- ARTE E REALIDADE NAS PESQUISAS FENOMENOLÓGICAS
- Hiran Pinel, autor
- A arte, assim como a literatura e a poesia, tem sido utilizada, por nós no Grufei, Grupo de Fenomenologia, Educação (Especial) e Inclusão, do UFES/PPGE, com o finco de produzir pesquisas científicas na área da Educação, especialmente Educação Especial, Pedagogia Hospitalar, Pedagogia Social, Psicologia Educacional (e Clínica) etc. Temos experiência de uma obra de arte ser o único dispositivo para coletar e a analisar existencialmente o "fenômeno da investigação". (...) Todo esse movimento com o objetivo de descrever compreensivamente o "que é" e o "como é" ser nos seus "modos de ser" de "ser no mundo" da ficção de impacto na realidade. (...) Então, atuamos na indissociacão de uma (ficção) e outra (realidade). Podemos escrever que a "realidade-e-ficção" se retroalimentam, se interligam em graus e energias potencialmente diferenciadas, ainda que ambas, claramente, se distinguem uma da outra. Devido ao motivo de indissociar é que reconhecemos as características próprias de cada uma, as diferenciações, suas semelhanças, e até igualdades e suas completudes e hibrismos, repetimos. (...) Na pesquisa isso é vivido pelo cientista que sente-pensa-age em um movimento monista de "envolvimento existencial" e "distanciamento reflexivo". (...) A arte ensina a realidade, e a realidade também ensina a arte, uma não vive sem a outra. Ambas se educam, e fazem isso de diversos modos de ensinar-e-aprender, donde destacamos nossos estudos pedagógicos sobre a produção de "práticas educacionais" sempre (co)movidas pelas abordagens fenomenológico-existenciais.
- [Hiran Pinel, autor; texto já publicado em livro]
Esse blog é totalmente experimental, um rascunho, inclusive com erros de português etc. É para informar - especialmente para meus alunos, orientandos, dentre outros interessados. Coloco imagens para provocar o dia-a-dia; fotos de artistas; textos pré literários; esboços de: resumos de artigos científicos, ensaios, paper's, críticas de cinema e outras artes, produção artística em geral - dentre outros. No mais penso que a a vida é obra de arte, bela e frágil, inconclusa, incompleta - devir.
quinta-feira, 18 de agosto de 2022
quinta-feira, 11 de agosto de 2022
[1] Pinel (1998) trabalha os termos espaço e lugar aplicado na Pedagogia Hospitalar onde "o sentido encarnado e quente de lugar se desvela em contrapondo ao frio espaço, ainda que ele (o espaço) seja um total cronometrado, e ele (o lugar)( seja uma porção prenhe da arte do afetar. Parece-nos que tudo dependerá dos significados singulares que cada aluno (e ou aluna) fornece à classe hospitalar. A experiência subjetiva, em interexperiências, pontuam-nos o quão pessoas encarnadas elas são. Os discentes dão ao fenômeno que vivem na carne um sentido de um breve viver de super(ação). Cada estudante apresentam, na maioria das vezes, quadros orgânicos graves, que trazem conseqüências psíquicas. Se o discente consegue mover esse vivido processual pelas mãos de uma professora e ou de um educador, ele poderá entrar em sintonia do ato de aprender (cognição) sempre (co)movido pelo afeto e pela expressão corporal, que implica conflitos e apaziguamentos e conflitos e... O aprender se dá pela paz e pela guerra, pela tristeza e alegria, pelo amor e pelo ódio - sempre algo que move e (co)move. Descrevemos um aprender (e um ensinar) racionalidades, que são movidos pela simbólica "carne do afeto e do corpo", e o ensangüentar compõe esse processo ensinar-aprender, que descrevemos e fazemos sua analítica existencial a partir de nossas pesquisas em Pedagogia Hospitalar. O "afeto-aí" é uma espécie de energia, assim como corpo vivo é também energia - enquanto vivo é. Nas nossas práticas educacionais em ambientes hospitalares podemos perceber e intuir o quão complexo este movimento é, algo que transforma espaço (cronometrado) em lugar de efervescência relacional intersubjetivo (kairós)" (p. 3)
***
Este
estudante hospitalar pode experienciar algo que possa facilitar o processo
inclusivo dele, justo ele, com quadros (graves) de doença que o levou à
hospitalização. A gravidade clínica pode, inclusive, mutilá-los física e
psicologicamente, um concreto e metafórico "cortar", que de imediato,
clama por uma clínica educacional, qual seja, uma clínica não tradicional, mas
uma marcada por uma específica escuta empática com o retorno à escolaridade,
que por si só, pode significar respirar e viver, todo este processo vivido na
relação professor-educador-aluno de modo gradual, pautado pela generosidade, um
curvar corporal pelo interesse do que se passa com o outro, impregado pela persistência
e perseverança - dois valores atitudinais fundamentais para o profissional da
educação especial que aí exerce seu labor. A escola no hospital indica o aluno
prosseguindo com sua escolaridade, um ensino-aprendizagem que acontecia na
comunidade - "o lá fora" do hospital, agora "aqui dentro"
(do hospital). Dentro dessa classe acontece o atendimento educacional (também,
ou principalmente o escolar) em ambiente hospitalar. Esses atendimentos,
revelados sob forma de práticas educacionais, objeto e fenômeno da Pedagogia, também
pode impactar na "prevenção", usando um termo clássico na saúde, das
vivências negativas do fracasso acadêmico, assim como da evasão escolar, a não
inclusão - dentre outros. . (PINEL, 2021; p. 11).
