sentir, o pensar, o refletir - elaborar projetos de ser e de sonhos. Apropria-se de diversas análises de indivíduos enfermos, de grupo deles, de instituições criadas para e com eles como escolas, hospitais etc., bem como o poder e potencia da sociedade onde tudo isso se insere. A Pedagogia Hospitalar precisa de outras ciências que lhe dêem suporte para inventar e ou produzir tais práticas educacionais. Denominamos classicamente que a Pedagogia é uma das Ciências da Educação, demandando da Psicologia, da Sociologia, da Filosofia, da Biologia, da História etc.

REFERÊNCIAS

FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Psicologia fenomenológica; fundamentos, método e pesquisa. São Paulo: Pioneira, 2001.

FRANKL, Viktor Emil. et al. Dar sentido à vida. Petrópolis (RJ): Vozes; São Leopoldo (RS): Sinodal, 1990.

FRANKL, Viktor Emil. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 3. ed. Petrópolis (RJ): Vozes; São Leopoldo (RS): Sinodal, 1991.

 ____ . Logoterapia e análise existencial. Campinas (SP) :Psy II, 1995.

FREIRE, Paulo. Paulo Freire e os educadores de rua; uma abordagem crítica. Projetos Alternativos de Atendimento a Meninos de Rua. Bogotá: UNICEF, 1988.

____. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

____ . Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1989.FROMM, Erich. Ter ou Ser? Rio de Janeiro, Guanabara, 1987.


Fonte: 
© Psicologado.com no artigo: O conceito de "otimismo trágico" de Viktor Emil Frankl: subsídios para o exercício do/ no oficio de educador social 

domingo, 17 de abril de 2022

 

O PROCESSO VIVENCIAL DE SER ESTUDANTE CEGO NA SINDEMIA DA COVID-19

Hiran Pinel, autor

12 de abril de 2022

Vitória, ES.

EM CITANDO: Favor referendar. Não cometa crime  de plágio, de qualquer jeito sempre devemos a alguém antes de nós, que pensou-sentiu-agiu, MAS cite. É fácil citar


O surto, a epidemia, a endemia, a pandemia etc., desvela, ao contrário do que se pensa, de que há mais variáveis, e não apenas uma, nas questões de saúde como na atual Covid-19, DST-HIV-Aids, influenza, hanseníase, febre amarela etc. Podemos acrescentar aqui-agora o termo "sindemia", considerado um termo mais correto em lugar do de pandemia. Mas, qual a origem do termo "sindemia"?

A palavra "sindemia" traz ao seu corpo etimológico dois vocábulos aparentemente diferenciados, mas que se completos: "sinergia" e "epidemia". Fue Émile Littré, século XIX, que intrduziu em seu "Dictionnaire de la langue française" (1872-1877) a palavra "synergie" como própria da Fisiologia: é a confluência e  competição "de ação, de esforço, entre vários órgãos (humanos), vários músculos; associação de vários órgãos para o desempenho de uma função”. Trata-se de sintetizar o que se conhece por "epidemias sinérgicas". De origem grega, "syn" =“trabalhar juntos” ou “atuar, agir com”, enquanto "demos" = população, que é usado ao modo semelhante aos termos epidemia e endemia.

Na sindemia ocorre diversas doenças, em seus múltiplos estágios, interagindo de forma e modos interdinâmicas e diferenciados, produzindo danos uns aos outros, aumentando negativamente seus efeitos sobre o organismo humano coletivo e individual destacando e desvelando direta e visivelmente seus impactos numa dimensão social, ambiental, biológico e psicológio-existencial.

Podemos falar em uma "sindemia da emergência", ela que carece de uma visão ampliada (ou holístico-existencial) quanto ao papel da Saúde Pública. Para um serviço de assistência adequada e de qualidade ao povo, onde o próprio Estado resista desbragadamente contra sua necropolítica - e isso é (im)possível, pode ser uma exigência criar e fazer uma metafórica travessia da abordagem clássica epidêmica quanto ao risco de transmissão, chegando ao uma percepção do fenômeno existencial (humano, mundo, problema, intervenção) inserindo os modos de ser do ser no mundo sindêmico, potencializando os aspectos sociais, biológicos/ orgânicos, psicológicos e até existenciais.  

