ESTADO DA ARTE DE UM TEMA CIENTÍFICO: UMA PEQUENA REFLEXÃO DE UM FENÔMENO SEMPRE EM FAZIMENTO
- Hiran PINEL, autor.
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Esse blog é totalmente experimental, um rascunho, inclusive com erros de português etc. É para informar - especialmente para meus alunos, orientandos, dentre outros interessados. Coloco imagens para provocar o dia-a-dia; fotos de artistas; textos pré literários; esboços de: resumos de artigos científicos, ensaios, paper's, críticas de cinema e outras artes, produção artística em geral - dentre outros. No mais penso que a a vida é obra de arte, bela e frágil, inconclusa, incompleta - devir.
ESTADO DA ARTE DE UM TEMA CIENTÍFICO: UMA PEQUENA REFLEXÃO DE UM FENÔMENO SEMPRE EM FAZIMENTO
- Hiran PINEL, autor.
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A ARTE "YAOI": CARACTERIZAÇÕES DO AMOR DE SALVAÇÃO
Hiran Pinel, autor.
Escrito de uma só vez.
Em citando este artigo, favor referenciar.
"SER PRECONCEITUOSO PSICOPATOLÓGICO": O SER-NO-MUNDO DOS PRECONCEITOS.
Hiran Pinel, autor.
"PAPER"
REVISTO E AMPLIADO, EM 14 JAN 2023
Hiran
Pinel, professor-titular UFES/PPGE
*
UMA PEDAGOGIA EXISTENCIAL INDISSOCIADA À PRODUÇÃO
DE PRÁTICAS EDUCACIONAIS: ALGUMAS CARACTERÍSTICAS
Hiran Pinel, autor.
.
INTRODUÇÃO
Minha
ação aqui-e-agora, é esboçar um texto científico fenomenológico (FORGHIERI,
2001), um texto tipo "paper", mas um ("paper") no sentido
estrito do termo: apenas um "rascunho". Um texto que precisa
"caminhar" mais, procurar mais rigor, em perder o cuidado, por sinal,
um bom cuidado pode ser rigoroso.
O
objetivo desse "paper" é o de refletir os modos como eu
penso-sinto-atuo (e celebro o comemoro) o meu exercício em produzir na minha
prática* (e práxis) uma Pedagogia Existencial indissociada à produção de
práticas educacionais, especialmente em Educação Especial e Pedagogia
Hospitalar, pontuando algumas características** que podem servir de mediação
entre o professor e o aluno, no fazer acontecer uma experiência significativa,
pois de sentido, o processo ensino-aprendizagem escolar e não escolar.
* Minhas
práticas de: pesquisador, orientador de cientistas, professor, educador,
pedagogo, educador social, psicopedagogo, filósofo clínico, especialista em
psicomotricidade, clínico e formador de clínicos (terapeuta existencial)
**
Descrevi dezoito (18) delas
Pretendo
criar "um clima pedagógico-existencial próprio, com práticas educacionais
relacionadas a esse clima e estilo" - talvez esteja aí minha contribuição
(Hiran Pinel).
.
AUTORES
QUE ME MARCAM (E ME MARCARAM)
Eis a
lista de autores, ainda incompleta, mas que de memória recordo e cito
aqui-e-agora. Eles me ajudaram (e me ajudam) a refletir sempre acerca do meu
ser professor, educador, pesquisador, clínico etc. Não coloco termos, que um
dia pretendo desvelar na hermenêutica que farei do texto.