***
Outro
aspecto é o que essa classe (hospitalar) traz para a instituição de saúde e
para seus profissionais e pacientes como um todo, descrevemos uma espécie do
que chamaríamos de "o cá dentro" ("aqui dentro tem do lá
fora"). Então, como (...) estamos a descrever que a presença deste espaço
educacional costuma provocar uma recordação do "lá fora" (comunidade
fora do hospital; a vida cotidiana comum). (...) Descremos também algo advindo na/da
criança internada para tratamento da sua saúde: apontamos um "algo"
que ela "vivia na comunidade comum" (classe regular inclusiva),
talvez provocando-a a perceber o hospital como aquele que também se abre ao
mundo "lá fora" (comum do dia-a-dia, do ordinário) que ela conhecia e
continua acontecer (...) o (mundo) "lá
fora" trazido para o mundo "cá dentro" do hospital. Essa
vivência pode facilitar um possível irromper de um "bem-estar de ser"
de estar "ali-dentro" numa dimensão psicológica - e aqui destacamos o
afeto, a cognição e a expressão corporal do "ser no mundo". Um estar
adentro do hospital, e nele, a classe hospitalar - ainda que a instituição e a
escolaridade lhe inspire também sofrimento físico (emocional, cognitivo), mas a
comunidade dele está ali dentro esperando-o "como se fosse lá fora".
Este lugar chamado escola, especificamente aí, sem dúvida, pode reportá-lo de
que "eu demando uma clínica", preciso de cuidados, inclusive da
professor para prosseguir com minha vida comum de ser aluno, estudante,
discente, educando, orientandos etc. (...) [PINEL, 2021; p. 11].
O
cuidado-Sorge, de cura pelo cuidado, acaba tornando mais um tema que é ensinado
na classe hospitalar - de um modo ou de outro, querendo ou não. O mestre vivencia
algo do eu ser escuta(dor), isto se considerarmos um vivenciar prenhe de
(pré)sença (da morte) no currículo, entre o oficial e o não oficial, pois, o
estar-ali dela é forte. Neste processo sentido achamos que o educa(dor)/professora
precisa de uma formação continuada, uma também pautada pela escuta empática dela,
do seu sofrer com o outro, compreendendo o motivo do "seu" currículo
ser (e estar) além do prescrito pela cultura e legitimado pelo Estado - isso
exige consciência advinda da intencionalidade pedagógica em planejar, executar
e avaliar com os alunos o tema da morte e do morrer. Ao "ganhar"
alta, por exemplo, e se "ganhar", a criança poderá voltar, talvez, a
frequentar a sua escola regular, "o lá fora" que lhe traz a escola
comum - o que chamamos "modos de ser" do "ser no mundo"
comum e ordinário. Neste contexto de experiências de ser estudante, "o lá
fora" se imbrica com "o aqui dentro", evocando o que isto tem de
positivo, negativo e ou ambos aspectos, pois quando a morte simbólica ou
concreta aparece, a vida parece pedir humildemente: " - Salva-me!" Inclusive
um misterioso real: "Aalva-me de mim?" (...) (PINEL, 2021; p. 11/12).
***
O uso do termo alemão Sorge é utilizado de Heidegger, que ganha conotação de termo científico. Procuramos, a bem da verdade sentida, atuar em um processo, fazendo uma possível e delicada (e rigorosa) transposição da Filosofia (heideggeriana) para a Pedagogia que tem como objeto de pesquisa e intervenção as "práticas educacionais". Do latim Sorge é advindo de dois termos: "cura" e "sollicitudo". Cura, no original. Cura em latim não tinha só o sentido contemporâneo de "salvar", de "curar", pois foi sendo utilizado pelos cientistas da esfera biomédica, tornado-se um "definitivo e sólido": "está curado", pode voltar para a casa. Porém, no latim, a palavra "cura" provém de "quaero" que significa "procurar", que dá o sentido da pessoa ter "empenho" com alguma coisa vivida, ter a disposição para fazer algo: "(pró)curar, ou seja, ser defensor ou a favor deste ato intencional de cuidar, aqui-agora no sentido específico de prática educacional prenhe do ajudar, cuidar, curar no sentido de preocupar pelos cuidados de ser humano - do ser-aí (Dasein)" (PINEL, 2019; p. 1).
***
Pinel (2021), então, dentre outros, destaca o escolar e o não escolar que acontece na classe hospitalar pela via dos atendimentos educacionais em ambientes hospitalares, e as benesses para a aprendizagem e desenvolvimento do educando.