Na perspectiva, aqui-agora descrita, a sindemia é um termo que indica a responsabilidade que temos em descrever compreensivamente o conjunto de problemas de saúde, que são de fato interligados, e de modo complexo, mas de uma aproximação muito íntimas e ao mesmo tempo indissociáveis. Essa associação de doenças, quanto mais se interligam, mais elas vão se ampliando na contaminação uma das outras, prejudicando, mais e mais, a saúde do ser humano. O prejuízo pode ocorrer numa dimensão individual, mas, principalmente na coletiva, revelando de modo mais evidenciado as condições pelas quais tais pessoas estão inseridas, sendo elas oprimidas, marginalizadas, famintas, obesas, diabéticas, com sérios problemas cardiológicos, uso de drogas etc., pontuando o estado psicológico existencial em sentir-pensar-agir experiências negativas, pois injustas, como a  pobreza, a estigmatização, o distresse, a violência etc., que tem persistido na estrutura de uma sociedade de classe, estruturada por um capitalismo selvagem.

Assim sendo, a sindemia envolve grupamentos de duas ou mais doenças entre o coletivo populacional, bem como o mostrar da indissociação de fatores psicológicos (problemas emocionais; problemas na aprendizagem devido à tensão gerada, por exemplo), sociais (e culturais), e de chofre, o biológico ou orgânico-corporal (doenças infecciosas e parasitárias, doenças crônicas não transmissíveis, desnutrição etc.).

*

Temos estudado o/a aluno/a cego/a no processo "pendêmico" da Covid-19  associado com outras doenças (psicológicas, biológicas, sociais) em contextos sociais diferenciados, que o são, de modo radical, pela classe social, configurando, então, o que se denomina de sindemia. Temos focado uma Educação Especial dentro e fora da classe hospitalar, observando o sujeito propriamente dito com suas singularidades, assim como sua família e ao entorno, fazendo parcerias com os serviços públicos de saúde e de educação fora do hospital (classe hospitalar).

Compreendemos o aluno cego empobrecido pelo sistema capitalista selvagem. Seu nome pode ser Kongpob, e ele pode ser compreendido como aquela pessoa com uma vivência distressante que a sindemia acarretou, inclusive, dificuldades emocionais e "tensionais" (corporais) que o perturbava no seu desempenho acadêmico em "estudos online" no seu domicílio, ou estando ele numa "sala de aula inclusiva" ou numa "classe hospitalar", lugares de sentido em que vinha obtendo bons rendimentos, só que antes do fenômeno sindêmico. O reflexo existencial de uma Covid-19 na pessoa cega, no seu caso, produziu impacto nos "modos (dele) de ser" cego no seu "ser no mundo" complexo, injusto e perverso, apesar de algumas subjetividades e objetividades positivas. Tanta psicopatia advinda das pessoas e da necropolítica (Estado) foi desvelada frente às situações caóticas da saúde pública brasileira, devido mesmo a uma péssima gestão dos serviços (de saúde) oferecidos pelo país ao cidadão empobrecido e oprimido.

O atendimento oferecido não foi da altura de uma pessoa cega e rica, ele mesmo percebeu isso, um médico chegou a expressar isso conosco - com o Grufei, a diferença de tratamento na saúde pública comparado com o de pacientes conveniados com sistema privados de saúde, ainda que no caso da Covid os recursos cientificamente disponíveis serem bem escasso.

A professora de Educação Especial no seu cotidiano, poderá desaperceber um cotidiano de ser cego, que nas condições de prevenção contra a Covid, seu aluno tenderá a sair prejudicado, pois, não enxergando, tudo fica difícil a ele nesse contexto sindêmico, por ex. Fica muito difícil ao aluno cego fiscalizar o uso, no outro, da máscara, do álcool gel, assim como o distanciamento, e o não passar as mãos em objetos que podem estar contaminados etc.