Paulo
Freire (ser mais, amorização e muitos outros), Leonardo Boff (cuidado),
Husserl, Jean-Paul Sartre (projeto de ser), Martin Heidegger (cuidado), Maurice
Merleau-Ponty (percepção do fenômeno), Martin Buber (relações humanas), Simone
Beauvoir (mulher, morte), Carl R. Rogers (empatia, tendência atualizante
revista), Roberth R. Carlhuff (relação de ajuda), Rollo May (ser), Eugene
Gendlin (corpo), Martins Amatuzzi (fenomenologia: pesquisa e intervenção),
Yolanda Forghieri (método fenomenológico; teoria da personalidade), Virgínia
Axiline, Evilásio A. Ramos (realização existencial na educaçã), Teresa Cristina
Saldanha Erthal (projeto de ser), Vírginia Moreira, Janusz Korczak, Pantillon,
A.S. Neil (liberdade para aprender), Celestin Freinet, Viktor E. Frankl
(sentido da vida), Edith Stein (empatia), Don Lorenzo Milani, G. Kneller,
Camus, Trần Đức Thảo (fenomenologia e marxismo), Vera Felicidade Almeida de
Campos, Jorge Ponciano Ribeiro, Gabriel Marcel, F. Nietsche, F. Perls etc.
GADOTTI,
Moacir. História das ideias pedagógicas. Capítulos: 11
(fenomenologia existencial humanista), 12 (pensamento anti-autoritário), 16
(terceira parte: o humanismo socialista). Tem Paulo Freire também,
"pensamento pedagógico brasileiro" (e tem da América Latina).
.
RESULTADOS
E DISCUSSÃO
1. A
educação existencialista coloca muita potência no emocional, no afetivo, o
desejo e no sensível (sensibilidade) do aluno e do professor. Isso não
significa, entretanto, que se despreza o cognitivo (o racional), ao contrário,
mas defende que o "conhecimento" deve ser "(co)movido"
pelas atitudes fenomenológicas e existenciais; Nota: (co)movido = mover o
conhecimento embalado pela energia afetiva; (co) em parceria professor-aluno.
2.
Recomenda um currículo onde as artes e as humanidades tenham lugar importante e
de destaque - artes (há muitas), literatura e poesia. Não é apenas conhecer e
citar, mas trata-se do aluno "experienciar" a arte, um texto
ficcional, uma poesia.
3. Sugere
que as Ciências Humanas e Sociais são as (ciências) que estão mais próximas e
íntimas do ser humano (o aluno, o professor, a gestão escolar etc.), evocando
mudanças pessoais e grupais, afinal seus temas focais são o amor, a angústia, o
cuidar de si e do outro, e das coisas do mundo, esperança, depressão, inquietude,
saúde e loucura, ódio, crença e descrença etc.
4. O
estudo das Ciências Naturais (e matemática) deve levar sempre a humanidade
envolvida nesse processo, um ser humano finito, frágil, inconcluso, incompleto.
5. Todas
as disciplinas escolares (ou não escolares) devem conduzir e ou guiar, de modo
não diretivo, o estudante para que ele conheça e sinta o ser humano.
6. O
professor deve ser um guia, no mais próximo de alguém não explicitamente
diretivo, recusando exigir e impor algo ao aluno e ou aluna, devendo, isso sim,
ser sensível, atitude de empatia, de congruência, de aceitação incondicional da
pessoa etc., e sempre dispor, de modo natural, a respeitar a liberdade humana
(sua, de seus alunos, dos humanos em geral).
7. O
estudante pode criar e ou produzir (ou dar luz) ao conhecimento, reconhecendo-o
como resposta a situações existenciais.
8.
Considerar a política, a ética etc., como cuidado humano consigo e com o outro
(e coisas do mundo)k, pois os valores são temas de uma educação
existencialista, promovendo ações individuais e grupais vivenciais, que tocam o
existir do ser-no-mundo.
9.
Respeitar as diferenças na diversidade do mundo, e nunca negar o conhecimento
científico que possa fazer ao aluno aprender e crescer/ desenvolver-se,
envolvendo, por exemplo, o ato sentido de enfrentar o mundo adverso, cheio de
alegrias, mas também, cheios do seu outro lado, fios da mesma meada, as
tristezas.
10.
Valorizar a autoavaliação, preferencialmente a livre. Só a pessoa é capaz de
descrever o que lhe foi ensinado, e que ele aprendeu.