***
Entre o "lá fora" (escola da comunidade) e o "aqui dentro" (classe hospitalar), é-nos fácil perceber o fenômeno que tece uma forma especial de atendimento pedagógico-educacional [*em ambiente hospitalar - texto acrescentado em 2021] cuja tessitura se mostra através de práticas educacionais que consideram os limites de todos e de todas nomeados como "ser no mundo" sempre diante do outro, dos outros e um mundo de coisas objetais. Esse "como é" fenomenológico, pode ser descrito como um movimento pedagógico que passa a considerar um planejamento escolar (ou não) especialmente criado pelo professor e ou educador visando estes sujeitos do ensino-apredizagem. As práticas educacionais levam em conta estas problemáticas dos alunos e das alunas, dentro de um determinado contexto social e cultural - e histórico, e que indica sua (pré)sença no próprio espaço-tempo de uma instituição de saúde (PINEL, 2017; p.7).
***
Uma poesia advinda do "concreto vivido" pela professora da/ na classe hospitalar, no seu cotidiano educacional, é a de que a morte é uma mestra que nos ensina. Essa mestra cria um processo ensino-aprendizagem do viver tão bem quanto possível, tão alegre, tão energético, tão resiliente etc. Ela também nos ensina o tão resistente podemos lutar para ser, nos opondo a tudo de concreto e simbólico que se opõe à vida e o viver, ao respirar livre e solto, seja numa dimensão individual ("minha" saúde), grupal, institucional, nacional. Tão tanta coisa boa há aí nestes "experienciares", ainda que haja sempre o outro lado finito, o mais doloroso, e por ser também um real, nunca deve (ou deveria) ser negado na escola e especialmente na classe hospitalar. O tema o tema da morte demanda uma "clínica pedagógica da escuta empática" que pode ser praticada pela vivência com um modo didático-educacional "implícito-sutil-cuidadoso-delicado-empático". A morte não deve ser desaparecida da ou em cena, pois ela compõe a vida, e é a vida que devemos sempre desejar, é a vida que compõe a sala de aula que é a classe hospitalar, a alegria transita aí e de modo potente, mas, a morte (concreta e simbólica) adentra a classe hospitalar, e ela poderia ser vivida como um alerta para que vivamos densa, tensa e intensamente. Ora, o próprio nome "classe hospitalar" nos leva ao hospital e ao sentido de uma "outra clínica" - a pedagógica. A classe hospitalar, ainda mais ela, é um lugar de onde uma (morte) pode chegar podendo cessar a outra (vida). A clínica mesma aparece, quer dizer, seu aparecimento de dá quando a professora desta classe a pratica pelo escutar empaticamente quem sofre. Nesse sentido, a professora da classe hospitalar não pode negar a clínica. Então, podemos destacar, enquanto profissionais que trabalham com Pedagogia Hospitalar, que como na vida, estamos jogados no mundo sem nossa anuência, e nosso papel é responsabilizarmos por isso, pela vida, deixando penetrar em nós as experiências positivas, bem como as negativas inevitáveis, e o inevitável pode ser um quadro clínico grave ou gravíssimo, que a ciência propõe paliativos e cuidados, mas nem sempre o que pensamos ser a cura. É o que temos para hoje no espaço e no tempo hospitalar escolar onde a vida aparece potente e poderosa, mas há a clínica, vamos dizer uma Pedagogia clínica, uma prática educacional-Sorge que cuidadosamente não a nega, e não negar a morte não é morrer, mas (pró)curar viver (PINEL, 2017; p. 1).
***
,
em Ferreira, Pinel e Bravin (2021) já encontramos:
(...)
buscamos mostrar como a fenomenologia nasce na filosofia como novo olhar sobre
o mundo vivencial do sujeito, rompendo com a tradição positivista e objetivista
que distanciava sujeito e objeto; apresentamos a maneira própria da psicologia,
no uso da fenomenologia, como forma de descrever o sujeito em sua relação com
esse mundo, ao propor uma redução fenomenológica compreensiva; ao apontar para
uma fenomenologia da educação à brasileira (p. 787) buscou trazer um debate
ainda em aberto para a pesquisa fenomenológica da educação. Entendemos que seja
preciso desenvolver e ampliar os pontos aqui apresentados. A pesquisa
fenomenológica foi sendo estendida e entendida sob diferentes formas ao longo
de um espaço pequeno de tempo e deixa em aberto um vasto campo de investigação
que perpassa suas origens, suas diferentes aplicações e maneiras próprias de se
fazer em diferentes esperas epistemológicas (p. 788).
***
O uso do método fenomenológico de
pesquisa, bem como dos filósofos desta seara por pedagogo e educadores, tem
sido alvo de discussões, bem como do nosso exercício em criar sendas feitas
quando procuramos o sentido e o significado dessas tentativas. Os cientistas da
Pedagogia e da Educação procuram fazer isso - usar a Fenomenologia na
Pedagogia, mas isso impõe ao nosso "ser cientista" refletindo nos "modos
de ser" humildes não-submissos, reconhecendo nossa fragilidade em
"aplicar", de modo total, a Filosofia nesse outro campo (o da
Pedagogia e da Educação). Não se trata de simplesmente trazer a Filosofia, em
sua plenitude, para a Pedagogia, se trata sim de se encantar com aquela (Filosofia), para criar esta (Pedagogia). Mas,
o que é esse sentimento não-submisso? É reconhecer nossas dificuldades
cognitivas e afetivas e ao mesmo tempo nossa criatividade de invenções, em
fazer esse caminhar homeostático de trazer um para outro. (...) o contexto
desta nossas dificuldades, como estando descrevendo, nos aponta ao mesmo tempo,
ter a consciência de que iremos criar algo ligado à origem, mas que será outra
coisa, outro fenômeno - ainda que veremos a Filosofia na Pedagogia. Mas, é
outra coisa da mesma (coisa). Trata-se de toda uma invenção complexa, potente e
criadora, de uma Pedagogia Fenomenológica, Fenomenológico-Existencial e ou
Humano-Existencialista (p. 17).