As mãos, não só elas, mas principalmente elas, são uma das possibilidades (ricas, até) do cego lidar com as coisas dos mundos, o outro e os outros - tocar, o autorizar-se tocar-se e permitir que o outro o toque. E em ambiente inóspitos, adversos/ agressivos/ perversos/ preconceituosos/ estigmatizadores/ discriminadores etc., o "passar as mãos" torna-se assim mais um risco para expressar seus "modos de ser" frente à sindemia da Covid. Mas, esse "ser no mundo" vive em um mundo desigual, principalmente marcado pelas classes sociais.

Assim, por ex., um cego com Covid fazendo prevenção contra, sendo este pobre, com cânce e ou outro, sendo aquele rico e com câncer, (eles) vivenciarão possibilidades diferenciadas de acordo com a classe de onde eles estão instalados pela produção capitalista selvagem, podendo ter semelhanças e diferenças, tanto positivas e ou negativas pra ambos os lados, mas, sem dúvida, o indivíduo cego rico poderá ampliar mais suas redes de cuidados concretos.

Imaginemos cegos dois diabéticos obesos, tipo 2, com a mesma idade cronológica, mesmo peso. Um é rico e tem acesso a remédios caros e de bons resultados clínicos, como Saxenda, que custa cerca de 800 reais a caixa, com três canetas, se se ele aplica 3ml ao dia, o remédio não durará nem um mês. Ele poderá tomar Trulicyt que custa cerca de 300 reais, com duas canetas, que duram duas semanas apenas, além dos outros remédios que se consegue, apenas com uma receita médica, via serviço público de saúde como Glifage e outros, mas não pode recorrer à Saxenda e Trulicyt no público, pelo menos, por ora. O diabético empobrecido só tomaria Glifage e outros. Isso sem considerar as dificuldades de acesso ao serviço público de saúde, devido até mesmo, à desinformação ou desesperança. Ambos têm que fazer regimes alimentares - com e sem nutricionistas; exercícios físicos - com ou sem academia, e ou professor particular de treinamento físico; e os referidos remédios, e isto implica em gastos econômico, conhecimento, capacidade a produzir resistências e reivindicação etc. Pela probabilidade, o diabético rico, que tem acesso aos mais diversos e atualizados remédios na esfera de sua doença, academias, nutrólogos (médicos) e nutricionistas, psicólogos clínicos, psiquiatras etc., provavelmente sairá melhor do quadro, isso sem contar com atendimentos médicos por planos privados de saúde ou atendimentos privados mesmos - ainda que possa haver diferenças, exceções. Isso começa a pontuar o sentido de ser cego empobrecido e ou rico, vivenciando um processo de sindemia.

Por isso, é preciso estancar imediatamente as ações necropolíticas e partir para uma reformulação ágil dos sistemas públicos de saúde, retomando valores humanos dentro de uma humanidade ético-estética -  o "quão belo" (estética) é cuidar (ética), por sinal, investimentos "esquecidos" até intencionalmente pelo Estado necropolítico. E a saúde pública é bem mais do que oferecer vacinas, algo indispensável e vital, potente, mas cuidar de outros aspectos relacionados à saúde em geral: toda saúde e sua relação com a educação (pública), justiça, segurança etc.

Já os serviços de saúde e educação, nestes tempos-espaços, poderia focar na formação de sujeitos mais reivindicativos, resistentes, opositores à corrupção do Estado necrófílo, onde as relações interpessoais sejam suficientemente positivas, para recordar ao aluno cidadão: a) que as relações interpessoais positivas ajudam na produção da boa saúde mental; b) de que elas, as relações amorosas professor-aluno, possam (co)mover o processo ensino-aprendizagem de aluno especiais ou não, nos conteúdos educacionais e escolares, sejam os planejados, sejam os politizados; c) produzir a conscientização crítica (Paulo Freire), bem como modos de ser na invenção da resistência e desobediência civil contra as necropolíticas na saúde e fora dela; valorizar a ciência, mas sem endeusá-la alienadamente, reconhecendo seu papel e força frente a uma pandemia, que de fato acaba configurando uma sindemia - etc.

domingo, 4 de abril de 2021

  - SERÁ QUE MINHA DOR É SEU PRAZER SECRETO?


[Hiran Pinel, autor]

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

MIL ESTRELAS E A MAIOR DELAS É EARTH PIRAPAT W.