11. O ser
humano é "livre", ele existe no "tempo" - e no
"espaço", e tem o "Cuidado" na sua base existencial. Assim,
a pessoa é "ser-no-mundo" - é singular, plural, cultural, social,
histórica etc. A pessoa pode ser "autêntica" ou "inautêntica",
e ela é-sendo "aquilo que ela faz de si mesma". A pessoa é um
"ser de escolha", e "ao escolher, perde outras opções", e
ainda assim, "ela se responsabiliza pelo que escolheu, e "não
escolher é também uma escolha". A única certeza do ser humano é a sua
"liberdade", e ela (liberdade) "precede a essência" - ela é
existência. A liberdade está sempre se fazendo, sendo (a liberdade) a
responsável a "tocar" (motivar) a pessoa para ela "ser"
como "ser-no-mundo", desvelando seus jeitos ou
"modos-de-ser" nas suas caminhadas (singulares, plurais, e
plural-coletivas), nas suas travessias - etc.
12.
Pós-escrito: É claro que fiz esse texto marcado por diversas leituras sobre
"existencialismo na educação", e procurei manter o ensino de
conteúdos propostos por nossa cultura e sociedade, bem como pontuar o respeito
às diferenças na diversidade de ser. Há movimentos nessa esfera que coloca em
segundo plano o ensino de conteúdos, mas, pra nós, sim, os conteúdos precisam
ser ensinados, mas (co)movidos pela atitude e ou postura
fenomenológico-existencial e ou humanismo-existencial. Também revelei o ser
humano que caminha pelas suas próprias "vias" e pelos (próprios)
desvios, sendo dele a responsabilidade, mas, reafirmando-o como ser-no-mundo,
não apenas um "euzinho encapsulado". As vias e desvios são seus, mas
ao fazê-lo ele está no mundo, marcado por esse mesmo mundo, e a cultura,
sociedade, instituições, educação, justiça, saúde, políticas, democracia,
fascismo etc., que são "coisas" criadas e mantidas por pessoas que são
diversas nas diferenças, e esse "externo" aparente, tem impacto
também.
13. Até a
um milésimo de segundo antes de morrer a pessoa tem direito à educação escolar
e não escolar, esse é um dos princípios existenciais da pedagogia e das
práticas educacionais.
14. A
educação escolar e não escolar é uma educação inclusiva; a inclusão pode obter
benefícios da Psicologia/ Educação Existencialista quando se fala em disposição
(in terna e externa) inclusiva ou atitude inclusiva.
15. A
educação especial inclusiva pode se nortear pela educação existencialista, onde
os conteúdos podem ser (co)movidos pela filosofia, psicologia, pedagogia e
educação existencialista.
16. A
brinquedoteca hospitalar pode vivenciar uma dinâmica de ensino-aprendizagem
humanista-existencialista, compatível inclusive com o movimento de humanização
hospitalar
17.
"Atendimentos educacionais em ambientes hospitalares" podem estar
abertos a uma postura educacional existencialista, e muito pode contribuir com
temas presentes como vida e morte, no mesmo contínuo, por ex. Deveria haver uma
formação inicial e continuada da professora e de outros profissionais da
"saúde e educação" nessa perspectiva, a existencialista, ela que
também propõe de sentir-pensar-agir e celebrar as alegrias de de ensinar-aprender.
18. Se
fosse nosso desejo, as atitudes existencialistas poderiam ser
"aplicadas" (pois, vividas, introjetadas como postura e atitude) em
todos e quaisquer "programas/ práticas educacionais" escolares e não
escolares. Pode ser considerada tais vivências, das teorizações e práticas
humanista-existenciais, como textos que podem produzir um (ou mais) modo
sensível, algo da arte - da percepção fenomenal de si e do mundo. Esse
movimento pode e deve ser ligado ao ético (o rigor/ razão do cuidar) e estético
(o quão belo é cuidar). Trata-se de viver processos ensino-aprendizagens
fenomenológico-existenciais. Essas posturas são subjetividades, são
comportamentos, são políticas etc.