***
Reforçamos aqui-agora a ideia de
que precisamos identificar que há uma travessia de um saber que partiu do seu
lugar de origem, a do conhecimento (Filosofia) para um outro espaço que é o da
Pedagogia, uma ciência híbrida interessada em criar práticas educacionais que
favoreçam positivamente o ensino-aprendizagem de conteúdos oficiais escolares e
não escolares, e no nosso caso, para a Pedagogia Hospitalar [*como parte dos
Atendimento Educacionais em Ambientes Hospitalares e Domiciliares - texto
acrescentado em 2021]. Essa passagem de um estado filosófico para um (estado)
pedagógico traz um certo brilho revelando o modo esclarecido uma complexodade,
que indica um envolver comprometido do cientista com esta experiência de criar
atravessamentos nestes dois lugares de sentido. (...) [Descrevemos um
pesquisador fenomenológico na Pedagogia] que assume que é possível
sentir-pensar-agir a Filosofia, reconhecendo-a como um saber que "apenas
inspirará" nossa produção científico-pedagógica, e não ocorrerá a
replicação literal (ou "ipsis litteris") de um saber filosófico para
o campo pedagógico e das práticas educacionais. Mas, como se diz, nada impede
que exista um esforço de aplicar a "totalidade" da Filosofia na
Pedagogia, ainda que se reconheça ser uma tarefa árdua e sutil, ou mesmo algo
impossível, mas essa preocupação do pesquisador pode traduzir o compromisso
tanto com um e outro saber, fazer e sentir, uma luta pelo rigor científico, ou
uma aproximação a este rigor revelado pelas descrições compreensivas (PINEL,
2010; p. 11).
**
AO CITAR FAVOR REFERENDAR... SEMPRE...
domingo, 26 de junho de 2022
SUBIR NOS OMBROS E PROCURAR SENTIR ALÉM: A CORAGEM DE REINVENTAR TEÓRICOS RENOMADOS
terça-feira, 7 de junho de 2022
Podemos "aqui-agora", no contexto da Educação Escolar (na
saúde), considerar que o profissional denominado de professor de Educação
Especial é aquele que atua produzindo Atendimentos Educacionais em Ambientes
Hospitalares (e Domiciliares) na sala de aula hospitalar, conhecida por classe
hospitalar, ainda que esse processo ensino-aprendizagem possa ocorrer em outros
espaços e tempos. A meta, parece-nos ser, que esta professora, a da Educação
Especial, ensine conteúdos escolares legitimados pela cultura, objetivando a
aprendizagem e o desenvolvimento das alunas (e dos alunos) com doenças graves,
internadas que estão em hospitais, em clínicas, nos seus domicílios etc. Isso
de ensinar conteúdos escolares dá uma identidade potente e inquestionável ao
professor (em geral), e especificamente ao professor de Educação Especial
também, afinal é um dos "modos (dele) de ser" professor. Já o
pedagogo hospitalar, comumente, ainda que não tão solidificado assim o seu
ofício, exerce tarefas fora do ensino-aprendizagem de conteúdos escolares. De
modo bem conhecido, o pedagogo, ao longo de sua história interessou-se em
aplicar seu trabalho na supervisão escolar da professora, na inspeção escolar
focando nas legislações, na gestão da escola e na orientação educacional de
alunos e seus familiares, assim como produzindo intervenções também na
comunidade.
sábado, 28 de maio de 2022
TAREFAS DO
PEDAGOGO HOSPITALAR
Hiran Pinel, autor.
O pedagogo hospitalar, graduado em Pedagogia, é um trabalhador ou profissional que produz práticas educacionais na educação escolar e "não escolar". Na escolaridade, pontuamos um espaço físico (e ou simólico) denominado de "classe hospitalar", onde esse profissional coloca em prática seu título acadêmico de licenciado, produzindo um tipo de atendimento educacional em ambientes hospitalares, bem como domiciliares . Já na Educação Não Escolar, ele pode também produzir práticas educacionais nas brinquedotecas hospitalares, assim como intervém em outros espaços da instituição de saúde. Este profissional pode criar práticas educacionais em domicílios, ONG's, orfanatos etc., - sempre interessado nas questões de saúde do aluno e ou aluna. Ao ser um profissional de educação, ele logo se sentirá inserido em um espaço-tempo de saúde, então também será o pedagogo hospitalar um profissional dessa esfera - profissional da educação na saúde. Quando isso é constatado, ele poderá demandar estudar e pesquisar: a relação entre Pedagogia e Saúde; os modos de trabalhar em equipes multiprofissionais da saúde; procurará socializar entre todos da instituição, a potência do seu ofício junto aos pacientes e aos próprios profissionais da área etc. (PINEL, 2021; p. 6)
Quando falamos da equipe de saúde podemos destacar
essas tarefa do pedagogo: a educação e desenvolvimento do pessoal de saúde, por
exemplo; no ensino da didática para os
profissionais que atuam em hospitais e que trabalham com o processo ensino-aprendizagem
contido nas residências médicas, de enfermagem, de psicologia, estágios
diversos etc. É muito comum, por exemplo, membros da equipe de saúde, pedir ao
pedagogo hospitalar, que o ensine" como" usar o método e a técnica
didática "estudo de caso", procedimento muito utilizado na prática
clínica de ensino-aprendizagem na formação. Associando principalmente suas
ações com as ideias de/ Paulo Freire no campo da saúde, ele mostra como suas
práticas educacionais podem ser positivas nos diversos tipos de prevenção (...)