Quem gosta de criticar negativamente o ator tailandês Earth Pirapat W., pode mudar de opinião, pelo menos sendo mais generoso com a vida e consigo próprio... No episódio 5, de "1000stars" (série tailandesa) o ator, com seu personagem Phupha, dá show de interpretação... Tem uma cena que Tian descreve Phupha como rígido e pede-lhe um sorriso. O ator se mexe e remexe, como se não tivesse espaço e nem tempo... Então, o ator (com seu personagem enfiado no seu corpo) entra numa pequena conversão... Ele fotografa Tian, sem ele perceber e olhando a imagem sorri... É um aula de interpretação, de rara sensibilidade. O diretor está certo: é o momento de Pirapat mostrar seu talento, e a oportunidade, e ele não a desprezou... Desde o começo da carreira ele foi uma imensa estrela e ator, mas, nessa série, ele é um grande ator sem jamais perder o estrelato... Fato: desde o primeiro episódio de "1000stars" Pirapat está perfeito como o guarda florestal chefe ou supervisor rígido, duro, sólido e que só o amor é capaz de lentamente amolecê-lo, derretê-lo como gelo sob o sol de Chian Rai ou ou Mai (confundo-me kkk)... Esse ponto é um clichê, mas Pirapat o transforma em arte.

[Hiran Pinel, autor; em 26/02/2021 - Vitória, ES. - Brasil - América do Sul - Mundo - Universo] 


 

HERÓIS COMUNS OU DO NOSSO COTIDIANO: POSSÍVEIS ETAPAS VIVIDAS NO SEU EXISTIR COMO "SER NO MUNDO"

Hiran Pinel

Algumas imbricadas e híbridas etapas, num total de oito, pelas quais pode passar alguns heróis do cotidiano, gente comum como nós mesmos:

1) a pessoa está solta no mundo, no eu cotidiano - mergulhada aí, ora alegre, ora triste e tocando a vida, o trabalhando, amando etc.;
2) surge um problema que o convoca a solucioná-lo ou a submetê-lo;
3) ela parte para a solução - uma aventura ao desconhecido, pois ele imagina os caminhos, mas terá de tracejá-lo;
4) encontra novas barreiras (ou inimigos), "portas trancadas", fofocas, preconceitos, estigmas, discriminações, reprovações escolares, remédios caros, tratamentos invasivos demais etc.;
5) faz projetos dos sonhos - ou seja, procura tornar o que é etéreo (sonho) em algo concreto - coloca um projeto na prática;
6) o sujeito luta feito "cão danado" para executar seu projeto, sua concretude em "ser no mundo";
7) alcança sucesso - ou reavalia e recomeça do ponto 5 ou entrega os pontos, começando do ponto 1 - também pode desistir; em tendo sucesso, ela parte para a etapa 8;
8) retorna ao seu mundo cotidiano inicial, mas, agora, uma pessoa renovada, portando uma espécie de troféu, do tipo "eu venci", a vitória, o sucesso, o estrelato comum e cotidiano - mas com destaque... Quando mais seu projeto direta ou indiretamente envolver a comunidade, mais o sucesso será celebrado conjuntamente;
Essa proposta pode ser também encontrada nos roteiros de um filme, de uma série etc.; assim podemos encontrar também na vida real - o modo como as pessoas podem se perceber heroínas etc.
Menderson Rezende, Rute Leia Silva e outras 5 pessoas
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 Filme: "Love of Siam" (2007, Tailândia).

Lá pelas tantas, Ying, uma garota linda, ama o garoto Mew, aspirante a compositor e cantor. Mew diz que está sem inspiração pra compor, pois falta-lhe amores, ele acha. Ying que o ama, mas ele não sabe, lhe oferece para ser sua namorada e com isso inspirá-lo a fazer belas canções... Mew sorri e diz que ela está louca, e que o amor não é assim. A mãe Ying a chama pra retornar pra dentro de casa. Ying faz cara feia ao chamado gritado da sua mãe. Ela vai indo embora, e na porta de saída do quarto de Mew, ela diz a ele:
- PENSE NA MINHA OFERTA [DE SER SUA NAMORADA], MEW (...) TODO MUNDO PRECISA DE ALGUÉM!