[Hiran
Pinel, autor]
AMOR AO CONHECIMENTO
Podemos consumir o thai-pop e outras artes/literaturas/poesias, só isso, pois a arte não muda concretamente nossas vidas, apenas nos ajuda a comprar coisas, nos torna emocionais por minutos e ou dias - mais nada... kkk No máximo, como disse, pode ser uma ilusão aparentemente mais sólida, nada mais do que isso, repito.TEXTO DIDÁTICO
CITANDO, REFERENDAR
***
O MÉTODO
PROGRESSIVO-REGRESSIVO DE JEAN-PAUL SARTRE
Hiran Pinel, autor deste texto didático
Sem dar os passos ou os procedimentos,
pois não seria totalmente possível podemos nomear algumas ações que o
investigador faz ou pode fazer quando recorre ao "método
progressivo-regressivo" de Jean-Paul Sartre.
O método sartreano foi publicado em dois
textos dele, e que são complementares: a) "O Ser e o Nada" (1943)
- onde ele nos fala de um método para a psicologia, que ele intitula
de "Psicanálise Existencial"; b) "Questão de Método",
quando ele publicas as técnicas que norteiam o método, isso na introdução
da "Crítica da Razão Dialética" (1960)[1].
Para levantarmos esses "passos" descritos de modo não clássico, não por etapas, nos inspiramos em um artigo de Schneider (2007), e destacamos de que ela não objetivou no seu texto tal proposição. Recomendamos ler os originais da autora, e o (artigo) citado ao final, nas referências.
O que propusemos não é algo simplista, mas um texto didático que não pode ser aplicado rigidamente, é preciso atitudes existencialistas considerando obras de Sartre.
Descrevemos o método de investigação progressão-regressão descrito
por Sartre. Isso significa que achamos indispensável que o estudante que começa com o método, e que se diz "perdido", vá direto ao
artigo e outros (inclusive livros) da autora (SCHNEIDER), que se dedica "trabalhar" com Sartre.
Após a elaboração da lista recorremos a
mais autores, mas sempre tendo por base o texto recorrido (SCHNEIDER, 2007):
Cerbone (2012), Bertolino (1996), André (2008) recomendo a leitura de como ela
trabalha com o método; Erthal (1994, 1990), Gobbi et al. (2002).
Levantamos 24 procedimentos, que sem
dúvida, podem estar em um exercer um vaivém, sem nenhuma linearidade. Claro
está que é apenas um texto didático, pois para produzir conhecimento
por este método é preciso estudar Sartre, conhecer pesquisas que recorrem
ao método.
Quando eu falo de 24 procedimentos, não
falo que eles podem ser "praticados" assim-assim, não - eles
necessitam ir até a teorização do criador desta abordagem. Ou seja, Sartre não
pode ser reduzido a procedimentos, eles funcionam como estimulo ao pesquisador
ir fundo na proposta do autor original (Sartre).
Então, o que "mostro"
aqui-agora não são nem regras ou procedimentos, antes, são posturas
existencialistas do Sartre de "Ser e Nada" e de "Crítica da
Razão Dialética".
Dito isso, eis os "procedimentos" (atitudes/ clima/ estilo) do método
de pesquisa progressivo-regressivo de Sartre:
1. Investigar a dimensão
de ser do sujeito humano, compreendido enquanto ser-no-mundo,
como ser-em-situação, um singular/universal, partindo dos aspectos
concretos de sua vida (comportamentos, gostos, gestos, emoções, raciocínios do
sujeito concreto), ou seja, as diferentes dimensões da vida de relações.
2. Processar a unificação do conjunto,
que é o ser do sujeito, ou seja, seu projeto original,
entre diferentes aspectos e dimensões
3. Fazer movimentos dialéticos (em
vaivém, na dimensão universal/singular ou coletiva/individual) progressivos
(objetividade do mundo) e regressivos (subjetividade) do ser humano, tendo por
base sua biografia ou autobiografia.