(p. 6) Há casos de pedagogo que associa
Freire com os existencialismos de Viktor Frankl, de Janusz Korcazk, de Martin Buber, de Georges Gusdorf, de Claude Pantillon, Carl Rogers, Célestin Freinet - dentre
outros, ainda que as raízes filosóficas tenham suas sutilezas e diferenças (...)
(p. 7) os cursos de Pedagogia poderiam incrementar no currículo já proposto, a
inserção, de no mínimo, duas disciplinas dessa área, mais estágio
supervisionado a ser desenvolvido nessas instituições clínicas (...) a partir
de sua intervenção podemos procurar conceituar o que é Pedagogia Hospitalar (p.
10).
quinta-feira, 26 de maio de 2022
UM MÉTODO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL
DE PESQUISA (E DE INTERVENÇÃO) INSPIRADO EM VIKTOR FRANKL
Hiran Pinel - 12/12/2012
INTRODUÇÃO
Qual é o método fenomenológico-existencial de
pesquisa (e de intervenção) que pode ser pensado-sentido-agido inspirado no
psicólogo e educador existencialista Viktor Emil Frankl?
MATERIAL,
MÉTODO & TEORIA
Fundamentalmente, este "paper" emergiu do
artigo de Hiran Pinel, intitulado "o conceito de "otimismo
trágico" de Viktor Emil Frankl: Subsídios para o Exercício do/ no Ofício
Educador Social", publicado em "Psicologado.com.". Este artigo estava em um antigo site
de uma revista, que foi fechada. O sítio era: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-social/o-conceito-de-otimismo-tragico-de-viktor-emil-frankl-subsidios-para-o-exercicio-do-no-oficio-educador-social
Ora, tais ideias partiram de Frankl, e então nos
inspiramos nele, em: Frankl (1990, 1991; 1995). Mas, este modo de pesquisar o
sentido, tem mais detalhamentos cuidadosos, que se aproximam de outras propostas
de pesquisa como as de Forghieri (2003; 2012) e outros, onde o conceito de
pessoa, mundo, problemas e tentativas de ação de ajuda pela via da criação de
práticas educacionais e de clínica são bases teóricas para pensar-sentir-agir
uma investigação de tal verve e dimensão de relevância psicossocial.
RESULTADOS
E DISCUSSÃO
Como chegar ao sentido? Como
revelá-lo? Como pesquisá-lo?
Há uma via de um processo de
descoberta do sentido, uma revelação de que pode tomar como primeiro passo a
utilização de depoimentos, de biografia, de memorial do todo ou parte de um
causo de sentido, pontuando ela mesma, o que denominamos de vivência de
sentido.
No seu livro "Em busca de
sentido", Viktor Frankl faz um longo depoimento acerca da sua própria
experiência vivida-sentida nos campos de concentração nazistas onde esteve,
viveu, sentiu... Tratam-se de espaço-tempo de onde inventou seus discursos e ou
teorias - do lugar do sofrimento, o transcender se deu por sua luta em criar
uma psicologia clínica, ou melhor, uma terapia e ou psicanálise existencial.
A partir daí, deste vivido, o
sentido de ser (e o sentido da vida) pode ser localizado entre uma
"experiência-surpresa-inusitada" como numa percepção gestáltica, ou seja,
repentinamente emerge um sentido diante de nossa percepção total, inclusive
nosso olhar, nosso cheirar, nosso tocar etc.
Poderemos, a partir das descrições
obtidas da nossa coleta de dados, "enxergar" (sentir) e tocar em algo
inédito, inusitado, uma surpresa que no desvela um sentido ou mais sentidos.
Todavia, não se trata aí de apenas
revelar uma "Figura‟ que percebemos como que postada ou declarada de modo
inconteste de um "Fundo‟, mas, que também é algo além à percepção
gestáltica.
Ora, no caso da "percepção do
sentido", podemos sentir, raciocinar e agir diante do que se nos revela,
pelo que se mostra, o de que há um questionamento à descoberta imediata de uma "possibilidade"
no "fundo (de uma) da realidade" - há assim uma esperança que emerge
da vontade de sentido de ser na ação pela persistência e perseverança.
Neste movimento psicológico e
social provocativo do ser pesquisador, o que nos parece estar efetivamente "jogado
na nossa cara" é a possibilidade também da nossa arte de interferir na
realidade, e isso, nem sempre é algo não imediato, mas agir é preciso,
indissociado ao sentir e ao refletir ou racionar e ao corpo que fala, que
sente, que revela.