 O YAOI & A MULHER TAILANDESA: TENTATIVA DE APRECIAÇÃO DE UM ARTIGO CIENTÍFICO DE ญาณาธร เจียรรัตนกุล DA UNIVERSIDADE DE CHULALONGKORN

Hiran Pinel, Vitória, ES., Brasil - em: 21/02/2021
INTRODUÇÃO
Li um artigo científico em tailandês sobre a obra de arte (mangá e anime) cujo título de: "YAOI: วัฒนธรรมและการเมืองเรื่องเพศ" Ou: "YAOI: Cultura e Política do Sexo". O autor ou autora é: ญาณาธร เจียรรัตนกุล, que é estudante de Estudos Interdisciplinares de Ciências Sexuais da Universidade Chulalongkorn.
Meu objetivo é de apresentar o que eu entendi e compreendi da tradução das seis primeiras páginas, das catorze.
Como me interesso pelo tema, fiz um esforço muito grande de ir traduzindo do thai para o português via google tradutor, associando aos meus conhecimentos de diversos artigos, relatos finais de pesquisas e até livros que li nessa seara... Corro o risco de estar "traduzindo" com erros, risco alto, por sinal, Outra coisa, interferi no texto. Para ler o artigo original é só você digitar o título e a autora.
***
O QUE É YAOI?
YAOI é uma sigla de pouco sentido para nós, os brasileiros, algo como "sem ápice, sem ofender etc...". YAOI é um termo criado para um tipo de arte e literatura (e pode ter poesias, teatro, fotografia, dança etc.). A característica fundamental da arte YAOI é: a) conta uma história de dois rapazes se apaixonando amorosa e sexualmente, uma surpresa pra eles, já que nunca sentiram "isso antes", e ambos, costumam ter namoradas, e a escola é um bom palco pra acontecer a narrativa, mas não só; b) é uma história escrita, na sua origem, por mulheres, e elas produzem tais materiais, visando alcançar suas companheiras, as próprias mulheres, e assim teríamos o YAOI focando na criação de fã mulheres - o que não impede, é claro, que outras pessoas sejam fãs; trata-se da percepção feminina acerca do amor entre dois rapazes, (obra de arte) direcionada às mulheres. Algumas pessoas preferem dizer BL (história de "love" amor, entre dois "boys", rapazes) em vez de YAOI, mas ainda assim, há diferenças entre um e outro, e só ficarmos atentos.
***
O ARTIGO: O QUE ENTENDI E COMPREENDI
A autora (vamos dizer que é uma mulher) faz uma introdução falando das Histórias em Quadrinhos (HQ) Ocidentais e seu sucesso na Tailândia, mas que os mangás (HQ) são os preferidos pelas crianças e jovens, com muita vendagem ou mesmo (muito) curtidos na internet.
A partir daí ela descreve a importância do Japão nessa subcultura a YAOI (um termo escrito ao modo ocidentalizado).
A autora correlaciona o movimento feminista, o machismo e o YAOI. Ela explicita que uma arte YAOI é produzida pelas mulheres para as mulheres. Ela aponta que os estudos em que abordam essas produtoras é a prova da força de resistência das mulheres em afrontar e confrontar o machismo reinante na nação. A autora afirma que essas autoras acabam por denunciar do fato sentido de que os homens precisam repensar seus papeis na sociedade - considerar os papeis "femininos contidos neles", por ex. - o feminino no masculino.
As mulheres são as maiores consumidoras do YAOI, e ao sê-lo, elas podem estar dizendo acerca das dificuldades do homem assimilar e produzir arte sobre a mulher, que é só pela percepção deles, recusando colocar-se no lugar da outra, e isso em si mesmo, é um machismo.
Personagens e atores YAOI são descrito com algumas "feminilidades", sem exagerar isso - o ator representa-se masculino, mas traz recôndito escondido, a mulher adentro de si. Suas peles são aveludadas, são lisas - sem pelos no corpo. Esses heróis são sensíveis e aos mesmo tempo são homens de fato, e é nesse momento é que a autora fala sobre os sentidos de ser UKE e de ser SEME. Numa série yaoi de TV o homem traz a mulher em si, que é o ideal na realidade concreta, ou seja, as mulheres fantasiam homens que trazem em seu corpo a mulher, recordando de Jung: yan-yang, os dois aspectos se complementam e complexificam.