4. Procurar construir uma investigação
dos projetos empíricos ou das estratégias para realizar o projeto de descobrir
a maneira original com que cada sujeito se escolhe, ou seja, a unificação de
seu ser, familiarizando-o com suas paixões;
5. Efetuar um método compreensivo ou
sintético no estudo de uma história, biografia;
6. Partir nunca de fatos isolados, mas
sim de fenômenos, quer dizer de um conjunto articulado de ocorrências
objetivas.
7. Compreender que diferentes aspectos
de uma vida sempre se dão em conjunto, são tecidos uns nos outros; alterando
um, modifica-se o outro, e vice-versa.
8. Descrever esse entrelaçamento, esse
significado comum que deve ser perseguido, a fim de elucidar a história pessoal
(singular) e coletiva (na pluralidade de ser).
9. Compreender de modo contextualizado
a situação histórica (de vida) estudada.
10. Desvelar, entre os diferentes
aspectos e dimensões da biografia humana, aquilo que processa a
"unificação do conjunto", que é o ser do sujeito, ou seja,
seu projeto original (seus projetos, sonhos, perspectivas, esperanças,
o que sonha pra si).
11. Decifrar o “projeto de ser”
(sonhos, projeto original) do indivíduo estudado (ou de cada um deles), onde
ele se definirá o que é e para onde se encaminha nos diferentes movimentos como
pessoa no mundo.
12. Tomar o indivíduo em sua
singularidade, ou seja, no movimento pelo qual ele se fez sobre a base do que
se fez dele, compreendendo-o.
13. Encontrar o homem por inteiro em
todas as suas manifestações, a maneira de se lançar no mundo, as posturas
morais e políticas, os valores, a sua corporeidade etc., que o remete sempre
ao projeto de ser, que é fruto das determinantes materiais, sociais,
históricas em que ele está inscrito (objetivo) e da apropriação ativa por parte
do sujeito (subjetivo).
14. Compreender a realidade humana que
passa pelo movimento dialético entre o objetivo e o subjetivo.
15. Chegar à singularidade do sujeito
humano, sempre compreendido como produto e produtor do seu contexto e de sua
história.
16. Fazer uma análise compreensiva a
partir das significações das diversas situações que são engendradas
nessa relação entre o objetivo (progressivo) e o subjetivo (regressivo) e que
se expressam através do projeto de ser de cada sujeito.
17. Recorrer sempre à Psicanálise
Existencial como um pólo mediador entre o homem, em sua singularidade, e o
contexto histórico do qual ele faz parte como construtor, produtor, inventor,
criador.
18. Compreender o ser do nosso sujeito
que colabora com nossa pesquisa, "olhando-o de sentido", ou seja,
reconhecendo que ele é circunscrito no mundo, isto é, a partir da relação com
os outros, com a cultura que o cercou, com a mediação dos valores sociais e
religiosos, com a materialidade que ele teve disponível.
19. Entender o que se passou com a
pessoa que colaborou com nossa pesquisa, desvelando o que engendrou seu ser,
afinal "ser no mundo", abandonando assim a noção tão poderosa, de que
uma individualidade é encerrada em si mesma, afinal o o eu não é
uma entidade psíquica e nem é uma caixa-preta a ser desvendada,
simplesmente jogado no mundo, ele é esse mundo também, essa dialética entre o
si mesmo (regressivo) e esse mundo progressivo).
20. Descrever o homem concreto, com
suas relações com o corpo, com os outros, com os objetos, que definem as
possibilidades de ser de alguém, pois afinal, ser é unificar-se no mundo,
imbicar-se nele, ir (si) e vir (mundo), uma personalidade/ subjetividade
que não está encerrada dentro dele mesmo (homem), nem em sua consciência que
não é inacessível para os outros e para ele mesmo, pois ele está no mundo,
reconhecível em seus gestos, atos, palavras, pensamentos, em suas obras (ações,
produtos, produções diversas como desenhos, uma cadeira que ele fabricou, um
livro produzido etc.).