Assim, como pode acontecer de experienciarmos
mudanças? É demandado Sorge na espera, pois o existencialismo implica também em
esperar, uma educação que espera, educação da espera. E quando essa ações que
mudam acontecem? Elas só ocorrem quando há uma oportunidade implicada em
necessidade e ou vontade. é demandado "vontade de sentido". Quando
isso "de mudar" for possível, a surpresa mesma irá exigindo do
pesquisador e o pesquisado, cuidados, auto-cuidados, delicadezas e ações até
radicais, pensamentos inventivos, expressões corporais de enfrentamentos e de
resiliências, um abrir a sentimentos, emoções e desejos compatíveis como nosso
projetos de ser e de sonhos.
De fato, cada situação vital com
que temos de lidar de modo belicoso ou não, nos (co)move a uma demanda, e será
a vida que poderá nos levantar uma questão, uma pergunta. Falamos de uma
interrogação que Ela (a Vida) exige de nós uma resposta, impondo-nos o
"fazer algo" diante da vida provocadora, naquela situação específica
indicada, pontuada, revelada.
Vamos imaginar uma pesquisa
fenomenológica com a criança, por exemplo. Essa criança (ou um grupo delas), quando
ela é uma pessoa que colabora com nossa pesquisa, poderemos descrever e revelar
que ela atua de modo mudar o (seu) vivido, seja através do desenho, das tarefas
escolares, do lúdico, do obedecer e do desobedecer, do sentir dor e alegria
etc. A criança, então, pode revelar o sentido de ser do sentido da (sua) vida,
e essa revel(ação) é um agir, pelo menos uma tentativa, corpo/alma/mente. O
sentido emerge e se cristaliza na ação. É a ação que, ao se permitir conduzir
pelo sentido, revela o próprio sentido do sentido.
PÓS-ESCRITO
Dentro de um estudo acerca do sentido (da vida) do
educador e do educando, é que aparece o que poderíamos de modo inventivo
denominar de objeto da Pedagogia Hospitalar. Esta Pedagogia é a própria
intervenção que advém do que se denomina trabalho pedagógico e educacional
hospitalar e domiciliar.
O objeto desta Pedagogia são as práticas
educacionais contidas nos atendimentos educacionais em ambientes hospitalares
(e domiciliares) seja quando propõe ensino de conteúdos escolares preconizados
pelo Estado, que pode classicamente acontecer no espaço físico denominado de
classe hospitalar, assim como ensino-aprendizagem de conteúdos não escolares,
formais e ou informais.
Neste tipo de proposta da Psicologia Existencial, o
que tem contado de modo indelével são as atitudes (e até habilidades que podem
ser aprendidas) dos profissionais do magistério e do ensino-aprendizagem que
irão (co)mover suas propostas com disposições à escuta, ao cuidado, à
generosidade, à empatia etc., e reconhecendo a presença frankliana nesse
processo vivido.
O objeto
formal da Pedagogia Hospitalar, que pode ser uma intervenção na realidade
vivida pelo educando e ou aluno com graves problemas de saúde que lhe impõem
internação por longos períodos de tempo. Estas propostas de intervenção nascem
do planejamento, execução e avaliação de prática educacionais que impõe a
relação educação e saúde. A Pedagogia Hospitalar é uma ciência normativa,
comprometida com o fazer, com o agir, mas também com o sentir, o pensar, o
refletir - elaborar projetos de ser e de sonhos. Apropria-se de diversas
análises de indivíduos enfermos, de grupo deles, de instituições criadas para e
com eles como escolas, hospitais etc., bem como o poder e potencia da sociedade
onde tudo isso se insere. A Pedagogia Hospitalar precisa de outras ciências que
lhe dêem suporte para inventar e ou produzir tais práticas educacionais. Denominamos
classicamente que a Pedagogia é uma das Ciências da Educação, demandando da
Psicologia, da Sociologia, da Filosofia, da Biologia, da História etc.
REFERÊNCIAS
FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Psicologia
fenomenológica; fundamentos, método e pesquisa. São Paulo: Pioneira, 2001.
FRANKL, Viktor Emil. et al. Dar sentido à vida.
Petrópolis (RJ): Vozes; São Leopoldo (RS): Sinodal, 1990.
FRANKL, Viktor Emil. Em busca de sentido: um
psicólogo no campo de concentração. 3. ed. Petrópolis (RJ): Vozes; São Leopoldo
(RS): Sinodal, 1991.
____ .
Logoterapia e análise existencial. Campinas (SP) :Psy II, 1995.
FREIRE, Paulo. Paulo
Freire e os educadores de rua; uma abordagem crítica. Projetos Alternativos
de Atendimento a Meninos de Rua. Bogotá: UNICEF, 1988.
____. Pedagogia da autonomia: saberes
necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
____ . Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1989. FROMM, Erich. Ter ou Ser? Rio de Janeiro, Guanabara, 1987.
Fonte: © Psicologado.com no artigo: O conceito de "otimismo trágico" de Viktor Emil Frankl: subsídios para o exercício do/ no oficio de educador social
domingo, 17 de abril de 2022
O PROCESSO VIVENCIAL DE SER ESTUDANTE CEGO NA SINDEMIA DA
COVID-19
Hiran Pinel, autor
12 de abril de 2022
Vitória, ES.