Muitas mulheres foram e são violentadas na História, então, nas narrativas YAOI, um homem violenta o outro sexualmente - que nó brasileiros denunciamos quase sempre. Talvez haja tanto esses causos de agressão sexual nos roteiros, pra fazer os homens sentirem, e assim perceberem o que o de fato sentem as mulheres quando nessa situação. Essa cena entre dois homens servem pra recordar que uma arte YAOI é escrita por mulheres, essa é uma de suas mensagens não tão conscientes assim, e é como as produtoras dessa arte dissessem: "- Vocês homens nos violentam assim, como esses homens se violentam sexualmente entre si, percebem a dor e a humilhação?". Funciona tipo: percebem como somos violentadas? Pois, então...
Os enredos, quase sempre, seguem a relação senhor e escravo, e esse tipo relacional é tipicamente machista, o homem por cima, e a mulher por baixo - em todos os sentidos. Quando homens produzem mangás héteros as mulheres são escravas e os homens senhores. No mangá YAOI isso se reproduz.
A paixão das mulheres pelas histórias de amor entre dois homens indica também o quanto elas endeusam e embelezam isso: como é lindo ver e sentir dois homens juntos, se amando, havendo aí um gostinho de subversão inventiva. A autora, estou sentindo, deseja destacar os aspectos positivos das mulheres (fãs) gostarem de YAOI e das mulheres (autoras) produzirem esse tipo de arte, literatura e poesia.
A autora diz: "A relação entre homens e homens em YAOI é uma relação cheia de beleza e razão", raciocinam as mulheres que amam YAOI. O YAOI, estou percebendo, ensina-as a respeitar e permitir as relações entre homens, sejam elas gays, de caserna, de amizade entre eles etc.
A influência do YAOI também pode vir da crença na beleza do "amor entre o homem-homem" conforme aparece em várias artes e culturas, como a Noh (Noh), a Kabuki, a Literatura.
Também há os ensinamentos xintoístas, onde esta forma de relacionamento gay é necessário existir para ensinar às pessoas a potência de superar obstáculos juntos, um com o outro e os amigos. Especialmente o problema de aceitação de colegas e da sociedade, que é a maior barreira. A mulher tailandesa, a real e a concreta, ela enfrenta desafios, preconceitos, estigmas assim como os gays, havendo assim um identificação, um gosta do outro, a mulher (artista e fã) e o homem gay.
Mas como é esse drama do existir homem YAOI? Até que os personagens YAOI se encontrem e fiquem juntos - essa trajetória será de enfrentar muitos obstáculos, muito mais, muito mesmo, do que os relacionamentos entre homens e mulheres.
Assim, a relação entre homens e homens não é exclusivamente baseada no instinto do desejo (sexo), mas amor, amizade, ternura, carinho, entendimento, jogo dos corpos etc.
Ao mesmo tempo, YAOI pode atender às necessidades das mulheres para observar, de "ser voyeurista", voyeur, o desejo de ver, olhar, sentir como se fosse com aquele que enxerga simbolicamente pelo buraco da fechadura.
Bem, o comportamento sexual entre homens, é altamente estimulador às mulheres, mas elas não têm o conhecimento e a capacidade de retratar verdadeiramente os homens, principalmente o papel dos homens homossexuais. Vamos dizer que os homens impedem a elas conhecê-los na suas fragilidades.
Ate onde eu li, a autora diz mais, e estarei curioso em traduzir e postar aqui: "(...) a relação entre mulheres e mulheres nos mangás japoneses, a grande maioria dos consumidores são homens".
***
PÓS-ESCRITO
Acho que falta um dado: a arte YAOI provocando interesse nos fãs, homens gays, que são seus consumidores, também. Há também o caso de homens produzindo YAOI como mangá, novels, romances, fotografias, danças, teatro etc.