21. Compreender de modo rigoroso e
objetivo, a personalidade humana pela ação dialética progressão (se dirige pra frente; presente; projeto de ser, no futuro) - regressão (retorna; retrocede; reanalisa; bebe da fonte).
22. Fazer de modo explícito os
movimentos regressivos (subjetivos; singularidade; o individual) e progressivos
(mundo concreto, real, econômico, político, sociedade de classes etc.), sempre
revelando também a dinâmica da subjetividade, e assim, não negando a conjuntura
econômica, política e cultural em que os fenômenos humanos se desenvolvem, sem
jamais negar que estes são realizados por pessoas concretas, sujeitos que se
apropriam de sua situação, fazem algo dela, e que portanto, a dimensão
subjetiva é também determinante da realidade.
23. Mostrar a potencia entre
objetividade e subjetividade, pois é nela que está a cerne da realidade humana,
estabelecendo o movimento progressivo-regressivo, que faça aflorar à
compreensão os dados constitutivos dessa realidade múltipla, cultural, social,
mas sem dúvida, singular, individual.
24. Elucidar o homem como ser-no-mundo
através da história de seus "personagens", o fato de que não estamos
fechados dentro de nós mesmos, mas que somos objeto do mundo, somos no mundo,
com o outros homens.
25. Entendida a personalidade/
subjetividade como uma construção humana, que se dá partir das relações
concretas do sujeito com o contexto que o cerca.
REFERÊNCIAS
SARTRE, J-P. L’Être et le Néan;
essai d’ontologie phénoménologique. Paris: Gallimard, 1943.
SCHNEIDER, Daniela Ribeiro. O
método biográfico em Sartre; contribuições do Existencialismo para a
Psicologia. Sítio: [Capturado em 21 de novembro 2019].
GOBBI, Sérgio Leonardo Gobbi et al.
Sartre, Jean-Paul. In: GOBBI, Sérgio Leonardo Gobbi et al. Vocabulário
e noções básica da abordagem centrada na pessoa. São Paulo: Vetor, 2005. p.
136-138.
CERBONE, David R. Fenomenologia.
Petrópolis: Vozes, 2012.
ANDRÉ, Maria da Consolação. O
ser negro; a construção da subjetividade em afro-brasileiros. Brasília:
Estações, 2008.
ERTHAL, Tereza Cristina. Treinamento
em psicoterapia vivencial. Petrópolis: Vozes, 1994.
ERTHAL, Tereza Cristina. Terapia
vivencial; uma abordagem existencial em psicoterapia. Petrópolis: Vozes,
1990.
SARTRE, J-P. Critique de la
Raison Dialectique (précédé de Question de Méthode). Paris: Gallimard,
1960.
SARTRE, Jean Paul. Questão de
Método. Tradução: Rita Guedes, Luiz Forte e Bento Prado Jr. In. Coleção Os
Pensadores. São Paulo: Ed. Nova Cultural, 1987.
SARTRE, Jean Paul. Crítica da
Razão Dialética. Trad. Guilherme João de Freitas Teixeira. Rio de Janeiro
RJ: Ed. DP&A editora, 2002.
***
NOTA: Este artigo foi escrito em 1999 como uma tarefa acadêmica proposta por uma professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, SP. Em 2020 foi lido outra vez, e sofreu mudanças no texto propriamente, especialmente após leitura de Schneider e André (ver referência). Lendo estas duas autoras, percebi a possibilidade (ousada) de descrever procedimentos, tendo em vista orientandos que se dizem "perdidos"; agora eles vão se encontrar, para depois se autorizam perder novamente, pois "só se perde quem se acha" (mudei o ditado).
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[1] In: Schneider
(2007).