EM CITANDO: Favor referendar. Não cometa crime de plágio, de qualquer jeito sempre devemos a alguém antes de nós, que pensou-sentiu-agiu, MAS cite. É fácil citar
O surto, a epidemia,
a endemia, a pandemia etc., desvela, ao contrário do que se pensa, de que há mais
variáveis, e não apenas uma, nas questões de saúde como na atual Covid-19,
DST-HIV-Aids, influenza, hanseníase, febre amarela etc. Podemos acrescentar
aqui-agora o termo "sindemia", considerado um termo mais correto em
lugar do de pandemia. Mas, qual a origem do termo "sindemia"?
A palavra "sindemia"
traz ao seu corpo etimológico dois vocábulos aparentemente diferenciados, mas
que se completos: "sinergia" e "epidemia". Fue Émile
Littré, século XIX, que intrduziu em seu "Dictionnaire de la langue
française" (1872-1877) a palavra "synergie" como própria da
Fisiologia: é a confluência e competição
"de ação, de esforço, entre vários órgãos (humanos), vários músculos;
associação de vários órgãos para o desempenho de uma função”. Trata-se de
sintetizar o que se conhece por "epidemias sinérgicas". De origem grega,
"syn" =“trabalhar juntos” ou “atuar, agir com”, enquanto "demos"
= população, que é usado ao modo semelhante aos termos epidemia e endemia.
Na sindemia ocorre
diversas doenças, em seus múltiplos estágios, interagindo de forma e modos
interdinâmicas e diferenciados, produzindo danos uns aos outros, aumentando
negativamente seus efeitos sobre o organismo humano coletivo e individual
destacando e desvelando direta e visivelmente seus impactos numa dimensão
social, ambiental, biológico e psicológio-existencial.
Podemos falar em uma "sindemia da emergência", ela que carece de uma
visão ampliada (ou holístico-existencial) quanto ao papel da Saúde Pública.
Para um serviço de assistência adequada e de qualidade ao povo, onde o próprio
Estado resista desbragadamente contra sua necropolítica - e isso é (im)possível,
pode ser uma exigência criar e fazer uma metafórica travessia da abordagem
clássica epidêmica quanto ao risco de transmissão, chegando ao uma percepção do
fenômeno existencial (humano, mundo, problema, intervenção) inserindo os modos
de ser do ser no mundo sindêmico, potencializando os aspectos sociais,
biológicos/ orgânicos, psicológicos e até existenciais.
Na perspectiva,
aqui-agora descrita, a sindemia é um termo que indica a responsabilidade que
temos em descrever compreensivamente o conjunto de problemas de saúde, que são
de fato interligados, e de modo complexo, mas de uma aproximação muito íntimas
e ao mesmo tempo indissociáveis. Essa associação de doenças, quanto mais se
interligam, mais elas vão se ampliando na contaminação uma das outras,
prejudicando, mais e mais, a saúde do ser humano. O prejuízo pode ocorrer numa
dimensão individual, mas, principalmente na coletiva, revelando de modo mais
evidenciado as condições pelas quais tais pessoas estão inseridas, sendo elas
oprimidas, marginalizadas, famintas, obesas, diabéticas, com sérios problemas
cardiológicos, uso de drogas etc., pontuando o estado psicológico existencial
em sentir-pensar-agir experiências negativas, pois injustas, como a pobreza, a estigmatização, o distresse, a
violência etc., que tem persistido na estrutura de uma sociedade de classe,
estruturada por um capitalismo selvagem.
Assim sendo, a
sindemia envolve grupamentos de duas ou mais doenças entre o coletivo
populacional, bem como o mostrar da indissociação de fatores psicológicos
(problemas emocionais; problemas na aprendizagem devido à tensão gerada, por
exemplo), sociais (e culturais), e de chofre, o biológico ou orgânico-corporal
(doenças infecciosas e parasitárias, doenças crônicas não transmissíveis,
desnutrição etc.).
*
Temos estudado o/a aluno/a
cego/a no processo "pendêmico" da Covid-19 associado com outras doenças (psicológicas,
biológicas, sociais) em contextos sociais diferenciados, que o são, de modo
radical, pela classe social, configurando, então, o que se denomina de
sindemia. Temos focado uma Educação Especial dentro e fora da classe
hospitalar, observando o sujeito propriamente dito com suas singularidades,
assim como sua família e ao entorno, fazendo parcerias com os serviços públicos
de saúde e de educação fora do hospital (classe hospitalar).
Compreendemos o aluno
cego empobrecido pelo sistema capitalista selvagem. Seu nome pode ser Kongpob,
e ele pode ser compreendido como aquela pessoa com uma vivência distressante que
a sindemia acarretou, inclusive, dificuldades emocionais e "tensionais"
(corporais) que o perturbava no seu desempenho acadêmico em "estudos
online" no seu domicílio, ou estando ele numa "sala de aula inclusiva"
ou numa "classe hospitalar", lugares de sentido em que vinha obtendo
bons rendimentos, só que antes do fenômeno sindêmico. O reflexo existencial de
uma Covid-19 na pessoa cega, no seu caso, produziu impacto nos "modos (dele)
de ser" cego no seu "ser no mundo" complexo, injusto e perverso,
apesar de algumas subjetividades e objetividades positivas. Tanta psicopatia
advinda das pessoas e da necropolítica (Estado) foi desvelada frente às
situações caóticas da saúde pública brasileira, devido mesmo a uma péssima
gestão dos serviços (de saúde) oferecidos pelo país ao cidadão empobrecido e
oprimido.
O atendimento
oferecido não foi da altura de uma pessoa cega e rica, ele mesmo percebeu isso,
um médico chegou a expressar isso conosco - com o Grufei, a diferença de
tratamento na saúde pública comparado com o de pacientes conveniados com
sistema privados de saúde, ainda que no caso da Covid os recursos cientificamente
disponíveis serem bem escasso.
A professora de
Educação Especial no seu cotidiano, poderá desaperceber um cotidiano de ser
cego, que nas condições de prevenção contra a Covid, seu aluno tenderá a sair
prejudicado, pois, não enxergando, tudo fica difícil a ele nesse contexto
sindêmico, por ex. Fica muito difícil ao aluno cego fiscalizar o uso, no outro,
da máscara, do álcool gel, assim como o distanciamento, e o não passar as mãos
em objetos que podem estar contaminados etc.
As mãos, não só elas,
mas principalmente elas, são uma das possibilidades (ricas, até) do cego lidar
com as coisas dos mundos, o outro e os outros - tocar, o autorizar-se tocar-se
e permitir que o outro o toque. E em ambiente inóspitos, adversos/ agressivos/
perversos/ preconceituosos/ estigmatizadores/ discriminadores etc., o "passar
as mãos" torna-se assim mais um risco para expressar seus "modos de
ser" frente à sindemia da Covid. Mas, esse "ser no mundo" vive em
um mundo desigual, principalmente marcado pelas classes sociais.
Assim, por ex., um
cego com Covid fazendo prevenção contra, sendo este pobre, com cânce e ou outro,
sendo aquele rico e com câncer, (eles) vivenciarão possibilidades diferenciadas
de acordo com a classe de onde eles estão instalados pela produção capitalista
selvagem, podendo ter semelhanças e diferenças, tanto positivas e ou negativas
pra ambos os lados, mas, sem dúvida, o indivíduo cego rico poderá ampliar mais
suas redes de cuidados concretos.
Imaginemos cegos dois
diabéticos obesos, tipo 2, com a mesma idade cronológica, mesmo peso. Um é rico
e tem acesso a remédios caros e de bons resultados clínicos, como Saxenda, que
custa cerca de 800 reais a caixa, com três canetas, se se ele aplica 3ml ao dia, o remédio não durará nem
um mês. Ele poderá tomar Trulicyt que custa cerca de 300 reais, com duas
canetas, que duram duas semanas apenas, além dos outros remédios que se
consegue, apenas com uma receita médica, via serviço público de saúde como
Glifage e outros, mas não pode recorrer à Saxenda e Trulicyt no público, pelo
menos, por ora. O diabético empobrecido só tomaria Glifage e outros. Isso sem
considerar as dificuldades de acesso ao serviço público de saúde, devido até
mesmo, à desinformação ou desesperança. Ambos têm que fazer regimes alimentares
- com e sem nutricionistas; exercícios físicos - com ou sem academia, e ou
professor particular de treinamento físico; e os referidos remédios, e isto
implica em gastos econômico, conhecimento, capacidade a produzir resistências e
reivindicação etc. Pela probabilidade, o diabético rico, que tem acesso aos
mais diversos e atualizados remédios na esfera de sua doença, academias,
nutrólogos (médicos) e nutricionistas, psicólogos clínicos, psiquiatras etc.,
provavelmente sairá melhor do quadro, isso sem contar com atendimentos médicos
por planos privados de saúde ou atendimentos privados mesmos - ainda que possa
haver diferenças, exceções. Isso começa a pontuar o sentido de ser cego empobrecido
e ou rico, vivenciando um processo de sindemia.
Por isso, é preciso
estancar imediatamente as ações necropolíticas e partir para uma reformulação ágil
dos sistemas públicos de saúde, retomando valores humanos dentro de uma
humanidade ético-estética - o "quão
belo" (estética) é cuidar (ética), por sinal, investimentos
"esquecidos" até intencionalmente pelo Estado necropolítico. E a
saúde pública é bem mais do que oferecer vacinas, algo indispensável e vital,
potente, mas cuidar de outros aspectos relacionados à saúde em geral: toda
saúde e sua relação com a educação (pública), justiça, segurança etc.
Já os serviços de
saúde e educação, nestes tempos-espaços, poderia focar na formação de sujeitos
mais reivindicativos, resistentes, opositores à corrupção do Estado necrófílo,
onde as relações interpessoais sejam suficientemente positivas, para recordar
ao aluno cidadão: a) que as relações interpessoais positivas ajudam na produção
da boa saúde mental; b) de que elas, as relações amorosas professor-aluno,
possam (co)mover o processo ensino-aprendizagem de aluno especiais ou não, nos
conteúdos educacionais e escolares, sejam os planejados, sejam os politizados;
c) produzir a conscientização crítica (Paulo Freire), bem como modos de ser na invenção da resistência e desobediência civil contra as necropolíticas na
saúde e fora dela; valorizar a ciência, mas sem endeusá-la alienadamente, reconhecendo
seu papel e força frente a uma pandemia, que de fato acaba configurando uma
sindemia - etc.